Deus não morre.

Não temos um, mas dois bispos.

Promessa de futuro. A Tradição será transmitida. Que Deus seja para ambos o Único amor, o Único bem, a Única razão para todas as suas empreitadas.

Viva Cristo Rei! Que Deus abençoe Monsenhor Williamson e seja para Monsenhor Faure Seu verdadeiro consolo!

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É uma reação espiritual. Quem diria que hoje os papas se empenham em destruir a Igreja, enquanto clérigos obscuros e desconhecidos se empenham em edificá-la

Monsenhor Williamson realmente fez o que estava em seu alcance. Agora está visível. A obra de Deus é de DEUS, não é de ninguém.

Como dizia D. Tomás de Aquino: um pai de família deve agir como um pai de família. Um padre deve agir como um padre, e um bispo como um bispo. Se D. Williamson não transmitisse a Sucessão Apostólica por política, por escrúpulos mundanos, para evitar a fúria da FSSPX – a primeira a excomungar seu gesto, antecipando-se a própria Roma, a primeira a renegá-lo com tal veemência que arrancou elogios das próprias autoridades modernistas, mas também de tantos e tantos leigos com conhecimento…

D. Rifan somou-se agora ao bispo de Nova Friburgo e aos modernistas de Roma. Tristemente constatamos que D. Lourenço Fleichman e a FSSPX estão juntos com os modernistas de todos os naipes no mesmo propósito: o de se colocarem como inimigos da Resistência.

D. Rifan e a FSSPX unidos num mesmo propósito… Somente isso é suficiente para se refletir…

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Charlie Hebdo?

Jamais.

O mal pelo visto se entredevorou por estes dias. Menos de uma dúzia de radicais ateus foram exterminados por radicais muçulmanos que geralmente dizimam muitíssimo mais do que isso…

E o mundo hipócrita rasga suas vestes pela morte dos terroristas de caneta e pincel!

Mas quando os outros terroristas – os de fuzis e bombas – exterminam populações inteiras de cristãos ou outros não-muçulmanos, como têm feito praticamente TODO DIA na Nigéria, com o Boko Haram, responsável por dez mil mortos só no ano passado, com o Isis que expulsou pessoas de suas casas com a roupa do corpo, fuzilou, separou famílias, coagiu pessoas à conversão, tirou mulheres de suas casas para a prostituição, crucificou cristãos, (e esses dois grupos são apenas dois dos muitos grupos radicais que maltratam os cristãos e não-conformistas), fora a retaliação contra os cristãos vinda diretamente da parte de governos como entre os saudistas e o governo paquistanês, onde o drama de Ásia Bibi inunda por tanto tempo nossas caixas de mensagens… Tudo isso não causa um décimo destes protestos.

O que aqueles cartunistas maçons e antirreligiosos faziam no entanto, era ABOMINÁVEL, era detestável, era torpe. De forma que ver a destruição de qualquer um dos lados – o Islâmico ou o ateísta – chega a dar uma tentação de júbilo, tal é a sede de justiça que temos, tamanhas são as vexações que os cristãos hodiernos sofrem, não tendo vez nem voz sequer nos próprios tribunais franceses (e com isso recordo da profanação das bruxas do femen em plena catedral de Notre Dame, onde o judiciário francês deu ganho de causa a elas, e ainda condenou os seguranças do local pelo crime de tê-las impedido de permanecer profanando a catedral!).

Bem,  não é para aplaudir o derramamento de sangue que desperdiço meu tempo. A morte para o ímpio é o começo do desespero. Todos os homens depois da morte cairão na eternidade. Uma vez mortos, todos seremos imediatamente julgados no juízo particular, em que o Justo Juiz confirma a alma na trajetória que em vida a mesma se obstinou a seguir. Quem neste mundo abusa da liberdade e se afasta por própria culpa de Deus, terá sua vontade respeitada no outro lado, sem possibilidade de mudança de percurso. É como se diz: “a árvore cai pro lado que pende”. E estando a alma apodrecendo no Inferno, resta o dia do Juízo Universal, onde a ressurreição dos corpos unirá à alma danada um corpo grotesco, distorcido pelo pecado, e os homens pérfidos desta forma serão sepultados vivos nos eternos abismos… É algo tão horrível, que nenhum cristão pode desejar o inferno nem mesmo ao pior dos homens, porque é pena tão brutal que ultrapassa o raciocínio humano. É algo indizivelmente pior do que as piores previsões jamais imaginadas.

Mas quem julga é Deus. Não sabemos com certeza o destino das almas, exceto em casos raríssimos permitidos por Ele, com o intuito de converter as almas, glorificá-Lo ou fazer frutificar atos de Caridade Sobrenatural ou outras Graças igualmente importantes… Há quem se salve no último segundo, o que é uma exceção, e JAMAIS uma regra. Mas em muitos casos das almas que se lançam no caminho do pecado em vida, Deus, diante disso, respeita-lhes o livre-arbítrio, porém abrevia-lhes a vida física como o único gesto possível de exercer Sua Misericórdia sem negar ao pecador a sua liberdade, fazendo-lhe um bem, pois não estende mais o tempo a esta alma maligna, que se condena e vai pro inferno, mas sofre penas menos abomináveis do que mereceria, caso permanecesse mais tempo na terra. Assim como no Céu existem graus de Bem-Aventurança, onde quem mais se uniu a Deus em vida maior Glória possui na Eternidade, também no Inferno há graus de desgraça, onde todos sofrem horrivelmente, mas uns são punidos com mais rigor que outros por terem sido os primeiros mais torpes em vida que os últimos. Mas a respeito dos que morreram neste episódio, onde estão agora não é para nós uma certeza, portanto é especulação.

Não compartilho em absoluto o escândalo farisaico desta mídia nojenta. Não foi a revolucionária liberdade de expressão a real atacada. O jornaleco era habituado a ofender as religiões escudado na liberdade de expressão – que mais parece um direito a crimes de ódio antirreligioso sem represálias – e foram aventurar-se com o Islã, foram tratar os islamitas como se a trajetória, a origem desta falsa religião, assim como as vicissitudes e dificuldades pelas quais os cristãos passaram por todos esses séculos fossem compartilhadas pelos maometanos.

O Islã é um mundo paralelo, onde os conceitos cristãos de amor ao Próximo, Caridade e Misericórdia NÃO EXISTEM.

A sociedade contemporânea apostatou, separou totalmente a vida espiritual do dia-a-dia, mas a sociedade islâmica concebe a religião e o dia-a-dia como uma coisa só. Ou seja: o Islã praticamente vive como nos tempos de sua fundação, com poucas variações. Estão alheios aos “valores” pagãos ocidentais. Aliás, detestam estes valores… Os muçulmanos geralmente são avessos a misturar-se com os ocidentais, vistos como ímpios e depravados (no que em muitos casos estão certos) que só servem para viver caso se convertam ou se tornem cidadãos de segunda classe. Eles detestam o mundo ocidental, exceto pelas suas vantagens materiais ou sua relativa liberdade, mas geralmente a maioria dos que para cá se dirigem tenta reproduzir aqui seus modelos de família e sociedade dos seus lugares de origem. Não aceitam de bom grado ser assimilados, e fora uns gatos-pingados que lhes servem de diplomatas (geralmente algum imã que vive no ocidente e que participa de encontros ecumênicos ou aproveita as mídias para vender um islã de paz e amor, contrário ao que chamam de “distorção” do verdadeiro Islã), com o intuito de atrair seguidores ou manter a lua-de-mel com a opinião pública (sempre muito simpática em propagandear o Islã ou dissociá-lo do fanatismo e da violência que são da natureza do próprio Alcorão), a maioria dos muçulmanos concebe este mundo como palco de guerras entre o islamismo e os heterodoxos = nós!

Acontece que o mundo islâmico conserva os mesmos valores desde o tempo de seu fundador. O Islã não sofreu com as revoluções, o islã não sofreu com nenhum modernismo, o Islã não teve um concílio “Meca II” para substituir suas bases tradicionais por doutrinas liberais. Resultado: foi contra gente deste tipo que os ateus franceses se meteram a achincalhar. Os obtusos jogaram pedras, quiçá acostumados com a falta de verve dos que se dizem cristãos, acovardados com o “politicamente correto”, ignorantes da própria história, sempre prontos a ter como verdade as mentiras que atribuem à Igreja, e amolecidos pela vida mundana que levam. Só que séculos de revoluções e propaganda mudaram a cosmovisão européia de cristã para neopagã. Mas isso não se aplica ao Islã: ao levarem uma pedrada, ripostaram com um meteoro, brutais como sempre… E além disso, os cristãos sabem que a Vingança pertence ao Senhor. Mas isso não é preceito islâmico. Eles mal se suportam, quanto mais a uma dezena de ímpios que lhes provoca a fúria.

É o que dá mexer em onça com vara curta. Não aplaudo nenhum dos envolvidos, antes deploro a todos. Os cristãos deveriam se manifestar com muito barulho, mas contra o ódio islâmico que os extermina, seja no Egito, no Paquistão, no Irã, no Sudão ou na Nigéria (e quem dera fossem apenas nestes lugares!). Deveriam manifestar-se ruidosamente contra o ódio antirreligioso e blasfemo movido pelos governos e pela sociedade, que reserva a Cristo e seus seguidores o único grupo em todo planeta pelo qual é legítimo maltratar, perseguir e cobrir de injúrias sem ferir o “politicamente correto”. Deveriam desnudar as contradições da chamada liberdade de expressão, que é usada contra nós como um ariete, e ao mesmo tempo servindo como escudo para nossos inimigos, que praticam seus crimes de ódio anticristão à vontade, dizem ou caricaturam o que bem entendem da maneira mais ofensiva e irresponsável possível, sem um mínimo de empatia, sem jamais colocar-se no lugar das suas vítimas e perguntar-se se desejaria o mesmo tratamento, caso estivesse no lado oposto. Tudo isso acobertado pela opinião pública e pelas leis. Ou seja: a liberdade de expressão pode ser traduzida para nós como direito dado aos nossos inimigos para nos discriminar, difamar, incitar o ódio da opinião pública contra nós, tudo isso debaixo dos aplausos do mundo e da proteção da justiça. E aí de quem levanta um tímido protesto que seja! Eles têm o direito de bater, nós temos o direito de apanhar em silêncio.

Portanto, se eles agora se estranham, que sejam seus próprios carrascos.

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Ratzinger e Bergoglio. O Vaticano e o mundo em 2015

Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

Neste ano que finda amanhã várias coisas me deixaram desconcertado. Uma delas foi a ausência quase completa de uma celebração condigna de importante efeméride: o sesquicentenário do Syllabus de Pio IX. Este  documento do magistério da Igreja, tão realista na análise e condenação dos principais erros do mundo moderno, é profético na previsão das consequências nefastas que adviriam para a  toda a cristandade caso houvesse uma capitulação da Igreja ante os ídolos do homem moderno, como de fato ocorreu.

A Igreja aceita hoje, como algo normal, legítimo, bom, seu estatuto de  confissão religiosa em pé de igualdade com os outros credos perante a Nova Ordem Mundial que organiza a vida das nações à luz da ideologia democrática revolucionária, a qual afirma que não há outro poder soberano senão aquele que emana da vontade do povo. Bem sabemos quanta mentira se diz, quanta manipulação se faz em nome do povo. Mas este não é o problema mais grave. O problema capital é que a Igreja reconhece como legítima uma ordem política na qual o povo, seja ele enganado ou manipulado ou não, é a única fonte do direito, um sistema político em que o povo é livre para fazer e determinar o que quer sem submissão a nenhuma lei moral objetiva.

Contra esse erro monstruoso, contra esse delírio da enferma mentalidade revolucionária moderna, nos advertiu Pio IX na festa da Imaculada Conceição no ano de 1864, publicando o Syllabus que condena a seguinte proposição: “A razão humana, sem ter absolutamente em conta a Deus, é o único árbitro do verdadeiro e do falso, do bem e do mal; é lei de si mesma e por suas forças naturais basta para promover o bem dos homens e dos povos.”

O pior é que, desde o Vaticano II, a Igreja vem alimentando e animando esse sistema político, colaborando com suas instituições, favorecendo a implantação em escala mundial de regimes baseados no sufrágio universal e na soberania popular, revogando as concordatas com estados que tinham a Igreja Católica como sua guia espiritual.

O papa Bergoglio declarou há alguns meses que desejava estudar as razões que levaram diversos estados a introduzir em sua legislação o casamento igualitário, a tutela da união “homoafetiva”, enfim, os novos “modelos” de família. Se ele reler o Syllabus de Pio IX, encontrará ali a explicação de tudo que ocorre hoje no mundo para nossa desgraça.

A outra coisa que me deixou desconcertado estes últimos dias foi ver estabelecida por alguns tradicionalistas uma falsa antinomia entre Ratzinger e Bergoglio. Ledo engano. O próprio cardeal Ratzinger declarou que considera sua abdicação um gesto iluminado pelo Espírito Santo e o pontificado de seu sucessor uma bênção para a Igreja. Concedo que possa haver diferenças acidentais ou de estilo entre eles, resultantes dos ambientes distintos em que se formaram. Mas não tenhamos ilusões. O cardeal ratzingeriano Raimundo Burke disse que um cardeal não pode ter divergências doutrinárias com o papa mas apenas fazer-lhe ponderações de ordem pastoral.

Bem ao contrário agiram os cardeais Otaviani e Bacci diante de Paulo VI quando lhe remeteram o Breve Exame Crítico da missa nova dizendo que o novus ordo representava um impressionante afastamento do doutrina de Trento sobre o Sacrifício da Missa e pedindo-lhe que o ab-rogasse. Se amanhã os tradicionalistas chegarem a representar uma força que ameace a estrutura da Igreja pós-conciliar, os ratzingerianos se unirão aos bergoglianos contra os tradicionalistas, como ocorreu por ocasião do Vaticano II quando os progressistas mais comedidos se uniram aos mais radicais contra a “teologia tomista da cúria romana”. Nos últimos anos os ratizingerianos concederam aos bergoglianos tudo sem lhes exigir nada: foram nomeados bispos, foram feitos cardeais, foram festejados e celebrados até que chegaram a eleger o seu papa. Ao contrário, quando entabularam um diálogo com os “lefebvristas”, logo lhes exigiram  que aceitassem o Vaticano II e a missa nova. Mas nunca impuseram aos bergoglianos a hermenêutica da continuidade. Nunca os censuraram, mas antes os cobriram de exaltados elogios.

Declaro que, sob certo aspecto, admiro o papa Francisco. Considero-o o melhor intérprete dos documentos do Vaticano II. E nessa perspectiva creio que pode prestar-nos um grande serviço. Ele veio desmascarar a “manobra contábil” que até então tinha sido feita em torno do tesouro do Vaticano II. Veio lancetar um tumor. Bergoglio disse que tem a “humildade e pretensão” de levar o Vaticano II a produzir todos seus frutos. Se João Paulo II é santo, Francisco I é um arcanjo.

Com efeito, o Vaticano II disse na Dignitatis Humanae que os ateus têm o direito de não ser impedidos de professar publicamente seu ateísmo assim como os adeptos de qualquer confissão religiosa. Portanto, proclamou a soberania da consciência humana. Não importa que tenha dito que subsiste o dever de procurar a verdade. O que importa é que ninguém pode ser impedido de professar publicamente seus erros, resguardada a ordem do estado democrático laico. A última palavra pertence ao homem; à Igreja compete-lhe tão-somente aconselhar o homem a investigar a verdade. Ao Estado compete garantir a liberdade de cultos. O que prevalece é a vontade do homem e não a lei divina. Esta é a doutrina liberal do Vaticano II em contradição com todo o magistério precedente. Na mesma perspectiva antropológica de garantir sempre ao homem o primeiro lugar em tudo, o  Vaticano II disse na Gaudium et Spes que não há hierarquia de fins do matrimônio. O homem tem de realizar-se, satisfazer-se em todas suas inclinações; não tem de em primeiro lugar cumprir uma ordem do Criador na transmissão da vida. Ora,  quando Bergoglio diz que cada um tem sua própria concepção de bem e deve segui-la, quando diz que a Igreja se torna estéril querendo dirigir as consciências, quando diz que se deve ter compreensão com os recasados e misericórdia com outros comportamentos um tanto estranhos, Bergoglio aplica fielmente o Vaticano II que, efetivamente, refundou a Igreja.

Logo após o Vaticano II, quando os progressistas começaram a aplicá-lo em todos os campos, houve uma publicação muito infeliz O que o Concílio não disse tentando pôr panos quentes nas horas mais convulsionadas, tentando deitar água fria na fervura dos tradicionalistas que reagiam com indignação aos piores desmandos que vinham de Roma, mas sempre com a preocupação de levá-los a aceitar o Vaticano II e suas reformas. Hoje, infelizmente, parece que alguns tradicionalistas repetem o mesmo erro primário do autor do referido livro.

Em conclusão destas mal traçadas linhas e mantendo longe de mim qualquer espírito profético, desejaria dizer o que espero para 2015 na Igreja e no mundo.

Creio que o papa Francisco (se não for ele, será seu sucessor) levará  a cabo as reformas anunciadas no Sínodo Extraordinário sobre a Família, bem como outras reformas já programadas, em torno das quais já há muito rumor. Creio que os inimigos de Bergoglio serão esmagados ou silenciados. Não haverá nenhum novo monsenhor Lefebvre ou dom Mayer, como já se pôde ver em Ciudad del Leste.

No mundo, espero que a Rússia, apesar da enorme dificuldade econômica que enfrenta em razão do embargo imposto pelos EUA e a União Europeia, continuará sendo um grande obstáculo para a Nova Ordem Mundial. Felizmente. E poderá causar problemas ainda mais sérios para as democracias liberais. Deo gratias.

Cuba, com bastante mão de obra barata e mais qualificada, será um paraíso para o capitalismo internacional. Como a China. Certamente, vão instalar-se ali, junto do porto construído pelo Brasil e próximo dos EUA, muitas empresas que vão faturar grosso sem grande benefício para a população. Capitalismo sem ética e socialismo arcaico de mãos dadas, sob as bênçãos do papa Francisco e os aplausos de Washington.

E o Irã e Israel? E o Estado Islâmico e o talebam? O Irã, juntamente com a Rússia e a Venezuela, os maiores prejudicados da grande manipulação do mercado do petróleo, poderão reagir a sua maneira e dar uma lição aos EUA. E Israel poderá ter dolorosas consequências. E finalmente, por culpa da apostasia do Ocidente, os cristãos do Oriente vão continuar sendo degolados, trucidados por aquelas bestas-feras do Estado Islâmico. E o talebam certamente vai valer-se da negligência dos EUA para continuar seu trabalho de proselitismo.

Os anos vão se passando. A antiga cristandade continua dormindo nas trevas e na sombra da morte, renegando com obstinação suas tradições e valores. Entrementes, o castigo de Deus se vai preparando. O Islão, dentro de poucos anos, ocupará literalmente, com consequências incalculáveis, vastas regiões da Europa. Mas o homem que apostatou não se importa, só quer saber se hoje tem dinheiro e sexo.

Vinde, Nossa Senhora de Fátima, não tardeis! Vinde também, rei Dom Sebastião!

Anápolis, 30 de dezembro de 2014.

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Soneto a Nossa Senhora feito pelo demônio

Em 1823, dois sacerdotes dominicanos, Padres Bassiti e Pignataro, estavam exorcizando um menino possesso de 12 anos de idade, analfabeto. Para humilhar o demônio, obrigaram-no, em nome de Deus, a demonstrar a veracidade da Imaculada Conceição de Maria. Para surpresa dos sacerdotes, pela boca do menino possesso, o demônio compôs o seguinte soneto:

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“Sou verdadeira mãe de um Deus que é filho,

E sou sua filha, ainda ao ser-lhe mãe;

Ele de eterno existe e é meu filho,

E eu nasci no tempo e sou sua mãe.

Ele é meu Criador e é meu filho,

E eu sou sua criatura e sua mãe;

Foi divinal prodígio ser meu filho

Um Deus eterno e ter a mim por mãe.

O ser da mãe é quase o ser do filho,

Visto que o filho deu o ser à mãe

E foi a mãe que deu o ser ao filho;

Se, pois, do filho teve o ser a mãe,

Ou há de se dizer manchado o filho

Ou se dirá Imaculada a mãe.

Conta-se que o Papa Pio IX chorou, ao ler esse soneto que contém um profundíssimo argumento de razão em favor da Imaculada.

O dogma da Imaculada Conceição foi proclamado em 8 de dezembro de 1854.

Fonte: Aqui.

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Etiópia: bastião de cristandade.

Aviso a todos que o artigo a seguir não é sobre a Igreja Católica, mas sobre uma forma curiosa de cristianismo que se desenvolveu há quase um milênio e meio, com particularidades muito estranhas para nós, produzidas pelo isolamento geográfico, pelo contexto multicultural e por crenças particulares. É uma igreja propriamente dita, se o critério de igreja for o de Sucessão Apostólica, o que a diferencia da maioria das confissões protestantes, mas com costumes realmente estranhos, especialmente para nós, católicos do ocidente.

Etiópia, bastião de cristandade

etíopes ortodoxos

De todas as variegadas comunidades cristãs dispersas pelo mundo, a Igreja da Etiópia é uma das menos conhecidas. Da sua história, que é admirável ; da sua fé, que continua viva através de tantas provações; dos méritos da sua fidelidade – que sabem os outros batizados? Talvez por ter vivido num mundo fechado, isolada quer pela natureza quer por um cerco de vizinhos hostis, esta igreja só é geralmente apresentada sob os seus aspectos mais exteriores, como se os costumes estranhos e pitorescos bastassem para explicar o heroísmo de que deu mostras no decurso dos séculos. Porque a verdade é que a sua história se resume numa resistência constante e pertinaz a todos os conquistadores que tentaram submetê-la. Aconteceu que o seu território foi submergido por invasores, mas no final sempre acabou por reconquistar a liberdade, uma liberdade que teve por fundamento a fé. Não é apenas um mito a célebre lenda do “Reino do Preste João” que, na Idade Média, via a Etiópia como um bastião da fé, firme no meio dos poderes pagãos. Semelhante a essas camadas vulcânicas que dominam, vermelhas e negras, abruptas, os seus planaltos verdejantes a dois mil metros de altitude, a Etiópia cristã representou na História e ainda hoje conserva o significado de um batel batido pelas vagas, mas que resiste.

A antiguidade desta Igreja é indiscutível, mesmo sem considerar as tradições que remontam a sua evangelização aos Apóstolos, São Bartolomeu e São Mateus, ou a esse eunuco da rainha Candace de que se fala nos Atos dos Apóstolos (At, VIII, 27). Sabe-se pelo historiador Rufino que o cristianismo penetrou na Etiópia por volta do ano 340, graças à aventura dos jovens Frumêncio e Edésio, que, criados por piratas, fizeram carreira junto do rei etíope que os comprara, e se portaram como apóstolos zelosos. Foi Frumêncio quem se dirigiu a Alexandria para pedir ao patriarca Atanásio que enviasse um bispo para a Etiópia e ele mesmo foi escolhido para este posto. A segunda fase da evangelização teve lugar no final do século V, com a chegada de nove monges sírios, “os nove santos”, que concluíram o trabalho de atrair para a fé o rei e a corte.

Quer fosse por influência do Egito, quer pela desses monges – que se supôs, aliás sem precisão, terem sido uns exilados, expulsos da pátria por hereges -, o certo é que a Etiópia foi conquistada para a causa monofisista (os monofisistas eram partidários da natureza única de Cristo, derrotados nos Concílio de Calcedônia), na qual se manteve até hoje. Que significava, que significa esse monofisismo? Também neste caso, é difícil dizê-lo. Parece que a Igreja etíope não esteve muito a par dos debates que se deram à volta da questão cristológica, e que terá sobretudo seguido, nos começos do século VII, um bispo egípcio chamado Kerillos (Cirilo). Era partidária da “natureza única”, mas daquele modo especial que vimos nos coptas, ou seja, hostil ao mesmo tempo a Eutiques, o heresiarca; e ao Concílio de Calcedônia que o condenou, porém admiradora de Dióscoro e mais ainda de São Cirilo. A Etiópia passou, pois, da fé tradicional para o monofisismo sem dar por isso; foi só no século XV que tomou clara consciência de estar separada.

É por isso que os juízos acerca da teologia etíope são muito díspares. Os jesuítas dos séculos XVI e XVII não viam nela grande coisa a corrigir. O capuchinho Massaia (1809-1889), que passou na Etiópia trinta e cinco anos e acabou a vida como Cardeal da Igreja romana, pensava que só havia um erro de vocabulário, porque os conceitos de natureza e de pessoa eram pouco claros para os etíopes. O que parece é que atualmente o monofisismo consciente e deliberado só se encontra em certas comunidades monásticas. Na prática, a fé popular admite a natureza humana de Cristo mais ou menos como os católicos e os ortodoxos. Assim se explica que a Igreja católica da Etiópia tenha adotado a maior parte das preces litúrgicas da Igreja nacional, sem alterar nada de importante.

Não quer isto dizer que a Igreja etíope se incline a fundir-se com uma ou outra das duas maiores Igrejas da cristandade. Houve um tempo em que esteve quase a efetuar-se a fusão com os católicos. Foi no século XVII, quando o extraordinário padre Paez, jesuíta espanhol, conseguiu “ganhar” o imperador Susênio Seltan Sadag, que por sua vez pretendeu converter o seu povo à força, o que provocou autênticas guerras de religião. O sucessor de Paez, o padre mendes, pela sua falta de habilidade e brutalidades, apressou a catástrofe e enterrou definitivamente essas esperanças. Dessa aventura restaram somente as ruínas da catedral erguida por Paez em Gorgora, nas margens do lago Tana, e uma extrema desconfiança para com o catolicismo, que só há pouco começou a desfazer-se.

Quanto à Igreja ortodoxa, que fez sérios esforços durante todo o último quartel do século XIX para pôr monges gregos e russos a trabalhar a Etiópia, não alcançou melhores resultados. Houve vários momentos em que se acreditou que a união estava prestes a concluir-se. Mas o Imperador Menelik, considerado como a própria encarnação da pátria etíope depois da sua brilhante vitória de Aduá sobre os italianos, compreendeu que, se a sua Igreja se vinculasse a Constantinopla ou a Moscou, perderia a independência e as suas características originais – e recusou-se a assinar qualquer compromisso formal.

Não foi menos rigorosa a resistência etíope à pressão islâmica. O incremento do poder do Egito contribuiu para reagrupar à volta do trono as forças vivas da nação. Os imperadores portaram-se como defensores da fé, não menos do que como soberanos políticos. Aos ataques dos vizinhos do Norte – um deles semeou o pânico até Gondar -, Teodoro II ripostou, não apenas pelas armas, mas por medidas de natureza religiosa, obrigando os muçulmanos a converter-se ao cristianismo (a liberdade de culto só lhes seria restituída em 1899). Em 1916, a situação esteve a ponto de reverter-se: o negus Lidi Yassu abraçou o islamismo, declarou-se descendente do Profeta, repudiou a sua mulher – cristã -, formou um harém, ordenou a construção de mesquitas e pôs o seu império na dependência religiosa da Turquia. Mas os cristãos salvaram a sua fé. Enquanto a igreja excomungava o soberano apóstata, as tribos do Choa marchavam sobre Adis-Abeba. A filha de Menelik foi proclamada imperatriz, com o Ras (príncipe) Tafari Makonnen (ou Ras Tafari), junto dela como regente e herdeiro. Foi este que, subindo ao trono em 1930, veio a tomar o nome da Santíssima Trindade: Hailê Selassiê. A Etiópia cristã tinha triunfado mais uma vez.

Igreja de pedra em Lalibela, Etiópia.

Igreja de pedra em Lalibela, Etiópia.

Também ganhou a partida num outro plano. Desde tempos imemoriais, talvez desde Frumêncio, designado por Santo Atanásio como chefe da igreja etíope, o Abuná (arcebispo-maior) era escolhido pelo patriarca copta de Alexandria entre os monges egípcios dos conventos do Mar Vermelho. A Etiópia estava, portanto, na situação bizarra de ter por bispo um estrangeiro que, muitas vezes, não conhecia nem o ge’ez, língua litúrgica, nem o amárico, língua popular. A seguir à Primeira Guerra Mundial, em que a Etiópia entrou mais em contato com o mundo exterior – teve um representante na Sociedade das Nações -, desenvolveu-se uma forte tendência para pôr termo a essa situação. Em 1929, o patriarca viu-se compelido a sagrar quatro bispos autóctones, e em seguida a designar entre os monges etíopes o seu chefe, o Echeghiê, superior do grande convento de Debra-Libanos (uma espécie de abade-geral). A invasão italiana acelerou a evolução. Depois de terem tentado em vão trazer para a sua causa o Abuná, que se refugiou no Cairo, os ocupantes suscitaram um movimento separatista, com a ajuda do Echeghiê, que conseguiu ser proclamado Abuná e sagrou bispos “colaboradores”. Um sínodo reunido no Cairo excomungou-os. Mas depois da derrota dos italianos, em 1941, nunca mais se pensou em voltar a colocar a Igreja nacional sob tutela egípcia. O próprio negus (Imperador) Hailê Salessiê dirigiu as negociações, que duraram dez anos. Firmou-se um primeiro acordo em 1948, e nele se previa que, pela morte do Abuná, o seu sucessor seria etíope, enquanto não chegasse esse momento, teria um coadjutor também etíope. Em 1951, foi proclamada a completa independência religiosa, ficando para o patriarca copta do Cairo apenas uma primazia moral e espiritual.

Assim, a Igreja etíope faz rigorosamente um só corpo com a nação, o que lembra, de certa maneira, a situação que existia na antiga Bizâncio. Se o Negus, tal como o Basileu, é uma personagem sagrada, o chefe da Igreja, com direito a honras de caráter religioso, e tem de se comportar em todas as circunstâncias como protetor da Igreja, o Abuná é um senhor dotado de poder incontestável, ao qual os poderes leigos não tentam opor-se. É ele quem sagra o imperador, designa os bispos e goza do direito de absolver e excomungar. Por longos tempos, nenhum Conselho lhe limitava o poder; desde 1948, é assistido por um Sínodo, mas este está bem longe de desempenhar o papel dos Conselhos na Igreja copta do Egito. O único rival sério que o Abuná pode ter – pois não tem o direito de ensinar a religião – é o Echeghiê, que encarna a tradição espiritual e cujo prestígio é grande. Mas, embora por vezes haja tensões internas, o conjunto do clero exerce em uníssono sobre o povo uma tutela facilmente qualificável de medieval.

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Isto porque o povo etíope conserva, na sua maioria, uma inabalável fidelidade à fé. Se, na ausência de recenseamentos confiáveis, é difícil avaliar com precisão o rebanho cristão – os números variam entre 4 e 7 milhões -, a verdade é que todos os viajantes que falam da Etiópia são unânimes em referir inúmeras provas de que a fé não parece ter sido atingida pela moderna laicização. Nossa Senhora é venerada como no mais fervoroso dos países católicos. É frequente ver na testa de um crente a tatuagem em forma de cruz outrora imposta por Zara Yacob e que serve para proclamar a fidelidade. As festas religiosas são tão numerosas – mais uma característica medieval – que é impossível passar oito dias na Etiópia sem assistir a uma ou a outra. Aos sábados e domingos, vêem-se afluir às igrejas coortes imensas de fiéis, quase todos vestidos de uma espécie de alba, o shemma. Nenhum etíope passa em frente de uma igreja ou oratório sem fazer uma reverência. Este povo, que praticamente não recebeu nenhuma instrução durante muito tempo, nem por isso deixa de conservar a memória do seu passado cristão. E rodeia de veneração os grandes centros sagrados: Axum, um antigo reino de Tigre, aonde o imperador continua a ir para a sagração; Lalibela, que conserva o nome de um santo rei e é um prodigioso conjunto de capelas escavadas na rocha, esconderijo sagrado cheio de corredores labirínticos, que milhares de peregrinos continuam a visitar; e ainda os conventos veneráveis, uns empoleirados no cume de alguma montanha quase inacessível, outros ciosamente isolados do mundo pelas águas do lago Tana.

Este cristianismo etíope apresenta muitos traços capazes de desconcertar um observador apressado. É extremamente austero, formalista em extremo, rigoroso em impor a mais longa Quaresma que se conhece – cinquenta e cinco dias – e o jejum das terças e sextas-feiras, pelo menos até ao meio-dia, quando não até às três da tarde. Exige também orações, prosternações, cujo número e profunda inclinação recordam as da Igreja grega. Ao mesmo tempo, contudo, não parece grandemente severo quanto à vida moral, em especial quanto à sensualidade. Aliás, abandonou-se a prática da confissão, exceto em artigo de morte, caso em que se sobrepõe a uma extrema-unção que é também uma confirmação.

Um dos traços mais surpreendentes deste cristianismo é que está impregnado de espírito bíblico, de uma extraordinária adesão ao Antigo Testamento, sobretudo aos salmos. Não é em vão que a dinastia real etíope reivindica entre os seus antepassados Salomão e a rainha de Sabá: o primeiro rei da Etiópia teria sido filho de ambos, concebido na célebre visita; como não é em vão que o Negus tem nas suas armas o leão de Judá. Os usos mosaicos que vimos terem sido conservados entre os coptas do Egito são ainda mais bem observados na Etiópia, designadamente a circuncisão, que é praticada antes do Batismo. Mantém-se o costume de oferecer ao “Senhor do Universo” as primícias de todos os produtos da terra. Durante muito tempo celebrou-se o sábado tanto como o domingo. Não se come carne de animais sem primeiro os sangrar. Os casamentos desenrolam-se de acordo com o cerimonial bíblico: os “amigos do esposo” escoltam o novo casal e o banquete copia as Bodas de Caná. O irmão continua a dever casar-se com a viúva do primogênito falecido, se ela o pedir, a fim de lhe dar posteridade, segundo o famoso preceito do Levirato. Acrescente-se ainda que, dos preceitos bíblicos sobre a hospitalidade devida aos estrangeiros, sobre a generosidade para com os pobres, os etíopes extraem uma bondade e uma caridade bem reais *.

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A arquitetura, a arte e a liturgia contribuem também para dar ao cristianismo etíope características sem par e um tanto insólitas. Também aqui, numerosos usos herdados de práticas pagãs de há vários milênios, vindas do Egito dos Faraós, ou mesmo do velho fundo autóctone. O costume de celebrar São Miguel, São Jorge, a Natividade e a Assunção uma vez por mês é um resultado evidente de um velho calendário lunar em que cada fase era celebrada religiosamente. O gaês (ge’ez), língua litúrgica, é a do Tigre, e a sua origem é pré-histórica. Quanto ao manuseio do sistro na dança sagrada, é exatamente igual ao que se vê nos afrescos de Tebas ou do Vale dos Reis.

As danças sagradas, a estridência dos sistros, o tilintar das campainhas presas aos incensórios, o lento rolar dos tambores enormes, ou o kabeno – canto alternado, em três modos -, as prosternações de toda a assistência, os convites feitos por diáconos e sub-diáconos… A liturgia eucarística desenrola-se no meio de um aparato de brocados roçagantes, à luz de círios inumeráveis, entre fumaças de incenso, sob o olhar das figuras de santos pintadas nas paredes, de grandes dimensões e cores vivas, e cujos olhos imensos nos rostos estilizados parecem contemplar o Invisível.

Geralmente rodeadas de belas árvores, as igrejas são de forma redonda ou octogonal; as retangulares, mais frequentes no Norte, denotam influência estrangeira. Algumas são rupestres, como a de Dongollo (no Tigre). E todas se dividem em três partes, uma delas reservada ao imperador e ao clero, a segunda aos cantores-bailadores, a terceira aos fiéis que comungam (os outros ficam do lado de fora). O santuário propriamente dito, de forma antiga, diz-se que recorda a Arca da Aliança (aliás, o abuna Paulos, em 2009, garantiu em entrevista ter visto a arca da Aliança, que estaria na Etiópia, mas o mesmo não revelou onde…).

São muitas as cerimônias que se efetuam ao ar livre, segundo usos próprios da Igreja etíope: por exemplo, no dia da Epifania, toda a assistência mergulha na água, com o clero à frente, em memória do batismo de Cristo. A festa da Exaltação da Santa Cruz é mais importante do que a do Natal e a da Páscoa. Dá ocasião a uma explosão de alegria popular: é o Masqal, a velha festa da vegetação renascente, convertida em festa de devoção à Santa Cruz, à qual o imperador não pode deixar de presidir em pessoa, rodeado de todo o clero sem exceção, coberto de capas rutilantes ou de longas vestes brancas com largas faixas de cor à altura dos joelhos. A multidão é encimada por um incrível eriçar de umbrelas (guarda-sóis) de cores berrantes e de cruzes processionais de ouro ou de prata, cujos largos braços têm artísticos ornamentos entrelaçados. Por um bom tempo ouvem-se ressoar cânticos quase dolorosos, cadenciados por “Ale-ale-ale-luia!” E tudo se conclui com um gigantesco desfile atrás dos tabots, as placas de madeira dura ungidas para servir de altares, que só os padres têm o direito de tocar; devem ser revestidas de pesadas sedas cor-de-rosa, verdes ou violetas. Depois, quando cai a noite, acendem-se fogueiras de alegria, em torno das quais a mocidade dançará até a madrugada. E no cimo de todos os montes que rodeiam a capital brilham também milhares de fogueiras…

Para conduzir tão vasta comunidade de fiéis, há um clero abundante. Para falar a verdade, vários milhares de padres só o são de nome, ou não participam senão de algumas festas solenes. Durante muito tempo, não foi necessário qualquer título, ou mesmo qualquer instrução, para ser padre. Bastava ir ter em grupo desordenado com o Abuná, pagar as taxas previstas – outrora em barras de sal -, receber as ordens, também coletivamente, e depois descobrir uma aldeia que aceitasse os serviços do novo padre… Mas, além desses “clérigos eclesiásticos”, houve também desde muito cedo “clérigos leigos”, os dobteras, muito mais bem formados e até, com frequência, estudantes universitários e alunos mais adiantados das escolas secundárias, se não mesmo professores. E são esses que, na qualidade de diáconos, instruem o povo durante as cerimônias, e que constituem a corporação dos chantres bailadores e poetas, indispensáveis em qualquer ofício litúrgico de alguma importância. E têm um desprezo proverbial pelos clérigos eclesiásticos.

De qualquer modo, o elemento mais vivo e igualmente mais sólido é formado pelos monges, tal como entre os ortodoxos. O monaquismo parece ser aqui tão antigo como o próprio cristianismo. Foi o Egito, terra clássica dos santos eremitas, que o implantou no país. Os grandes conventos tiveram um papel importante na história nacional: foram verdadeiros bastiões da fé, e ainda hoje continuam a ser centros de vida intelectual e espiritual. O mais célebre, que é o de Debré Libanos, no Choa, fundado no século XIII pelo reformador Tekle Haymanot, preside à Ordem fundada pelo santo, e é o seu abade quem exerce as funções de Echeghiê, chefe reconhecido do monaquismo etíope. Outros conventos seguem a tradição dita de Eustácio e não têm hierarquia.

Monge etíope

Monge etíope

Existem hoje uns doze conventos de homens e seis de mulheres, com uma população monástica abundante. E a vida neles é de renúncia. Apesar das invasões muçulmanas que devastaram o país, todos eles conservam tesouros tidos por fabulosos, antigos manuscritos que mal se começa a catalogar, ornados de miniaturas de estilo ao mesmo tempo hierático e bárbaro. Foi nos conventos que se deu, de há alguns anos para cá, uma renovação dos estudos teológicos e bíblicos, em ligação com os coptas do Egito e, mais recentemente, com os patriarcados ortodoxos de Constantinopla e de Alexandria, e até com certas confissões protestantes.

O envio de jovens para as universidades e seminários do Egito, da Grécia, de Istambul, representa para a Igreja etíope uma hipótese de futuro. O desenvolvimento de uma comunidade católica etíope, ajudado pela federação da Eritréia com a Etiópia após a Segunda Guerra Mundial, e que se traduz pela abertura de um seminário, de um mosteiro cisterciense, de escolas religiosas mantidas sobretudo por ursulinas, e, pela criação na própria Roma, em 1919, do Colégio Pontifício Etíope, não deixa de provocar alguma emulação.

(…)

Bibliografia: ROPS, Daniel. A Igreja das Revoluções (III) – Esses nossos irmãos, os cristãos. Décimo Tomo da História da Igreja de Cristo.

Nota pessoal: no que diz respeito a um possível relacionamento entre o rei Salomão e a rainha de Sabá, não há nenhum tipo de referência bíblica ou documental, mas é antes uma tradição etíope. Outra curiosidade: existe uma etnia etíope chamada falasha que declara-se judaica desde os tempos de Salomão, e que teria se mantido judaica quando o resto do país, por volta do século IV, teria aderido ao cristianismo. Não há como saber ao certo, nem com certeza. Mas não deixa de ser muito curiosa a acentuada nota judaizante no cristianismo copta, e ainda mais do que nele, no cristianismo etíope “tewahedo”. Quanto a esses auto-intitulados judeus, foram reconhecidos como tais por rabinos antes da criação do novo estado de Israel, que os reconhece, e em várias ocasiões criou “operações de resgate”, levando para Tel Aviv milhares de falashas, judeus negros que por muito tempo ficavam espantados ao ver judeus brancos.

Atualmente essa igreja é chamada oficialmente de Igreja ortodoxa etíope “tewahedo” (que significa “unificado”, baseado na crença iniciada no monofisismo de que Cristo teria só uma natureza, ao contrário da União Hipostática da Igreja Católica e das igrejas ortodoxas, que admite que em Cristo há duas naturezas – a humana e a divina – que não estão separadas, mas não estão misturadas). Eles se consideram miafisitas, ou seja, crêem que em Cristo uma “natureza unida”.

Abaixo, um vídeo que pode se regulado para legendas em português

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Os pássaros, pelo menos, são irracionais

Abram os olhos! Não sejam idiotas-uteis!

Pacientes na tribulação

No vídeo abaixo, vemos um pássaro pequeno alimentando outro grande, muito maior do que ele. Fato bastante estranho, pois era de se esperar que os adultos alimentassem os filhotes de sua espécie.

Qual a explicação para este fato?

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Não esqueçamos dos fiéis que padecem no Purgatório!

Pope Pius XII (39)

Para recordar:

O que é o Purgatório.

O que são os Sufrágios, e em que consiste o Ato Heróico pelas almas do Purgatório.

Caso alguém queira assistir uma Missa Solene de Requiem pelas almas do Purgatório, em que o Requiem de Mozart é interpretado, veja o link aqui.

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