Deus não morre.

Não temos um, mas dois bispos.

Promessa de futuro. A Tradição será transmitida. Que Deus seja para ambos o Único amor, o Único bem, a Única razão para todas as suas empreitadas.

Viva Cristo Rei! Que Deus abençoe Monsenhor Williamson e seja para Monsenhor Faure Seu verdadeiro consolo!

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É uma reação espiritual. Quem diria que hoje os papas se empenham em destruir a Igreja, enquanto clérigos obscuros e desconhecidos se empenham em edificá-la

Monsenhor Williamson realmente fez o que estava em seu alcance. Agora está visível. A obra de Deus é de DEUS, não é de ninguém.

Como dizia D. Tomás de Aquino: um pai de família deve agir como um pai de família. Um padre deve agir como um padre, e um bispo como um bispo. Se D. Williamson não transmitisse a Sucessão Apostólica por política, por escrúpulos mundanos, para evitar a fúria da FSSPX – a primeira a excomungar seu gesto, antecipando-se a própria Roma, a primeira a renegá-lo com tal veemência que arrancou elogios das próprias autoridades modernistas, mas também de tantos e tantos leigos com conhecimento…

D. Rifan somou-se agora ao bispo de Nova Friburgo e aos modernistas de Roma. Tristemente constatamos que D. Lourenço Fleichman e a FSSPX estão juntos com os modernistas de todos os naipes no mesmo propósito: o de se colocarem como inimigos da Resistência.

D. Rifan e a FSSPX unidos num mesmo propósito… Somente isso é suficiente para se refletir…

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Charlie Hebdo?

Jamais.

O mal pelo visto se entredevorou por estes dias. Menos de uma dúzia de radicais ateus foram exterminados por radicais muçulmanos que geralmente dizimam muitíssimo mais do que isso…

E o mundo hipócrita rasga suas vestes pela morte dos terroristas de caneta e pincel!

Mas quando os outros terroristas – os de fuzis e bombas – exterminam populações inteiras de cristãos ou outros não-muçulmanos, como têm feito praticamente TODO DIA na Nigéria, com o Boko Haram, responsável por dez mil mortos só no ano passado, com o Isis que expulsou pessoas de suas casas com a roupa do corpo, fuzilou, separou famílias, coagiu pessoas à conversão, tirou mulheres de suas casas para a prostituição, crucificou cristãos, (e esses dois grupos são apenas dois dos muitos grupos radicais que maltratam os cristãos e não-conformistas), fora a retaliação contra os cristãos vinda diretamente da parte de governos como entre os saudistas e o governo paquistanês, onde o drama de Ásia Bibi inunda por tanto tempo nossas caixas de mensagens… Tudo isso não causa um décimo destes protestos.

O que aqueles cartunistas maçons e antirreligiosos faziam no entanto, era ABOMINÁVEL, era detestável, era torpe. De forma que ver a destruição de qualquer um dos lados – o Islâmico ou o ateísta – chega a dar uma tentação de júbilo, tal é a sede de justiça que temos, tamanhas são as vexações que os cristãos hodiernos sofrem, não tendo vez nem voz sequer nos próprios tribunais franceses (e com isso recordo da profanação das bruxas do femen em plena catedral de Notre Dame, onde o judiciário francês deu ganho de causa a elas, e ainda condenou os seguranças do local pelo crime de tê-las impedido de permanecer profanando a catedral!).

Bem,  não é para aplaudir o derramamento de sangue que desperdiço meu tempo. A morte para o ímpio é o começo do desespero. Todos os homens depois da morte cairão na eternidade. Uma vez mortos, todos seremos imediatamente julgados no juízo particular, em que o Justo Juiz confirma a alma na trajetória que em vida a mesma se obstinou a seguir. Quem neste mundo abusa da liberdade e se afasta por própria culpa de Deus, terá sua vontade respeitada no outro lado, sem possibilidade de mudança de percurso. É como se diz: “a árvore cai pro lado que pende”. E estando a alma apodrecendo no Inferno, resta o dia do Juízo Universal, onde a ressurreição dos corpos unirá à alma danada um corpo grotesco, distorcido pelo pecado, e os homens pérfidos desta forma serão sepultados vivos nos eternos abismos… É algo tão horrível, que nenhum cristão pode desejar o inferno nem mesmo ao pior dos homens, porque é pena tão brutal que ultrapassa o raciocínio humano. É algo indizivelmente pior do que as piores previsões jamais imaginadas.

Mas quem julga é Deus. Não sabemos com certeza o destino das almas, exceto em casos raríssimos permitidos por Ele, com o intuito de converter as almas, glorificá-Lo ou fazer frutificar atos de Caridade Sobrenatural ou outras Graças igualmente importantes… Há quem se salve no último segundo, o que é uma exceção, e JAMAIS uma regra. Mas em muitos casos das almas que se lançam no caminho do pecado em vida, Deus, diante disso, respeita-lhes o livre-arbítrio, porém abrevia-lhes a vida física como o único gesto possível de exercer Sua Misericórdia sem negar ao pecador a sua liberdade, fazendo-lhe um bem, pois não estende mais o tempo a esta alma maligna, que se condena e vai pro inferno, mas sofre penas menos abomináveis do que mereceria, caso permanecesse mais tempo na terra. Assim como no Céu existem graus de Bem-Aventurança, onde quem mais se uniu a Deus em vida maior Glória possui na Eternidade, também no Inferno há graus de desgraça, onde todos sofrem horrivelmente, mas uns são punidos com mais rigor que outros por terem sido os primeiros mais torpes em vida que os últimos. Mas a respeito dos que morreram neste episódio, onde estão agora não é para nós uma certeza, portanto é especulação.

Não compartilho em absoluto o escândalo farisaico desta mídia nojenta. Não foi a revolucionária liberdade de expressão a real atacada. O jornaleco era habituado a ofender as religiões escudado na liberdade de expressão – que mais parece um direito a crimes de ódio antirreligioso sem represálias – e foram aventurar-se com o Islã, foram tratar os islamitas como se a trajetória, a origem desta falsa religião, assim como as vicissitudes e dificuldades pelas quais os cristãos passaram por todos esses séculos fossem compartilhadas pelos maometanos.

O Islã é um mundo paralelo, onde os conceitos cristãos de amor ao Próximo, Caridade e Misericórdia NÃO EXISTEM.

A sociedade contemporânea apostatou, separou totalmente a vida espiritual do dia-a-dia, mas a sociedade islâmica concebe a religião e o dia-a-dia como uma coisa só. Ou seja: o Islã praticamente vive como nos tempos de sua fundação, com poucas variações. Estão alheios aos “valores” pagãos ocidentais. Aliás, detestam estes valores… Os muçulmanos geralmente são avessos a misturar-se com os ocidentais, vistos como ímpios e depravados (no que em muitos casos estão certos) que só servem para viver caso se convertam ou se tornem cidadãos de segunda classe. Eles detestam o mundo ocidental, exceto pelas suas vantagens materiais ou sua relativa liberdade, mas geralmente a maioria dos que para cá se dirigem tenta reproduzir aqui seus modelos de família e sociedade dos seus lugares de origem. Não aceitam de bom grado ser assimilados, e fora uns gatos-pingados que lhes servem de diplomatas (geralmente algum imã que vive no ocidente e que participa de encontros ecumênicos ou aproveita as mídias para vender um islã de paz e amor, contrário ao que chamam de “distorção” do verdadeiro Islã), com o intuito de atrair seguidores ou manter a lua-de-mel com a opinião pública (sempre muito simpática em propagandear o Islã ou dissociá-lo do fanatismo e da violência que são da natureza do próprio Alcorão), a maioria dos muçulmanos concebe este mundo como palco de guerras entre o islamismo e os heterodoxos = nós!

Acontece que o mundo islâmico conserva os mesmos valores desde o tempo de seu fundador. O Islã não sofreu com as revoluções, o islã não sofreu com nenhum modernismo, o Islã não teve um concílio “Meca II” para substituir suas bases tradicionais por doutrinas liberais. Resultado: foi contra gente deste tipo que os ateus franceses se meteram a achincalhar. Os obtusos jogaram pedras, quiçá acostumados com a falta de verve dos que se dizem cristãos, acovardados com o “politicamente correto”, ignorantes da própria história, sempre prontos a ter como verdade as mentiras que atribuem à Igreja, e amolecidos pela vida mundana que levam. Só que séculos de revoluções e propaganda mudaram a cosmovisão européia de cristã para neopagã. Mas isso não se aplica ao Islã: ao levarem uma pedrada, ripostaram com um meteoro, brutais como sempre… E além disso, os cristãos sabem que a Vingança pertence ao Senhor. Mas isso não é preceito islâmico. Eles mal se suportam, quanto mais a uma dezena de ímpios que lhes provoca a fúria.

É o que dá mexer em onça com vara curta. Não aplaudo nenhum dos envolvidos, antes deploro a todos. Os cristãos deveriam se manifestar com muito barulho, mas contra o ódio islâmico que os extermina, seja no Egito, no Paquistão, no Irã, no Sudão ou na Nigéria (e quem dera fossem apenas nestes lugares!). Deveriam manifestar-se ruidosamente contra o ódio antirreligioso e blasfemo movido pelos governos e pela sociedade, que reserva a Cristo e seus seguidores o único grupo em todo planeta pelo qual é legítimo maltratar, perseguir e cobrir de injúrias sem ferir o “politicamente correto”. Deveriam desnudar as contradições da chamada liberdade de expressão, que é usada contra nós como um ariete, e ao mesmo tempo servindo como escudo para nossos inimigos, que praticam seus crimes de ódio anticristão à vontade, dizem ou caricaturam o que bem entendem da maneira mais ofensiva e irresponsável possível, sem um mínimo de empatia, sem jamais colocar-se no lugar das suas vítimas e perguntar-se se desejaria o mesmo tratamento, caso estivesse no lado oposto. Tudo isso acobertado pela opinião pública e pelas leis. Ou seja: a liberdade de expressão pode ser traduzida para nós como direito dado aos nossos inimigos para nos discriminar, difamar, incitar o ódio da opinião pública contra nós, tudo isso debaixo dos aplausos do mundo e da proteção da justiça. E aí de quem levanta um tímido protesto que seja! Eles têm o direito de bater, nós temos o direito de apanhar em silêncio.

Portanto, se eles agora se estranham, que sejam seus próprios carrascos.

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Ratzinger e Bergoglio. O Vaticano e o mundo em 2015

Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

Neste ano que finda amanhã várias coisas me deixaram desconcertado. Uma delas foi a ausência quase completa de uma celebração condigna de importante efeméride: o sesquicentenário do Syllabus de Pio IX. Este  documento do magistério da Igreja, tão realista na análise e condenação dos principais erros do mundo moderno, é profético na previsão das consequências nefastas que adviriam para a  toda a cristandade caso houvesse uma capitulação da Igreja ante os ídolos do homem moderno, como de fato ocorreu.

A Igreja aceita hoje, como algo normal, legítimo, bom, seu estatuto de  confissão religiosa em pé de igualdade com os outros credos perante a Nova Ordem Mundial que organiza a vida das nações à luz da ideologia democrática revolucionária, a qual afirma que não há outro poder soberano senão aquele que emana da vontade do povo. Bem sabemos quanta mentira se diz, quanta manipulação se faz em nome do povo. Mas este não é o problema mais grave. O problema capital é que a Igreja reconhece como legítima uma ordem política na qual o povo, seja ele enganado ou manipulado ou não, é a única fonte do direito, um sistema político em que o povo é livre para fazer e determinar o que quer sem submissão a nenhuma lei moral objetiva.

Contra esse erro monstruoso, contra esse delírio da enferma mentalidade revolucionária moderna, nos advertiu Pio IX na festa da Imaculada Conceição no ano de 1864, publicando o Syllabus que condena a seguinte proposição: “A razão humana, sem ter absolutamente em conta a Deus, é o único árbitro do verdadeiro e do falso, do bem e do mal; é lei de si mesma e por suas forças naturais basta para promover o bem dos homens e dos povos.”

O pior é que, desde o Vaticano II, a Igreja vem alimentando e animando esse sistema político, colaborando com suas instituições, favorecendo a implantação em escala mundial de regimes baseados no sufrágio universal e na soberania popular, revogando as concordatas com estados que tinham a Igreja Católica como sua guia espiritual.

O papa Bergoglio declarou há alguns meses que desejava estudar as razões que levaram diversos estados a introduzir em sua legislação o casamento igualitário, a tutela da união “homoafetiva”, enfim, os novos “modelos” de família. Se ele reler o Syllabus de Pio IX, encontrará ali a explicação de tudo que ocorre hoje no mundo para nossa desgraça.

A outra coisa que me deixou desconcertado estes últimos dias foi ver estabelecida por alguns tradicionalistas uma falsa antinomia entre Ratzinger e Bergoglio. Ledo engano. O próprio cardeal Ratzinger declarou que considera sua abdicação um gesto iluminado pelo Espírito Santo e o pontificado de seu sucessor uma bênção para a Igreja. Concedo que possa haver diferenças acidentais ou de estilo entre eles, resultantes dos ambientes distintos em que se formaram. Mas não tenhamos ilusões. O cardeal ratzingeriano Raimundo Burke disse que um cardeal não pode ter divergências doutrinárias com o papa mas apenas fazer-lhe ponderações de ordem pastoral.

Bem ao contrário agiram os cardeais Otaviani e Bacci diante de Paulo VI quando lhe remeteram o Breve Exame Crítico da missa nova dizendo que o novus ordo representava um impressionante afastamento do doutrina de Trento sobre o Sacrifício da Missa e pedindo-lhe que o ab-rogasse. Se amanhã os tradicionalistas chegarem a representar uma força que ameace a estrutura da Igreja pós-conciliar, os ratzingerianos se unirão aos bergoglianos contra os tradicionalistas, como ocorreu por ocasião do Vaticano II quando os progressistas mais comedidos se uniram aos mais radicais contra a “teologia tomista da cúria romana”. Nos últimos anos os ratizingerianos concederam aos bergoglianos tudo sem lhes exigir nada: foram nomeados bispos, foram feitos cardeais, foram festejados e celebrados até que chegaram a eleger o seu papa. Ao contrário, quando entabularam um diálogo com os “lefebvristas”, logo lhes exigiram  que aceitassem o Vaticano II e a missa nova. Mas nunca impuseram aos bergoglianos a hermenêutica da continuidade. Nunca os censuraram, mas antes os cobriram de exaltados elogios.

Declaro que, sob certo aspecto, admiro o papa Francisco. Considero-o o melhor intérprete dos documentos do Vaticano II. E nessa perspectiva creio que pode prestar-nos um grande serviço. Ele veio desmascarar a “manobra contábil” que até então tinha sido feita em torno do tesouro do Vaticano II. Veio lancetar um tumor. Bergoglio disse que tem a “humildade e pretensão” de levar o Vaticano II a produzir todos seus frutos. Se João Paulo II é santo, Francisco I é um arcanjo.

Com efeito, o Vaticano II disse na Dignitatis Humanae que os ateus têm o direito de não ser impedidos de professar publicamente seu ateísmo assim como os adeptos de qualquer confissão religiosa. Portanto, proclamou a soberania da consciência humana. Não importa que tenha dito que subsiste o dever de procurar a verdade. O que importa é que ninguém pode ser impedido de professar publicamente seus erros, resguardada a ordem do estado democrático laico. A última palavra pertence ao homem; à Igreja compete-lhe tão-somente aconselhar o homem a investigar a verdade. Ao Estado compete garantir a liberdade de cultos. O que prevalece é a vontade do homem e não a lei divina. Esta é a doutrina liberal do Vaticano II em contradição com todo o magistério precedente. Na mesma perspectiva antropológica de garantir sempre ao homem o primeiro lugar em tudo, o  Vaticano II disse na Gaudium et Spes que não há hierarquia de fins do matrimônio. O homem tem de realizar-se, satisfazer-se em todas suas inclinações; não tem de em primeiro lugar cumprir uma ordem do Criador na transmissão da vida. Ora,  quando Bergoglio diz que cada um tem sua própria concepção de bem e deve segui-la, quando diz que a Igreja se torna estéril querendo dirigir as consciências, quando diz que se deve ter compreensão com os recasados e misericórdia com outros comportamentos um tanto estranhos, Bergoglio aplica fielmente o Vaticano II que, efetivamente, refundou a Igreja.

Logo após o Vaticano II, quando os progressistas começaram a aplicá-lo em todos os campos, houve uma publicação muito infeliz O que o Concílio não disse tentando pôr panos quentes nas horas mais convulsionadas, tentando deitar água fria na fervura dos tradicionalistas que reagiam com indignação aos piores desmandos que vinham de Roma, mas sempre com a preocupação de levá-los a aceitar o Vaticano II e suas reformas. Hoje, infelizmente, parece que alguns tradicionalistas repetem o mesmo erro primário do autor do referido livro.

Em conclusão destas mal traçadas linhas e mantendo longe de mim qualquer espírito profético, desejaria dizer o que espero para 2015 na Igreja e no mundo.

Creio que o papa Francisco (se não for ele, será seu sucessor) levará  a cabo as reformas anunciadas no Sínodo Extraordinário sobre a Família, bem como outras reformas já programadas, em torno das quais já há muito rumor. Creio que os inimigos de Bergoglio serão esmagados ou silenciados. Não haverá nenhum novo monsenhor Lefebvre ou dom Mayer, como já se pôde ver em Ciudad del Leste.

No mundo, espero que a Rússia, apesar da enorme dificuldade econômica que enfrenta em razão do embargo imposto pelos EUA e a União Europeia, continuará sendo um grande obstáculo para a Nova Ordem Mundial. Felizmente. E poderá causar problemas ainda mais sérios para as democracias liberais. Deo gratias.

Cuba, com bastante mão de obra barata e mais qualificada, será um paraíso para o capitalismo internacional. Como a China. Certamente, vão instalar-se ali, junto do porto construído pelo Brasil e próximo dos EUA, muitas empresas que vão faturar grosso sem grande benefício para a população. Capitalismo sem ética e socialismo arcaico de mãos dadas, sob as bênçãos do papa Francisco e os aplausos de Washington.

E o Irã e Israel? E o Estado Islâmico e o talebam? O Irã, juntamente com a Rússia e a Venezuela, os maiores prejudicados da grande manipulação do mercado do petróleo, poderão reagir a sua maneira e dar uma lição aos EUA. E Israel poderá ter dolorosas consequências. E finalmente, por culpa da apostasia do Ocidente, os cristãos do Oriente vão continuar sendo degolados, trucidados por aquelas bestas-feras do Estado Islâmico. E o talebam certamente vai valer-se da negligência dos EUA para continuar seu trabalho de proselitismo.

Os anos vão se passando. A antiga cristandade continua dormindo nas trevas e na sombra da morte, renegando com obstinação suas tradições e valores. Entrementes, o castigo de Deus se vai preparando. O Islão, dentro de poucos anos, ocupará literalmente, com consequências incalculáveis, vastas regiões da Europa. Mas o homem que apostatou não se importa, só quer saber se hoje tem dinheiro e sexo.

Vinde, Nossa Senhora de Fátima, não tardeis! Vinde também, rei Dom Sebastião!

Anápolis, 30 de dezembro de 2014.

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Soneto a Nossa Senhora feito pelo demônio

Em 1823, dois sacerdotes dominicanos, Padres Bassiti e Pignataro, estavam exorcizando um menino possesso de 12 anos de idade, analfabeto. Para humilhar o demônio, obrigaram-no, em nome de Deus, a demonstrar a veracidade da Imaculada Conceição de Maria. Para surpresa dos sacerdotes, pela boca do menino possesso, o demônio compôs o seguinte soneto:

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“Sou verdadeira mãe de um Deus que é filho,

E sou sua filha, ainda ao ser-lhe mãe;

Ele de eterno existe e é meu filho,

E eu nasci no tempo e sou sua mãe.

Ele é meu Criador e é meu filho,

E eu sou sua criatura e sua mãe;

Foi divinal prodígio ser meu filho

Um Deus eterno e ter a mim por mãe.

O ser da mãe é quase o ser do filho,

Visto que o filho deu o ser à mãe

E foi a mãe que deu o ser ao filho;

Se, pois, do filho teve o ser a mãe,

Ou há de se dizer manchado o filho

Ou se dirá Imaculada a mãe.

Conta-se que o Papa Pio IX chorou, ao ler esse soneto que contém um profundíssimo argumento de razão em favor da Imaculada.

O dogma da Imaculada Conceição foi proclamado em 8 de dezembro de 1854.

Fonte: Aqui.

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Etiópia: bastião de cristandade.

Aviso a todos que o artigo a seguir não é sobre a Igreja Católica, mas sobre uma forma curiosa de cristianismo que se desenvolveu há quase um milênio e meio, com particularidades muito estranhas para nós, produzidas pelo isolamento geográfico, pelo contexto multicultural e por crenças particulares. É uma igreja propriamente dita, se o critério de igreja for o de Sucessão Apostólica, o que a diferencia da maioria das confissões protestantes, mas com costumes realmente estranhos, especialmente para nós, católicos do ocidente.

Etiópia, bastião de cristandade

etíopes ortodoxos

De todas as variegadas comunidades cristãs dispersas pelo mundo, a Igreja da Etiópia é uma das menos conhecidas. Da sua história, que é admirável ; da sua fé, que continua viva através de tantas provações; dos méritos da sua fidelidade – que sabem os outros batizados? Talvez por ter vivido num mundo fechado, isolada quer pela natureza quer por um cerco de vizinhos hostis, esta igreja só é geralmente apresentada sob os seus aspectos mais exteriores, como se os costumes estranhos e pitorescos bastassem para explicar o heroísmo de que deu mostras no decurso dos séculos. Porque a verdade é que a sua história se resume numa resistência constante e pertinaz a todos os conquistadores que tentaram submetê-la. Aconteceu que o seu território foi submergido por invasores, mas no final sempre acabou por reconquistar a liberdade, uma liberdade que teve por fundamento a fé. Não é apenas um mito a célebre lenda do “Reino do Preste João” que, na Idade Média, via a Etiópia como um bastião da fé, firme no meio dos poderes pagãos. Semelhante a essas camadas vulcânicas que dominam, vermelhas e negras, abruptas, os seus planaltos verdejantes a dois mil metros de altitude, a Etiópia cristã representou na História e ainda hoje conserva o significado de um batel batido pelas vagas, mas que resiste.

A antiguidade desta Igreja é indiscutível, mesmo sem considerar as tradições que remontam a sua evangelização aos Apóstolos, São Bartolomeu e São Mateus, ou a esse eunuco da rainha Candace de que se fala nos Atos dos Apóstolos (At, VIII, 27). Sabe-se pelo historiador Rufino que o cristianismo penetrou na Etiópia por volta do ano 340, graças à aventura dos jovens Frumêncio e Edésio, que, criados por piratas, fizeram carreira junto do rei etíope que os comprara, e se portaram como apóstolos zelosos. Foi Frumêncio quem se dirigiu a Alexandria para pedir ao patriarca Atanásio que enviasse um bispo para a Etiópia e ele mesmo foi escolhido para este posto. A segunda fase da evangelização teve lugar no final do século V, com a chegada de nove monges sírios, “os nove santos”, que concluíram o trabalho de atrair para a fé o rei e a corte.

Quer fosse por influência do Egito, quer pela desses monges – que se supôs, aliás sem precisão, terem sido uns exilados, expulsos da pátria por hereges -, o certo é que a Etiópia foi conquistada para a causa monofisista (os monofisistas eram partidários da natureza única de Cristo, derrotados nos Concílio de Calcedônia), na qual se manteve até hoje. Que significava, que significa esse monofisismo? Também neste caso, é difícil dizê-lo. Parece que a Igreja etíope não esteve muito a par dos debates que se deram à volta da questão cristológica, e que terá sobretudo seguido, nos começos do século VII, um bispo egípcio chamado Kerillos (Cirilo). Era partidária da “natureza única”, mas daquele modo especial que vimos nos coptas, ou seja, hostil ao mesmo tempo a Eutiques, o heresiarca; e ao Concílio de Calcedônia que o condenou, porém admiradora de Dióscoro e mais ainda de São Cirilo. A Etiópia passou, pois, da fé tradicional para o monofisismo sem dar por isso; foi só no século XV que tomou clara consciência de estar separada.

É por isso que os juízos acerca da teologia etíope são muito díspares. Os jesuítas dos séculos XVI e XVII não viam nela grande coisa a corrigir. O capuchinho Massaia (1809-1889), que passou na Etiópia trinta e cinco anos e acabou a vida como Cardeal da Igreja romana, pensava que só havia um erro de vocabulário, porque os conceitos de natureza e de pessoa eram pouco claros para os etíopes. O que parece é que atualmente o monofisismo consciente e deliberado só se encontra em certas comunidades monásticas. Na prática, a fé popular admite a natureza humana de Cristo mais ou menos como os católicos e os ortodoxos. Assim se explica que a Igreja católica da Etiópia tenha adotado a maior parte das preces litúrgicas da Igreja nacional, sem alterar nada de importante.

Não quer isto dizer que a Igreja etíope se incline a fundir-se com uma ou outra das duas maiores Igrejas da cristandade. Houve um tempo em que esteve quase a efetuar-se a fusão com os católicos. Foi no século XVII, quando o extraordinário padre Paez, jesuíta espanhol, conseguiu “ganhar” o imperador Susênio Seltan Sadag, que por sua vez pretendeu converter o seu povo à força, o que provocou autênticas guerras de religião. O sucessor de Paez, o padre mendes, pela sua falta de habilidade e brutalidades, apressou a catástrofe e enterrou definitivamente essas esperanças. Dessa aventura restaram somente as ruínas da catedral erguida por Paez em Gorgora, nas margens do lago Tana, e uma extrema desconfiança para com o catolicismo, que só há pouco começou a desfazer-se.

Quanto à Igreja ortodoxa, que fez sérios esforços durante todo o último quartel do século XIX para pôr monges gregos e russos a trabalhar a Etiópia, não alcançou melhores resultados. Houve vários momentos em que se acreditou que a união estava prestes a concluir-se. Mas o Imperador Menelik, considerado como a própria encarnação da pátria etíope depois da sua brilhante vitória de Aduá sobre os italianos, compreendeu que, se a sua Igreja se vinculasse a Constantinopla ou a Moscou, perderia a independência e as suas características originais – e recusou-se a assinar qualquer compromisso formal.

Não foi menos rigorosa a resistência etíope à pressão islâmica. O incremento do poder do Egito contribuiu para reagrupar à volta do trono as forças vivas da nação. Os imperadores portaram-se como defensores da fé, não menos do que como soberanos políticos. Aos ataques dos vizinhos do Norte – um deles semeou o pânico até Gondar -, Teodoro II ripostou, não apenas pelas armas, mas por medidas de natureza religiosa, obrigando os muçulmanos a converter-se ao cristianismo (a liberdade de culto só lhes seria restituída em 1899). Em 1916, a situação esteve a ponto de reverter-se: o negus Lidi Yassu abraçou o islamismo, declarou-se descendente do Profeta, repudiou a sua mulher – cristã -, formou um harém, ordenou a construção de mesquitas e pôs o seu império na dependência religiosa da Turquia. Mas os cristãos salvaram a sua fé. Enquanto a igreja excomungava o soberano apóstata, as tribos do Choa marchavam sobre Adis-Abeba. A filha de Menelik foi proclamada imperatriz, com o Ras (príncipe) Tafari Makonnen (ou Ras Tafari), junto dela como regente e herdeiro. Foi este que, subindo ao trono em 1930, veio a tomar o nome da Santíssima Trindade: Hailê Selassiê. A Etiópia cristã tinha triunfado mais uma vez.

Igreja de pedra em Lalibela, Etiópia.

Igreja de pedra em Lalibela, Etiópia.

Também ganhou a partida num outro plano. Desde tempos imemoriais, talvez desde Frumêncio, designado por Santo Atanásio como chefe da igreja etíope, o Abuná (arcebispo-maior) era escolhido pelo patriarca copta de Alexandria entre os monges egípcios dos conventos do Mar Vermelho. A Etiópia estava, portanto, na situação bizarra de ter por bispo um estrangeiro que, muitas vezes, não conhecia nem o ge’ez, língua litúrgica, nem o amárico, língua popular. A seguir à Primeira Guerra Mundial, em que a Etiópia entrou mais em contato com o mundo exterior – teve um representante na Sociedade das Nações -, desenvolveu-se uma forte tendência para pôr termo a essa situação. Em 1929, o patriarca viu-se compelido a sagrar quatro bispos autóctones, e em seguida a designar entre os monges etíopes o seu chefe, o Echeghiê, superior do grande convento de Debra-Libanos (uma espécie de abade-geral). A invasão italiana acelerou a evolução. Depois de terem tentado em vão trazer para a sua causa o Abuná, que se refugiou no Cairo, os ocupantes suscitaram um movimento separatista, com a ajuda do Echeghiê, que conseguiu ser proclamado Abuná e sagrou bispos “colaboradores”. Um sínodo reunido no Cairo excomungou-os. Mas depois da derrota dos italianos, em 1941, nunca mais se pensou em voltar a colocar a Igreja nacional sob tutela egípcia. O próprio negus (Imperador) Hailê Salessiê dirigiu as negociações, que duraram dez anos. Firmou-se um primeiro acordo em 1948, e nele se previa que, pela morte do Abuná, o seu sucessor seria etíope, enquanto não chegasse esse momento, teria um coadjutor também etíope. Em 1951, foi proclamada a completa independência religiosa, ficando para o patriarca copta do Cairo apenas uma primazia moral e espiritual.

Assim, a Igreja etíope faz rigorosamente um só corpo com a nação, o que lembra, de certa maneira, a situação que existia na antiga Bizâncio. Se o Negus, tal como o Basileu, é uma personagem sagrada, o chefe da Igreja, com direito a honras de caráter religioso, e tem de se comportar em todas as circunstâncias como protetor da Igreja, o Abuná é um senhor dotado de poder incontestável, ao qual os poderes leigos não tentam opor-se. É ele quem sagra o imperador, designa os bispos e goza do direito de absolver e excomungar. Por longos tempos, nenhum Conselho lhe limitava o poder; desde 1948, é assistido por um Sínodo, mas este está bem longe de desempenhar o papel dos Conselhos na Igreja copta do Egito. O único rival sério que o Abuná pode ter – pois não tem o direito de ensinar a religião – é o Echeghiê, que encarna a tradição espiritual e cujo prestígio é grande. Mas, embora por vezes haja tensões internas, o conjunto do clero exerce em uníssono sobre o povo uma tutela facilmente qualificável de medieval.

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Isto porque o povo etíope conserva, na sua maioria, uma inabalável fidelidade à fé. Se, na ausência de recenseamentos confiáveis, é difícil avaliar com precisão o rebanho cristão – os números variam entre 4 e 7 milhões -, a verdade é que todos os viajantes que falam da Etiópia são unânimes em referir inúmeras provas de que a fé não parece ter sido atingida pela moderna laicização. Nossa Senhora é venerada como no mais fervoroso dos países católicos. É frequente ver na testa de um crente a tatuagem em forma de cruz outrora imposta por Zara Yacob e que serve para proclamar a fidelidade. As festas religiosas são tão numerosas – mais uma característica medieval – que é impossível passar oito dias na Etiópia sem assistir a uma ou a outra. Aos sábados e domingos, vêem-se afluir às igrejas coortes imensas de fiéis, quase todos vestidos de uma espécie de alba, o shemma. Nenhum etíope passa em frente de uma igreja ou oratório sem fazer uma reverência. Este povo, que praticamente não recebeu nenhuma instrução durante muito tempo, nem por isso deixa de conservar a memória do seu passado cristão. E rodeia de veneração os grandes centros sagrados: Axum, um antigo reino de Tigre, aonde o imperador continua a ir para a sagração; Lalibela, que conserva o nome de um santo rei e é um prodigioso conjunto de capelas escavadas na rocha, esconderijo sagrado cheio de corredores labirínticos, que milhares de peregrinos continuam a visitar; e ainda os conventos veneráveis, uns empoleirados no cume de alguma montanha quase inacessível, outros ciosamente isolados do mundo pelas águas do lago Tana.

Este cristianismo etíope apresenta muitos traços capazes de desconcertar um observador apressado. É extremamente austero, formalista em extremo, rigoroso em impor a mais longa Quaresma que se conhece – cinquenta e cinco dias – e o jejum das terças e sextas-feiras, pelo menos até ao meio-dia, quando não até às três da tarde. Exige também orações, prosternações, cujo número e profunda inclinação recordam as da Igreja grega. Ao mesmo tempo, contudo, não parece grandemente severo quanto à vida moral, em especial quanto à sensualidade. Aliás, abandonou-se a prática da confissão, exceto em artigo de morte, caso em que se sobrepõe a uma extrema-unção que é também uma confirmação.

Um dos traços mais surpreendentes deste cristianismo é que está impregnado de espírito bíblico, de uma extraordinária adesão ao Antigo Testamento, sobretudo aos salmos. Não é em vão que a dinastia real etíope reivindica entre os seus antepassados Salomão e a rainha de Sabá: o primeiro rei da Etiópia teria sido filho de ambos, concebido na célebre visita; como não é em vão que o Negus tem nas suas armas o leão de Judá. Os usos mosaicos que vimos terem sido conservados entre os coptas do Egito são ainda mais bem observados na Etiópia, designadamente a circuncisão, que é praticada antes do Batismo. Mantém-se o costume de oferecer ao “Senhor do Universo” as primícias de todos os produtos da terra. Durante muito tempo celebrou-se o sábado tanto como o domingo. Não se come carne de animais sem primeiro os sangrar. Os casamentos desenrolam-se de acordo com o cerimonial bíblico: os “amigos do esposo” escoltam o novo casal e o banquete copia as Bodas de Caná. O irmão continua a dever casar-se com a viúva do primogênito falecido, se ela o pedir, a fim de lhe dar posteridade, segundo o famoso preceito do Levirato. Acrescente-se ainda que, dos preceitos bíblicos sobre a hospitalidade devida aos estrangeiros, sobre a generosidade para com os pobres, os etíopes extraem uma bondade e uma caridade bem reais *.

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A arquitetura, a arte e a liturgia contribuem também para dar ao cristianismo etíope características sem par e um tanto insólitas. Também aqui, numerosos usos herdados de práticas pagãs de há vários milênios, vindas do Egito dos Faraós, ou mesmo do velho fundo autóctone. O costume de celebrar São Miguel, São Jorge, a Natividade e a Assunção uma vez por mês é um resultado evidente de um velho calendário lunar em que cada fase era celebrada religiosamente. O gaês (ge’ez), língua litúrgica, é a do Tigre, e a sua origem é pré-histórica. Quanto ao manuseio do sistro na dança sagrada, é exatamente igual ao que se vê nos afrescos de Tebas ou do Vale dos Reis.

As danças sagradas, a estridência dos sistros, o tilintar das campainhas presas aos incensórios, o lento rolar dos tambores enormes, ou o kabeno – canto alternado, em três modos -, as prosternações de toda a assistência, os convites feitos por diáconos e sub-diáconos… A liturgia eucarística desenrola-se no meio de um aparato de brocados roçagantes, à luz de círios inumeráveis, entre fumaças de incenso, sob o olhar das figuras de santos pintadas nas paredes, de grandes dimensões e cores vivas, e cujos olhos imensos nos rostos estilizados parecem contemplar o Invisível.

Geralmente rodeadas de belas árvores, as igrejas são de forma redonda ou octogonal; as retangulares, mais frequentes no Norte, denotam influência estrangeira. Algumas são rupestres, como a de Dongollo (no Tigre). E todas se dividem em três partes, uma delas reservada ao imperador e ao clero, a segunda aos cantores-bailadores, a terceira aos fiéis que comungam (os outros ficam do lado de fora). O santuário propriamente dito, de forma antiga, diz-se que recorda a Arca da Aliança (aliás, o abuna Paulos, em 2009, garantiu em entrevista ter visto a arca da Aliança, que estaria na Etiópia, mas o mesmo não revelou onde…).

São muitas as cerimônias que se efetuam ao ar livre, segundo usos próprios da Igreja etíope: por exemplo, no dia da Epifania, toda a assistência mergulha na água, com o clero à frente, em memória do batismo de Cristo. A festa da Exaltação da Santa Cruz é mais importante do que a do Natal e a da Páscoa. Dá ocasião a uma explosão de alegria popular: é o Masqal, a velha festa da vegetação renascente, convertida em festa de devoção à Santa Cruz, à qual o imperador não pode deixar de presidir em pessoa, rodeado de todo o clero sem exceção, coberto de capas rutilantes ou de longas vestes brancas com largas faixas de cor à altura dos joelhos. A multidão é encimada por um incrível eriçar de umbrelas (guarda-sóis) de cores berrantes e de cruzes processionais de ouro ou de prata, cujos largos braços têm artísticos ornamentos entrelaçados. Por um bom tempo ouvem-se ressoar cânticos quase dolorosos, cadenciados por “Ale-ale-ale-luia!” E tudo se conclui com um gigantesco desfile atrás dos tabots, as placas de madeira dura ungidas para servir de altares, que só os padres têm o direito de tocar; devem ser revestidas de pesadas sedas cor-de-rosa, verdes ou violetas. Depois, quando cai a noite, acendem-se fogueiras de alegria, em torno das quais a mocidade dançará até a madrugada. E no cimo de todos os montes que rodeiam a capital brilham também milhares de fogueiras…

Para conduzir tão vasta comunidade de fiéis, há um clero abundante. Para falar a verdade, vários milhares de padres só o são de nome, ou não participam senão de algumas festas solenes. Durante muito tempo, não foi necessário qualquer título, ou mesmo qualquer instrução, para ser padre. Bastava ir ter em grupo desordenado com o Abuná, pagar as taxas previstas – outrora em barras de sal -, receber as ordens, também coletivamente, e depois descobrir uma aldeia que aceitasse os serviços do novo padre… Mas, além desses “clérigos eclesiásticos”, houve também desde muito cedo “clérigos leigos”, os dobteras, muito mais bem formados e até, com frequência, estudantes universitários e alunos mais adiantados das escolas secundárias, se não mesmo professores. E são esses que, na qualidade de diáconos, instruem o povo durante as cerimônias, e que constituem a corporação dos chantres bailadores e poetas, indispensáveis em qualquer ofício litúrgico de alguma importância. E têm um desprezo proverbial pelos clérigos eclesiásticos.

De qualquer modo, o elemento mais vivo e igualmente mais sólido é formado pelos monges, tal como entre os ortodoxos. O monaquismo parece ser aqui tão antigo como o próprio cristianismo. Foi o Egito, terra clássica dos santos eremitas, que o implantou no país. Os grandes conventos tiveram um papel importante na história nacional: foram verdadeiros bastiões da fé, e ainda hoje continuam a ser centros de vida intelectual e espiritual. O mais célebre, que é o de Debré Libanos, no Choa, fundado no século XIII pelo reformador Tekle Haymanot, preside à Ordem fundada pelo santo, e é o seu abade quem exerce as funções de Echeghiê, chefe reconhecido do monaquismo etíope. Outros conventos seguem a tradição dita de Eustácio e não têm hierarquia.

Monge etíope

Monge etíope

Existem hoje uns doze conventos de homens e seis de mulheres, com uma população monástica abundante. E a vida neles é de renúncia. Apesar das invasões muçulmanas que devastaram o país, todos eles conservam tesouros tidos por fabulosos, antigos manuscritos que mal se começa a catalogar, ornados de miniaturas de estilo ao mesmo tempo hierático e bárbaro. Foi nos conventos que se deu, de há alguns anos para cá, uma renovação dos estudos teológicos e bíblicos, em ligação com os coptas do Egito e, mais recentemente, com os patriarcados ortodoxos de Constantinopla e de Alexandria, e até com certas confissões protestantes.

O envio de jovens para as universidades e seminários do Egito, da Grécia, de Istambul, representa para a Igreja etíope uma hipótese de futuro. O desenvolvimento de uma comunidade católica etíope, ajudado pela federação da Eritréia com a Etiópia após a Segunda Guerra Mundial, e que se traduz pela abertura de um seminário, de um mosteiro cisterciense, de escolas religiosas mantidas sobretudo por ursulinas, e, pela criação na própria Roma, em 1919, do Colégio Pontifício Etíope, não deixa de provocar alguma emulação.

(…)

Bibliografia: ROPS, Daniel. A Igreja das Revoluções (III) – Esses nossos irmãos, os cristãos. Décimo Tomo da História da Igreja de Cristo.

Nota pessoal: no que diz respeito a um possível relacionamento entre o rei Salomão e a rainha de Sabá, não há nenhum tipo de referência bíblica ou documental, mas é antes uma tradição etíope. Outra curiosidade: existe uma etnia etíope chamada falasha que declara-se judaica desde os tempos de Salomão, e que teria se mantido judaica quando o resto do país, por volta do século IV, teria aderido ao cristianismo. Não há como saber ao certo, nem com certeza. Mas não deixa de ser muito curiosa a acentuada nota judaizante no cristianismo copta, e ainda mais do que nele, no cristianismo etíope “tewahedo”. Quanto a esses auto-intitulados judeus, foram reconhecidos como tais por rabinos antes da criação do novo estado de Israel, que os reconhece, e em várias ocasiões criou “operações de resgate”, levando para Tel Aviv milhares de falashas, judeus negros que por muito tempo ficavam espantados ao ver judeus brancos.

Atualmente essa igreja é chamada oficialmente de Igreja ortodoxa etíope “tewahedo” (que significa “unificado”, baseado na crença iniciada no monofisismo de que Cristo teria só uma natureza, ao contrário da União Hipostática da Igreja Católica e das igrejas ortodoxas, que admite que em Cristo há duas naturezas – a humana e a divina – que não estão separadas, mas não estão misturadas). Eles se consideram miafisitas, ou seja, crêem que em Cristo uma “natureza unida”.

Abaixo, um vídeo que pode se regulado para legendas em português

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Os pássaros, pelo menos, são irracionais

Abram os olhos! Não sejam idiotas-uteis!

Pacientes na tribulação

No vídeo abaixo, vemos um pássaro pequeno alimentando outro grande, muito maior do que ele. Fato bastante estranho, pois era de se esperar que os adultos alimentassem os filhotes de sua espécie.

Qual a explicação para este fato?

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Não esqueçamos dos fiéis que padecem no Purgatório!

Pope Pius XII (39)

Para recordar:

O que é o Purgatório.

O que são os Sufrágios, e em que consiste o Ato Heróico pelas almas do Purgatório.

Caso alguém queira assistir uma Missa Solene de Requiem pelas almas do Purgatório, em que o Requiem de Mozart é interpretado, veja o link aqui.

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Primeiro diácono da União Sacerdotal D. Marcel Lefebvre

Aconteceu no dia 26 de outubro a ordenação diaconal do irmão Andrés, OSB. De origem guatemalteca, é monge do Mosteiro de Santa Cruz de Nova Friburgo (estado do Rio de Janeiro/Brasil). Ordenado naturalmente por D. Williamson…

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Como católicos, naturalmente constatamos com pesar que, dada a extrema necessidade de sacerdotes para renovar o Santo Sacrifício da Missa, levar aos fiéis os sacramentos e sobretudo socorrer as pequenas e numerosas comunidades católicas que ultimamente têm se expandido do Sul e sudoeste baiano ao Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás, faz-se necessário que venham mais operários para salvar da indigência as almas dos fiéis.

É triste que não seja através de um seminário, mas que o candidato ao sacerdócio tenha que completar sua inteira formação no mosteiro… Embora os mosteiros beneditinos geralmente sejam marcados pela auto-suficiência, e seus monges que aspirem ao sacerdócio recebam sua formação completa sem a necessidade de sair para o claustro, por hora é o que temos. E agradeçamos a Deus por esta graça imerecida! Tenho certeza que o Mosteiro de Santa Cruz deu ao neo-diácono a formação suficiente para que o mesmo não seja um padre em nada inferior a qualquer outro.

Um bispo sagrado legitimamente, e que ordena ao diaconato segundo a Fé da Igreja de todos os tempos, seguindo a intenção da Igreja, e um monge que vive em um mosteiro que se empenha em seguir os mandamentos da lei de Deus, da Igreja e da regra de São Bento como sempre foram ensinadas… Em tempos onde o atual pontífice despreza frontalmente toda a Fé Cristã e persegue de maneira obstinada e clara até mesmo os restos de catolicismo de seus seguidores… Ora, foi uma pena que o irmão Andrés não tivesse sido ordenado ANTES.

A ordenação se deu no convento das irmãs rosarianas, no instituto Nossa Senhora do Rosário (Anápolis/GO), voltado para a educação de meninas.

As fotos que encontrei, retirei-as dos blogs Capela Nossa Senhora das Alegrias e Non Possumus.

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D. Tomás de Aquino, OSB, prior do mosteiro de Santa Cruz, o diácono D. André, padre Jean Michel Faure e irmãs da Congregação das Escravas de Maria Rainha da Paz (Campo Grande/MS).

D. Tomás de Aquino, OSB, prior do mosteiro de Santa Cruz, o diácono D. André, padre Jean Michel Faure e irmãs da Congregação das Escravas de Maria Rainha da Paz (Campo Grande/MS).

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A decepção de Rui Barbosa

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Idolatria?

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Há algumas semanas li uma matéria sobre mais uma profanação contra uma igreja católica em Minas Gerais. E recordei-me que, ultimamente, episódios de invasão de igrejas e depredações – em particular contra as imagens sagradas – têm sido cada vez mais comuns neste país.

Então li a nota da diocese a respeito do ocorrido. Não vou me adentrar em detalhes, não é o propósito deste artigo, mas posso resumir em quatro pontos o que dizia ali:

1 – solidariedade aos católicos ofendidos;

2 – Indignação contra os autores do crime;

3 – Apelos aos órgãos competentes que investiguem os infratores pelo vandalismo causado;

4 – Reiterar que a política de boa vizinhança com o “politicamente correto” e com o reconhecimento  das falsas religiões não foi abalado.

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Quando li a nota, que certamente foi considerada satisfatória para quase todos os que a ela tiveram acesso (visto que hoje em dia o afã em mostrar uma igreja jovial e não-ranzinza faz com que episódios lamentáveis como esse geralmente sejam minimizados pelo próprio clero, ou ignorados), num momento inicial pensei ter sentido um certo alívio. Mas durante a leitura da nota, me escandalizei com a indigência de atitude dos ditos católicos de nossos tempos, simbolizada no que ali estava escrito.

De maneira que o escândalo maior não foi a profanação ocorrida.

O verdadeiro escândalo foi contra o conteúdo  da nota emitida.

Parece exagero. Sei que aparentemente uma nota de protesto não deveria causar escândalo a mim, que apoia exatamente uma postura forte do clero e dos fiéis contra este tipo de ocorrência.

Pois então, permitam-me explicar o raciocínio. Mas antes, deixem-me divagar um pouco, visto que ser prolixo é meu defeito incorrigível:

Há anos atrás, em um sebo, terminei adquirindo um livro chamado “Conversões ao Catolicismo”. Livro antigo, com vários testemunhos escritos a próprio punho por convertidos de diversas partes do mundo, de várias origens, etnias e profissões. Dentre todos os maravilhosos e racionais relatos que li, estava entre eles o relato do célebre convertido inglês Chesterton.  Recomendo a todos, inclusive já o publiquei neste blog, já tratei do tema em vários lugares, e algumas coisas de seu raciocínio ainda hoje me acompanham. Não sou um devorador dos livros de Chesterton – mea culpa – mas o seu relato de conversão é causa para refletir longamente sobre o que é enxergar o mundo aos olhos da fé.

Em um dos trechos de seu testemunho, Chesterton sabiamente diz que o homem que se torna católico simultaneamente passa a ter uma idade “de três milênios” (os três milênios são uma adaptação minha!), e passa a considerar as coisas através do significado profundo das mesmas, e não segundo “as últimas notícias dos jornais”, ou seja: um católico enxerga o processo, o contexto, a conjuntura e o histórico das coisas, e não se limita ao superficialmente recente.

Em outra parte de seu relato, ele exemplifica, citando por exemplo uma catedral. Diz algo neste sentido: para um historiador de arte desprovido de Fé Católica (ou com uma fé rotineira, meramente cumpridora de formalidades), diante desta catedral,  se preocuparia em pormenorizar o valor artístico do ambiente: o que contêm e o que falta, o que é original e o que veio depois. Enxergaria pelo olhar da técnica, da arte, da arquitetura. Quiçá arriscaria explicar os sentimentos e as idéias que povoaram a mente dos artistas que ali trabalharam… Já um homem, que antes de historiador fosse católico, examinaria a mesma coisa, só que antes disso, procuraria na catedral tudo o que nela se encontrasse disposta de maneira que o local reunisse tudo o que é necessário para servir verdadeiramente como uma catedral CATÓLICA! Ele enxergaria com ainda maior abrangência, pois conseguiria enxergar tudo ao seu redor como se fosse um grande livro.

Eu refleti sobre a questão, e realmente tentei enxergar pelos olhos da religião. Uma catedral é construída de maneira a receber a luz do sol que nasce no oriente, símbolo da Salvação que para nós é Nosso Senhor Jesus Cristo, que veio do Leste. Seu altar-mor e os demais altares, ao mesmo tempo em que são preciosidades, são o mesmo Monte Calvário que está na Palestina, só que num sentido místico. Ali as missas não são meras cerimônias, mas vemos a mesma imolação de Cristo no Calvário; o que acontece ali não é uma encenação ou um outro sacrifício: é o mesmo e único Sacrifício de Cristo naquela cruz sob o Gólgota acontecendo diante de nossos olhos, um acontecimento atemporal que está fora dos conceitos de presente, passado e futuro, e que está sendo atualizado diante de nós. Só há um Sacrifício que se renova naquele lugar, não importa em quantos altares! Nestes altares estariam as relíquias obrigatórias? – perguntar-se-ia o católico que examinasse a catedral – Sim, porque o altar é o Calvário, mas também é um túmulo! O Santo Sacrifício sempre foi renovado sobre os jazigos dos mártires das catacumbas. A Igreja, para honrar os que morreram por amor e fidelidade a Cristo, sempre exigiu que se colocassem relíquias de mártires nos altares, para cumprir o que dizem os salmos: “preciosa na presença do Senhor é a morte de seus santos”. Na catedral, os vitrais filtram a luz do Sol, de forma que tudo se encha de luz e o homem possa ver o Astro-Rei sem ficar cego. E a mesma luz do sol que chega até nós através dos vitrais é decomposta nas cores mais diversas, a unidade da luz solar na diversidade das cores da mesma luz! O católico enxerga no vitral os santos que nos permitem ter uma noção prática da infinita bondade de Deus, pois se O olhássemos diretamente, morreríamos. Moisés cobriu a face diante da manifestação de Deus, pela sarça ardente. Olhando para Cristo, vemos Deus! Olhando para as virtudes dos santos, temos uma parca noção das Virtudes (com V maiúsculo) reunidas em Cristo. Cada santo reflete de maneira relativa uma qualidade que Deus reune de maneira absoluta. Pela maneira heróica com que cada santo consegue refletir alguma determinada qualidade, podemos enxergar claramente que o Autor por trás do santo reflete de maneira absoluta aquela qualidade que para nós é tão sensacional, mas que é ao mesmo tempo relativa! Assim como Cristo amou a todos, mas chamou uns a segui-los como discípulos, e dentre eles, doze apóstolos em particular, para que aprendessem mais profundamente a Sua Doutrina, afim de transmitirem Sua Tradição e conduzirem os demais, na Catedral há a divisória física entre o presbitério, onde ficam os que governam, ensinam, transmitem, confirmam, e a nave, onde ficam os discípulos, as ovelhas, os que recebem o que sempre foi transmitido desde o tempo em que Nosso Senhor esteve aqui e pregou a Verdade… Para enumerar cada espaço de uma catedral, haveria muito mais coisas, muitos outros detalhes e muitas lições a se tratar. Paro aqui.

Em suma: existe uma forma católica de se enxergar as coisas. Uma forma que vai muito além do que uma catedral materialmente contêm. Existe esta forma, e existe a visão mundana de enxergar as coisas. Visão que na verdade é cegueira. E cegueira que hoje ataca a maioria dos cristãos, culpados ou não.

Cegueira que não poupou nem o bispo da diocese onde a profanação ocorreu. E se atinge o clero, ainda pior se encontra o povo.

Infelizmente, esta violação de igrejas tem sido uma constante, e a reação dos católicos tem sido geralmente pífia.

Mas quando escrevo estas linhas, não julguem que me sejam motivo de vanglória, como se fosse alguma prerrogativa que eu supostamente tenha e que falte nos outros. Enxergar as coisas não é qualidade, é apenas o exercício de abrir os olhos. Logo, não há mérito nenhum no que digo. Mérito só se conquista com esforço, com trabalho e com a ajuda de Deus. Mas falar, como estou fazendo aqui, qualquer um poderia. Falar é sempre fácil. Voltemos ao tema.

Como infelizmente nestas últimas décadas, passou a ser de praxe no clero e na Hierarquia do Brasil o falar muito e não dizer nada, o que me deixou estarrecido com a nota foi, antes de qualquer coisa:

NENHUMA LETRA acerca da realidade sobrenatural!!!! Perceberam? Em todo o texto, não se falou em um momento a palavra DEUS. Não se falou a palavra PECADO, não se falou em desagravo, não se falou em expiação! Nenhuma palavra sobre o VERDADEIRO OFENDIDO: DEUS. Nenhuma palavra sobre o que ocorreu verdadeiramente: ódio à Fé, desprezo às coisas de Deus, profanação de lugar consagrado ao culto a Deus, ultraje aos santos…

Onde Deus entrou nesta nota? Foi uma declaração naturalista, como se tudo não passasse de uma depredação de um lugar qualquer.

Como se Ele não contasse, ou como se não existisse…

A primeira linha foi reservada aos “sentimentos” dos católicos.

Ooh, coitadinhos…

Querem saber? Aos esgotos o mi-mi-mi dos católicos! Eu ou você que lê estas linhas, ou quem quer que seja: o que são nossas indignações diante da monstruosidade ali ocorrida?

Não se trata de levarmos para o lado sentimental: foi um ataque contra Deus e contra a Sua Igreja, o que sentimos é irrelevante: a reparação contra o pecado, o restabelecimento da Justiça para desagravar a Deus, isso sim deve ser buscado com presteza!

Qualquer um sabe que Deus não precisa de templos materiais para “se sentir em casa”. Deus não está “preso” entre as paredes das igrejas. Só que a finalidade da construção de um templo religioso católico é a de separar um local PÚBLICO onde os homens possam se dirigir à vista de todos para dar a Deus os louvores e graças que são direito dEle. Onde o povo reunido possa implorar Sua Misericórdia, aprender Sua Doutrina, confessar seus pecados, unir-se de coração ao Sacrifício do Calvário, amá-Lo, e devolver-Lhe da forma mais sincera possível todo o Bem que Ele tão dedicadamente e com  tanta ternura nos dirige… As igrejas são edifícios reservados para o culto PÚBLICO. Pois então: o recinto é SEPARADO de construções comuns, é eivado de significado, deve ser adornado com o que há de melhor, visto que não é para nós, mas é para o Culto a Deus, é benzido, é consagrado inteiramente, é exorcizado e tudo em seu interior deve falar de Deus, e deve ser centralizado em torno dEle.

Por ser nos altares das Igrejas o lugar onde se renova o Santo Sacrifício, é o que difere nossos templos de meras sinagogas.

Portanto, profanar uma igreja por própria culpa é atentar diretamente contra Deus. É humilhá-Lo publicamente diante dos homens. As coisas devem ser chamadas por seu nome: não é vandalismo, é profanação movida por fanatismo, que por sua vez é derivado da rebelião das consciências contra a Doutrina Cristã, visto não admitirem que a única verdade é que só há um Deus e uma Igreja, a Católica Apostólica Romana, transmissora da Verdade, ainda que assolada o tempo inteiro contra inimigos internos e externos que não cessam de feri-la.

De forma que, até mesmo os que alegam ter ódio ao catolicismo e não a Deus, terminam, exatamente por desprezar a Verdade e cometer tais atrocidades atiçados pelo fanatismo, demonstrando que odeiam a Ele em virtude disso, visto que se O amassem, não fariam ouvidos moucos acerca de sua Doutrina.

A razão destas impiedades é atiçada em grande parte por desprezo ao que chamam de “idolatria aos santos”, o que só depõe contra os próprios hereges. Não são apenas fanáticos, mas agem como boas cavalgaduras.

Antes de tudo porque, quando nenhuma seita suburbana sequer sonhava em nascer, as Sagradas Escrituras já haviam sido reunidas pela própria Igreja, cuja existência ANTECEDE a maioria dos textos, pois quando os mesmos passaram a contar a vida de Nosso Senhor nos Evangelhos, isso se deu depois de sua Morte e Ressurreição, e não DURANTE seu Ministério. Nosso Senhor não andava com secretários, com notários que passassem o dia a persegui-Lo com um bloco na mão, anotando seus diálogos e seus feitos. Isso foi feito DEPOIS, a Igreja passou ao governo dos Apóstolos depois da Ascensão, e uma vez constituída, vieram as Cartas ou Epístolas, os atos dos Apóstolos, o Apocalipse de São João etc. Então a Igreja reuniu os textos sagrados e separou-os dos demais escritos não inspirados, tanto os do Antigo quanto os do Novo Testamento, mas isso se deu no ambiente eclesial, mesmo porque todo o Novo Testamento foi escrito depois da fundação da Igreja…

Só que os hereges, ignorantes que são, perversos que são, não consideram estas coisas: utilizam a Bíblia de maneira mágica, pregando que é FUNDAMENTAL que todos a leiam, (como se o fenômeno de alfabetização das massas fosse algo sempre existente… Se a salvação depende tanto da leitura individual, o que foi feito das almas da quase totalidade dos homens em dois milênios de analfabetismo generalizado?) quando na mesma Bíblia, vemos que a ênfase de Nosso Senhor foi ordenar de modo particular aos seus Apóstolos e de modo geral aos demais discípulos que fossem por todo mundo pregar o Evangelho “a toda criatura”. Mandou pregar, e não copiar ou imprimir. Transmitir por palavra ou como fizeram posteriormente os apóstolos, por epístolas ou cartas dirigidas às comunidades cristãs ou igrejas particulares com “i” minúsculo (visto que eram partes, e não o todo), e não que se distribuíssem Bíblias para que cada um se julgasse pretensamente iluminado, interpretasse individualmente, de maneira egoísta e isolada, sem precisar de ninguém, bastando-se a si e ao Espírito Santo. Criaram a doutrina da Sola Scriptura, mas se inquiridos onde está escrito na própria Bíblia a passagem onde a mesma se auto-define como a depositária única de toda a Verdade Cristã, não poderão responder, pois é uma doutrina falsa inventada por eles. A Bíblia é toda verdadeira, mas a Tradição oral da Doutrina Cristã passada por pregação desde Cristo aos Apóstolos e por conseguinte aos seus sucessores, assim como o Magistério da Igreja são igualmente fontes da Verdade revelada, coisa que eles desprezam em detrimento da anti-bíblica doutrina da Sola Scriptura luterana. Usam pretensamente os “serviços” do Espírito Santo, como se o mesmo fosse um lacaio a serviço da sentença de cada desmiolado que abre a Bíblia, lê e julga correta a interpretação que acabou de formular. Se existem trinta mil seitas protestantes, existem trinta mil fundadores que pretensamente se serviram do Espírito Santo através da leitura bíblica para descobrir a vontade divina. E cada um ensina coisa diferente do outro… E cada um se julga correto, graças à certeza baseada na Sola Scriptura… E é exatamente por cometerem, do alto de seus orgulhos, a petulância de se arvorarem em juízes dos outros (ao invés de aproveitarem a Bíblia para examinarem seus interiores e emendarem-se), que em meio de suas interpretações piratas, feitas totalmente de maneira alheia ao que sempre foi acreditado, e por julgarem seus pareceres pessoais superiores ao que a Igreja sempre ensinou, desprezando o fato de que, por dois mil anos a mesma Igreja tenha fielmente compilado a Sagrada Escritura – o que a própria arqueologia confirmou através dos manuscritos do Mar Morto (para decepção de tantos hereges e ímpios que apostavam nas “falsificações” católicas) – a mesma Igreja que conhecia e transmitia as Escrituras mil e quinhentos anos antes que o primeiro protestante surgisse e decretasse que a verdade era a da interpretação pessoal entendida por ele – ou seja: por essa lógica de que a Sola Scriptura é o meio de entender a vontade divina, consequentemente obriga-nos a concluir que a assistência do Espírito Santo dada à Igreja que Cristo nos garantiu, teria sido interrompida por dezesseis séculos (visto que até Lutero, a Igreja jamais ensinou tal coisa). Logo, visto que só depois de Lutero a verdade de Deus passou a ser acessível  baseada na Escritura E NADA MAIS QUE ISSO (Sola Scriptura), então, Cristo mentiu ou se esqueceu de sua promessa até o advento do luternaismo!

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E é neste modismo de abrir as Escrituras e pregar que a interpretação pessoal do leitor é a correta, que algum néscio, num dado momento, baseado do alto de sua fanfarronice, ao ler os episódios de idolatria mencionados no Antigo Testamento, “descobre a roda”, ou seja: descobre que as imagens das igrejas são equivalentes às idolatrias dos pagãos mencionadas no Antigo Testamento!

A estupidez de quem concluiu tal raciocínio  só se compara à sua pretensão intelectual: Pois então seria ele a primeira pessoa em mil e quinhentos anos a ler na Bíblia que Deus proíbe a idolatria? Francamente…

Mas, oras! Não é o que a maioria dos protestantes e protestantizantes dizem? É o que repetem à exaustão: que cometemos o erro grosseiro de adorar ídolos, por sermos cegos ou ignorantes demais para entender o que está na Bíblia. Ou seja: subestimam a nossa inteligência ou nos julgam perversos.

Mas esse parecer é antes um movimento da vontade protestante de que as coisas sejam desta maneira: na maioria dos casos, não adiantará fornecer todas as provas, todos os argumentos que demonstrem a nossa fé. O protestante típico parte do pressuposto de que se está lidando com idólatras, portanto nada do que os católicos disserem irá quebrar-lhes a disposição, porque já decidiram que conhecem nossa fé melhor do que nós mesmos, portanto julgaram nossos gestos antes de desejar entender o que queremos dizer, de forma que,  tudo o que dissermos será em vão antes mesmo que comecemos a argumentar…

Portanto, não é para esses hereges, mas para os que querem continuar católicos, e mesmo para os que têm intenção reta e são sinceros que dedico esta crônica:

Antes de tudo, não preciso me submeter à moda protestante de sair espalhando passagens bíblicas aos quatro cantos: primeiramente porque eu sou católico, e não usarei o mesmo método de tesoura que condeno. Não interpreto a Bíblia, isso cabe à Igreja, e não estou falando sequer em nome da mesma (não recebi ordem de ninguém, faço isso por dever de cristão, visto que é obrigação minha contribuir dentro de minhas possibilidades para combater a ignorância que abunda em toda parte!). Também não sairei lançando passagens bíblicas ao léu, exatamente porque esse assunto tem relação com os protestantes, e como eles têm o vício de se ater estritamente às palavras, pois então não hei de alimentá-los nisso. Não ficam nada a dever aos da imagem abaixo:

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Caem nos mesmos enganos. Aliás atualmente há uma simpatia mal-disfarçada de muitas seitas pelo judaísmo, talvez porque desejem inconscientemente refazer a sucessão das gerações de homens que se baseiam nas Escrituras e no Deus de Israel. Como se separaram da videira, não têm mais a sucessão apostólica. Então procuram se ligar ao judaísmo. São inúmeras as seitas com nomes em hebraico, ou que apoiam suas práticas em preceitos do Antigo Testamento, ou mesmo que constroem templos à maneira do Templo de Israel, etc etc. Só que, para estes que dizem servir a Jesus Cristo, buscar nos judeus alguma legitimidade é um paradoxo, visto que os judeus objetivamente falando rejeitam a Divindade de Cristo, rejeitam a Santíssima Trindade, e crêem quase sempre que o Messias ainda não veio.

Mas assim como nos tempos em que Nosso Senhor veio ao mundo para nos trazer a Boa Nova, os judeus que O rejeitaram eram no entanto doutores da Lei e grandes conhecedores materiais das Escrituras, no final das contas, de nada adiantou frisar letra por letra, visto que não foram capazes de aceitar o Messias, amiúde todas as evidências e profecias que eles conheciam se realizassem em Cristo. Aliás, negar o Messias apesar de ler a Bíblia com tanta minúcia não poupou algumas vertentes do protestantismo radical, que dizem por aí que Cristo não é Deus, que o Espírito Santo não é uma das Pessoas da Santíssima Trindade, etc etc etc. A questão não é ler a Bíblia inteira, letra por letra, pois está escrito que a letra mata. A questão é aproveitar os ensinamentos bíblicos para aprender tudo o que é necessário para se salvar, dentro de um contexto familiar que é o da Igreja e seus legítimos pastores!

***

Falar em idolatria, na mente de um católico, deve reportar ao problema central; antes de tudo, a palavra latria têm o sentido de adoração. Para nós, adoração é o culto supremo reservado a Deus, o Criador, o Senhor de todas as coisas visíveis e invisíveis, Deus Infinito, eterno, Princípio e Fim, Alfa e Ômega, a quem todo joelho se dobra no Céu, na Terra e nos infernos.

Nada nem ninguém pode sequer ser comparado a Deus, tudo o que existe só têm o bem da existência por conta de Deus, jamais existiria sem que Deus tivesse feito, e em nada por ser comparado a Deus.

Portanto, a idolatria têm um sentido mais amplo para nós, católicos. Idolatrar é colocar qualquer criatura como a medida de todas as coisas, como a fonte de todo bem, como o objeto de dedicação exclusivo e entronizado na vida, de forma a ignorar, desprezar ou negar a Deus o lugar devido.

Nesse sentido, o mundo atualmente é idólatra. Não pelo culto ao boi Ápis, ou à vaca Hátor, ou a Baal, ou a Ganesha. O mundo é idólatra, por exemplo, quando os homens cultuam o próprio corpo de forma hedonista, com a vaidade excessiva que promove sacrifícios em nome da perfeição nas medidas e nas formas. O mundo é idólatra quando os homens vivem para o dinheiro, é idólatra quando o ídolo é o prazer a todo custo, etc.

Fiel alimentando com leite um ídolo hindu

Fiel alimentando com leite um ídolo hindu

Toda idolatria consiste em colocar alguma criatura no lugar de Deus, e só viver para satisfazer ou sacrificar o que se tem diante deste ídolo, desprezando ou ignorando que é a Deus que se deve dar a suprema honra e glória.

Existe a idolatria dos povos atrasados que alimentam estátuas com leite, como na Índia, ou se valem de amuletos e deuses falsos. Mas para além dessa idolatria grotesca e absurda, existe uma idolatria refinada chamada antropoteísmo, que consiste na entronização do homem no lugar de Deus. É o culto à personalidade, é o culto ao bel-prazer humano, é o que faz a sociedade atual, que prega a auto-suficiência do homem em viver para si mesmo e usufruir o máximo de prazeres e deleites nesta vida material, pois no entender da sociedade hodierna, não existem realidades sobrenaturais, nem Vida Eterna. E em nome de tudo o que possa ser empecilho para que se obtenha o prazer total, aprovam vários sacrifícios diabólicos como o aborto (para que os bebês não sejam empecilhos na vida dos pais), o divórcio (para que os cônjuges se desobriguem de si e de suas famílias), encorajam a eutanásia por horror ao sofrimento físico, e para que os doentes e velhos não atrapalhem os demais, etc etc etc.

E os santos da Igreja? As estátuas e demais imagens dos santos?

Os santos da Igreja, a começar pela maior criatura feita por Deus, que é Nossa Senhora, Virgem e Mãe, toda Pura, Imaculada e Medianeira de todas as Graças, mesmo Nossa Senhora e todos os santos juntos são menos que pó diante de Deus. Abandonem a competição entre os santos e Deus, tal competição NÃO EXISTE. Exceto na vontade dos protestantes e na ignorância dos católicos protestantizados, que por não procurarem com dedicação as razões da Fé em que foram batizados, persuadem-se de que as injúrias dos hereges são verdadeiras, e acabam tornando-se  na prática como eles.

Não há do que se envergonhar, não há do que se indignar, porque não existe competição entre Deus e os santos. Não existe empecilho entre Deus e os santos. O que existe são mentes humanas que não alcançam a realidade, e se equivocam por conta disso.

Antes de tudo, os santos foram seres humanos como nós, de carne e osso, e continuam sendo seres humanos como nós. Essencialmente, eles e nós somos a mesma coisa. Os santos não mudaram de essência. Depois que morreram, não passaram a ser outra categoria de seres, continuam tão humanos como foram em vida. Logo, não faz sentido que adoremos ou desprezemos a Deus de alguma maneira para colocarmos a nossa razão de ser em criaturas que não passam de homens e mulheres.

Só que há uma diferença entre eles e nós: enquanto nós sabemos a categoria de indivíduos relapsos e infiéis que somos, os santos não foram nada menos do que pessoas que, em vida, despojando-se completamente de tudo, rebaixaram-se na humildade de tal maneira que passaram esta sofrida existência superando a si próprios a cada dia, e empenhando-se cada vez mais em amar a Deus e em seguir seus Mandamentos. Ou seja: passaram a vida correspondendo às Graças de Deus, e como resultado, cresceram espiritualmente, e quanto mais se abandonavam diante de Deus, mais preciosos se tornavam diante dEle. Por amarem mais do que a maioria dos homens que por culpa própria nem sempre corresponderam à altura das Graças que Deus lhes enviou, após morrerem do mesmo jeito em que viveram, foram declarados bem-aventurados e modelos para os cristãos, para servirem de exemplo de que é possível ser humano e vitorioso na luta contra o pecado. Cristo foi o primeiro e o exemplo PERFEITO, mas sua ordem é que todos O imitassem na santidade. Se homens imperfeitos se  tornaram santos, então nós também podemos, desde que peçamos perdão a Deus e imploremos que nos mude o coração e nos torne obedientes e fiéis. As Graças jamais faltam, cabe a nós correspondermos a elas. Os santos pediram socorro a Deus e conseguiram, façamos como eles.

No final das contas, vai pro Inferno quem quer, porque Deus dá graças abundantes a todos, e ninguém no mundo pode protestar ter sido injustiçado por Deus. Só que Deus respeita nosso livre arbítrio. Somos livres para fazermos o que aquelas pessoas bem-aventuradas fizeram. Não fazemos porque não queremos.

Os santos, por serem amigos de Deus em vida, gozam do próprio Deus na Eternidade, no Céu. E como Nosso Deus é Deus de vivos, e não de mortos, é óbvio que eles estão no céu apenas em espírito, portanto de maneira incompleta (visto que a morte física é quando o corpo material se separa da alma, que é espiritual), pois aguardarão a Ressurreição da Carne, junto com os que já morreram. Mas se em vida podiam rogar por nós a Deus, na Vida Eterna fazem isso unidas a Ele! E ao pedirmos a intercessão dos santos, não estamos invocando a presença física deles entre nós, não somos espíritas, ninguém “baixa” em parte alguma! Pedimos a Eles que estão lá no Céu por nós que estamos aqui na Terra! Ninguém tem dificuldade em se recomendar a um irmão para que o mesmo implore a Deus em seu favor. E é bom que seja assim… Mas onde há injustiça em pedir aos que triunfaram e estão diante de Deus no Céu? A maioria dos que estão na terra não é tão virtuosa, mas pedimos que se lembrem de nós em suas orações… É um contracenso declinar de quem têm muito mais méritos diante de Deus, pelo fato de estar morto para o mundo. A parábola do Pobre Lázaro deixou bem claro que depois da morte as almas vão para o destino que traçaram em vida. Se estão no Paraíso, como Deus não permitirá que as mesmas interrompam a caridade para com os homens que ainda não venceram? Deus têm interesse em nossa salvação, ele não negligenciaria nenhum meio que dificultasse nossa conversão a Ele…

A intercessão é algo natural para os homens. É natural que seja assim: se muitas vezes nós precisamos de pessoas próximas para tratar com homens, se precisamos de advogados que nos representem junto a juizes humanos, porque deveríamos de maneira soberba julgar que Deus, que é o Criador e absolutamente perfeito, desaprovaria que nos reportássemos a Ele através da intercessão dos que em vida O agradaram com toda a alegria de seus corações? Passamos o tempo a só desgostar a Deus… Seremos tão orgulhosos a nos dirigirmos diretamente a Ele que é tão Bom, quando podemos humildemente admitir que alguém em melhor situação poderia conseguir junto a Deus favores para nossa causa, que sabemos não merecer?

Deus nos dá tudo o que temos porque Ele é Bom. Porque Ele têm mais interesse em nossa salvação do que nós mesmos! Mas coloquemo-nos em nossos lugares, só estamos aqui por Mercê de Deus, não estamos em posição de negar o auxílio de ninguém, quanto mais a quem foi vitorioso em Cristo!

Há outra coisa além disso: admitamos que estamos numa galeria, e encontramos uma obra de arte fantástica. Diante de tão sublime obra, não deixamos de nos entusiasmar com tamanha beleza, até que um guia nos apresenta ao artista criador da obra. Diante da admiração causada pela obra de arte, o criador ficaria lisonjeado ou enciumado? Pois os santos são santos com “s” minúsculo. Todo o bem que eles conseguiram fazer não nasceu dos esforços deles. Tudo o que eles têm de bom veio de Deus, que é o SANTO, o BEM. É como o Sol e a Lua. A Lua só tem luz porque é um reflexo do Sol, que é a Fonte.

Deus e seus santos.

Deus e seus santos.

Ah, mas as imagens, as relíquias, as velas, as flores!!!

E o que tem? São apenas sinais materiais! Não está demonstrado nas próprias Escrituras que Deus deixou milagres acontecerem através de coisas materiais? Quando a pessoa doente tocou nas vestes de Nosso Senhor, não ficou curada instantaneamente? Isso não quer dizer que as roupas de Nosso Senhor são DEUS, mas a Graça dEle pode ser comunicada da forma como ELE quer, e não exclui nenhum canal, até mesmo material. A própria sombra de São Pedro não era um meio que Deus dispôs para curar enfermos? Está lá nas Escrituras. E Deus permite que seja assim, Deus quer que seja assim, porque somos egoístas e desejamos nos salvar individualmente. Mas Deus quer que os homens se AJUDEM na salvação. Por isso nossa fé não pode admitir que basta ler a Bíblia e o Espírito Santo iluminará, sem nada mais. Por isso nossa fé não admite que a Hierarquia seja abolida e que o contato do cristão seja cara-a-cara com Deus, sem precisar de nada nem ninguém. Cristo tinha muitos discípulos, mas somente doze apóstolos. Ele criou uma hierarquia entre os discípulos e os apóstolos que os governavam. Disse aos Apóstolos que quem os ouvisse, a Ele estaria ouvindo… Se fosse só a Bíblia, para que Apóstolos? Para que Hierarquia? Mas foi exatamente isso o que Lutero e seus descendentes protestantes fizeram: só Deus, sem precisar da Igreja…

Enfim, voltando ao tema!

A injúria ocorrida dentro da igreja não foi um simples gesto de vandalismo. Vandalismo se pode fazer depredando uma praça, um automóvel, um prédio da prefeitura. Antes do crime contra os homens, houve um pecado contra Deus. Ao depredar as imagens dos santos, houve uma intenção de se atingir a pessoa dos mesmos santos, atingir pessoas que em vida cumpriram da melhor forma que puderam os preceitos do Evangelho. Ao fazer isso desejou-se arrancar de nós, católicos, os laços de amizade que temos ou gostaríamos de ter com os que já estão no Céu, gozando de Deus eternamente. O que sucede é que, infelizmente vivemos na crise mais aguda de nossa história, uma crise que não tem nada a ver com o crescimento numérico dos hereges, ou do fanatismo produzido pelo furor dos sectários… É uma crise interior, uma crise de Fé. Estamos naquele momento em que o Apóstolo diz: “não conheço este Homem”. A maioria dos católicos está num estado deplorável, e a perda da Fé fez com que muitos se tornassem cegos.

O bispo não enxergou o estrago sobrenatural. Ele teve olhos para o estrago material, viu ofensa aos homens, quando o grande ofendido foi Deus. Viu vandalismo onde estava a profanação.

O que poderíamos fazer diante de tal atrocidade? Antes de tudo, cairmos de joelhos no chão, e repetirmos a oração que Nosso Senhor ensinou no alto da Cruz: “Pai, perdoai-lhes, porque eles não sabem o que fazem”… Em seguida, com todo cuidado, que o pároco e o bispo acionassem não somente a polícia, mas todo o clero, todos os religiosos e todo o povo, afim de convocá-los até ali, e diante de todos, confessar a Deus a culpa pela negligência com a segurança devida a um lugar reservado para o Seu Culto. Convidar aos presentes para que fizessem um profundo exame de consciência e vissem o estado de pecado em que se encontram, para somente depois disso fustigarem os culpados, se conseguissem, depois de confrontados com suas próprias almas escurecidas pelo pecado. Vestir o negro, que é a cor do luto, e promover Horas Santas, atos de expiação, penitências, atos de desagravo e outras austeridades, e finalmente exortar todo o povo escandalizado a mudar de vida, e aproveitar aquela cena lamentável como ocasião para voltarem aos Sacramentos e à prática das boas obras.

Porque o maior escândalo não são as atrocidades dos maus, mas o silêncio de quem deve se manifestar. Se ofendem a Deus, deveremos lutar para que os Direitos de Deus sejam respeitados… Ou nos calaremos, cães mudos, e esperaremos as pedras falarem?

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