Desgraçadamente certeiro.

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Os leitores podem acompanhar poucas postagens abaixo e ler o que coloquei a respeito da perseguição a D. Rogelio.

Pois bem: conforme publicado no Fratres in Unum, D. Rogelio Livieres foi divorciado de sua esposa, a igreja de Ciudad del Este/Paraguai para comprazer o seu grande inimigo, o papa Francisco, que era um conhecido desafeto seu desde os tempos em que era cardeal de Buenos Aires, conforme visto no Blogonicus e publicado aqui.

Não é fácil receber esta notícia, apesar de saber que a ordem natural das coisas caminharia neste sentido. Não sou vidente, não sou profeta, e não precisei exercitar a inteligência para saber que a sanha de Francisco se abateria sobre D. Livieres. A árvore cai para o lado que pende.

O que Deus quer nos ensinar, colocando em nosso caminho um pontífice tão nefasto? Qual a causa sobrenatural de tudo isto?

Recebi essa notícia e fiquei pesaroso, porque trata-se de um papa legítimo destituindo um bispo legítimo por causa do que restou de católico em seu modo de proceder. Quem admite o Concílio Vaticano II em suas neo-doutrinas e em suas conclusões torna-se objetivamente um liberal. E nesse sentido seria fácil simplesmente ignorar o fato e agir como se o golpe não afetasse a Fé Católica, mas a verdade é que senti o golpe, assim como qualquer católico sente, ainda que seja atendido por padres da Tradição. Ainda que esteja afastado da igreja conciliar. Sentimos o golpe porque neste caso percebemos claramente que Roma derrubou o bispo pelo crime do mesmo conservar algo da antiga fé. Pois então nos escandalizamos pela queda de D. Livieres pelo que ele tinha de católico, e não pelo que ele tinha de liberal ao admitir um “status quo” muito pior do que o de conviver com o clero modernista mais avançado. Recusar o status quo com a TL, mas admitir o status quo com a Missa Nova, com a colegialidade episcopal, o ecumenismo e a liberdade religiosa oficializados nos documentos conciliares, constitui-se em si mesmo um comprometimento vil e escandaloso. Quanto a agravantes ou atenuantes, cabe a Deus julgar… Por outro lado, D. Livieres também representa todos os que, não obstante terem se permitido sujar com estes compromissos com a igreja conciliar, não desejam a morte da Igreja Católica, ainda que, por motivos que só Deus conhece e pode julgar, permitam misturar vinho novo em odres velhos.

Também não deixa de ser triste constatar que estamos no caminho certo, ao pregar a completa separação com todo o clero que aderiu ao concílio Vaticano II. É com amargura que constatamos o fracasso dos que se dispuseram a unir bandeiras que se detestam, e com ainda mais tristeza nos persuadimos a cada dia que estamos corretos em não querer nada com os liberais, a não ser que abjurem o modernismo em sua totalidade e voltem a nos pastorear. Assistimos inertes à agonia da hermenêutica da continuidade, que foi a maior tentação de muitos.

A perseguição atual lembra muito os bispos ingleses que satisfizeram Henrique VIII, silenciando quando o mesmo criou a Igreja da Inglaterra, sob pretexto que, exceto a parte da autoridade papal, o rei não havia alterado a Fé Católica… Até que um dia veio a infame Elisabeth e consolidou a fé protestante no seio do anglicanismo. Os bispos que, amiúde a traição (com a honrosa exceção de São João Fisher que foi decapitado, por não aceitar cair em cisma) se acreditavam católicos, depois disso tentaram reagir… Mas então já era tarde demais…

Não é para criticar D. Livieres que escrevi este post, mas para deixar registrado que sinto muito por ter visto este ataque arbitrário ao que havia restado de católico nesta diocese. Francisco feriu o pastor para dispersar as ovelhas. O papa mais uma vez optou por demolir, ao invés de edificar. Não construiu pontes, não se fez Pontífice, mas destruiu-as. Que Deus tenha piedade de nós, que toda essa tribulação nos aproxime cada vez mais dEle, pois Deus SABE O QUE FAZ, e nós muitas vezes não sabemos. Rezemos pelo papa, é a única coisa que podemos fazer de bom por ele, sem com isso arriscarmos nossas almas, porque o contato com os conciliares é letal para a alma dos católicos, estão espiritualmente necrosados, que Deus se apiede deles!

E não nos iludamos: por nossa maldade, por nossas infidelidades, este ainda não é o papa que merecemos. Deus nos entregou a Francisco por ser Misericordioso, porque nossa ruindade mereceria um flagelo MUITO PIOR.

Por outro lado, a destruição sistemática dos elementos de catolicismo misturados com o liberalismo modernista, e agora peneirados por Francisco não deixa de ter um lado paradoxalmente bom, porque obriga os vacilantes a tomar uma posição. Se Deus permitir, Francisco ainda há de fazer muito pior, guardem minhas palavras. Ainda há de varrer todos os conservadores do orbe, e que assim seja, para que os campos estejam nitidamente separados. Que fique o joio de um lado e o trigo de outro, que a igreja conciliar ature apenas seus liberais anti-católicos, e que os que ainda guardam algo da Fé se unam aos que não sacrificaram ao ídolo conciliar e abandonando todo o fermento modernista, sofram conosco neste momento em que a Santa Igreja está no auge de sua Paixão!

PS: coloquei uma fotografia de D. Rogelio sem batina, para que vocês recordem que, ainda que tenha a mais santa das intenções possíveis – isso cabe a Deus perscrutar – D. Rogelio era um homem da igreja conciliar, portanto, não deixemos o calor do momento turvar nossa visão, e enxeguemo-lo como o mesmo se apresenta, e não como gostaríamos que o mesmo fosse.

Sobre Bruno Luís Santana

Ego Catolicus Romanus sum.
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Uma resposta para Desgraçadamente certeiro.

  1. Teresa Cristina disse:

    “Separar o joio do trigo, fazer os vacilantes tomarem uma posição, separar nitidamente os campos, unir os que ainda guardam algo da Fé aos que não sacrificaram ao ídolo conciliar”, só vai ser possível quando o lado do trigo, o lado da fidelidade, o lado da verdade, o lado de Deus, não for subdividido em inúmeras facções que brigam mais entre si que com os modernitas conciliares. Enquanto houver tanta divisão entre os tradicionalistas isso não será possível. Os que seguem o erro estão unidos e os que seguem a Verdade estão dividos. Ninguem de bom senso sairá do meio dos primeiros (ainda que discorde deles) pra se unir a grupos que vivem se esfacelando, se odiando, se combatendo.
    Pra quem observa a uma certa distância, embora possa concordar com alguns argumentos, não consegue confiar em grupos que diante de males tão grandes não são capazes de chegar a um ponto comum, e se unir pra combater o mal maior.

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