“Não quebrará o caniço rachado, nem apagará a mecha que ainda fumega”

Não quebrará o caniço rachado, nem apagará a mecha que ainda fumega, até que faça triunfar a justiça.” (S. Mateus, XII, 20).

Precisei de muito tempo para passar a dar a atenção devida a D. Williamson; há anos recebo sempre por intermédio de amigos os seus “Comentários Eleison”, e jamais sentei para debater com nenhum deles nada a respeito do referido bispo. Simplesmente em meio a tanta coisa inútil que chegava em minha caixa de e-mails, eu não tinha paciência e apagava os referidos comentários.

É por gestos assim, que às vezes me comporto como uma boa cavalgadura. Talvez, se eu fosse mais paciente e menos desdenhoso, tivesse encontrado nestas leituras grande motivo para me elevar.

Querem ver um exemplo de raro equilíbrio no pensamento do monsenhor, que precisei destacar, afim de que vocês, leitores, possam igualmente perceber o mesmo que eu? Está logo abaixo. E de certa maneira complementa minha última postagem que falava sobre a Consciência Individual e da obrigação de segui-la acima de tudo, certa ou errada, EXCETO QUANDO ATENTA DE ALGUMA MANEIRA CONTRA A LEI NATURAL.

Pois agora, na contramão – e sem contradizer  a questão do juízo particular – Dom Williamson recomenda para os que percebem a crise, “360 graus de compaixão”, e que não se pressione quem está preso a um entendimento do que seria o certo – ainda que em verdade fosse um entendimento equivocado – exatamente para que não se traga um prejuízo efetivo às almas.

Teresa Cristina, estou pensando particularmente em você, tanto no artigo anterior quanto neste.

Basta de palavreado, leiam abaixo o que quero dizer. Agora tenho a impressão de que começo a compreender porque o padre Jahir (do mosteiro N. Sra da Fé e Rosário – Candeias/BA) admira tanto D. Williamson, e por tantos anos…

Bishop Williamson06

(…) Por conseguinte, por um lado, objetivamente falando, as verdades permanentes para a salvação não foram nem um pouco alteradas pela queda dos Papas conciliares, e essas verdades devem ser mantidas enquanto ainda houver almas a serem salvas (…). Por outro lado, subjetivamente falando, essa desgraça está mitigada pelo eclipse temporário dessas grandes verdades devido à queda dos Papas. Não é nada fácil, mesmo para os bispos, enxergarem direito quando o Bispo de Roma está enxergando torto. Segue-se que aqueles que pela graça de Deus – e por nada mais – enxergam direito, devem ter uma compaixão de 360 graus pelas almas tomadas pela confusão não totalmente por sua própria culpa. Assim, parece-me, se Tiago está convencido de que para salvar sua alma ele deve permanecer na Neoigreja, eu não preciso martelá-lo para que saia dela. E se Clara está convencida de que não há nenhum problema grave dentro da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, eu não devo forçá-la a entender que sim, há. E se João não pode ver nenhuma outra maneira de manter a Fé sem acreditar que de algum modo a Sé de Roma está vacante, eu preciso não mais do que insistir com ele que essa crença não é obrigatória.
            Ainda, em meio a toda essa dispersão das ovelhas, alguém deve manter a disposição delas na Verdade objetiva, se é que as pobres pedras não terão de fazê-lo (Lc 19, 40), porque é preciso pelo menos buscar essa Verdade se queremos salvar as nossas almas. Contudo, que os católicos a busquem com toda a devida consideração para com a cegueira de suas ovelhas companheiras, ao menos enquanto o Pastor permanecer ferido.
A íntegra do texto aqui;

Sobre Bruno Luís Santana

Ego Catolicus Romanus sum.
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4 respostas para “Não quebrará o caniço rachado, nem apagará a mecha que ainda fumega”

  1. Daniel Moy disse:

    Não conheço “vida e obra” de D. Williamson. Mas li recentemente alguns de seus Comentários eleison sobre sedevacantismo. Parece-me – corrija-me se eu estiver errado – que ele é simplesmente mais um odiado por ser ligado à Tradição e defender a Doutrina de sempre da Igreja. O único episódio de sua vida do qual me recordo foi de uma declaração acerca do holocausto que causaram grande alvoroço, principalmente é claro, por parte dos inimigos da Tradição.

    • D. Williamson tem posições muito equilibradas em relação ao sedevacantismo. Ele não é sedevacantista, e isso ele sempre deixou muito claro. Mas por outro lado, ao contrário de certos meios que combatem o sedevacantismo com força, ele era acusado de ser praticamente um sedevacantista, coisa que a Associação Montfort fez largamente, “prevenindo” os católicos, afim de que os mesmos se afastassem do bispo.
      Mas se ele não é sedevacantista, e nem abençoa a dita posição, por outro lado, diante das circunstâncias atuais, ele não faz nenhuma cruzada contra eles, e nem sai por aí combatendo-os com tanta paixão, porque a verdade é que a degeneração dos últimos papas e suas atitudes escandalosas são tantas, que de alguma maneira isso atenua uma possível culpa que eles porventura tenham. O sedevacantismo, logo cedo esfacelou-se de tal maneira, que os contrários a tal opinião não puderam deixar de recordar o destino dos protestantes saídos da Igreja. Mas se admitir o sedevacantismo pode ser uma tese perigosa, uma tese que até agora só levou a um beco sem saída, por outro lado, a nós, não-sedevacantistas, nos parece mais prudente resistir aos maus papas no que os mesmos propõem contra a fé, porque se a cada vez que eles ensinarem uma barbaridade, nós respeitosamente nos recusarmos a segui-los nestes aspectos particulares, então não faz diferença que eles sejam verdadeiros ou não, porque não serão acatados (no que ensinam de destoante) do mesmo jeito, e não seremos nós que teremos que procurar soluções, mas eles mesmos, afinal de contas se nós conservarmos a intenção reta em nada mais nada menos que CONSERVAR o que nos TRANSMITIRAM, que o mundo todo mude, estaremos acatando o conselho do profeta Jeremias, que dizia “olhai e vede os caminhos de outrora. Trilhai por eles…”.

  2. Daniel Moy disse:

    “… então não faz diferença que eles sejam verdadeiros ou não, porque não serão acatados …” Estamos chegando aos poucos nesse nível, infelizmente. Mais ainda com o presente pontificado. Por outro lado, é triste constatar a divergência de ações entre os que, grosso modo, combatem o modernismo, ou a aparente capitulação. A Montfort, nesse sentido, após a morte do prof. Fedelli, parece que regrediu ao neoconservadorismo, pois seus textos não tratam mais do CVII, nem criticam as posturas e decisões modernistas do papa Francisco I.

    • Sim, lembrando a ressalva que fiz: independente de ser papas legítimos ou não, o nosso foco não é saber o que de fato eles são, isso ultrapassa nosso entendimento, mas de uma coisa sabemos: o que fazer, e como proceder, porque se carecemos de pessoas confiáveis que nos guiem, por outro lado, hoje em dia não somos mais uma sociedade de analfabetos: temos as Escrituras, temos o testemunho dos Santos Padres, temos as Encíclicas, os Concílios, as Bulas… Não se trata em hipótese alguma de subvertermos a Sagrada Hierarquia criada por Cristo para levar a sua Fé adiante; eles não passaram a se tornar figuras decorativas (embora eles próprios enlameiem suas dignidades), mas, se servir de alento, podemos ir nós mesmos em busca do que restou dos padres e bispos católicos, e unirmo-nos a eles ao redor da mesma fé que encontramos em todo este depósito. Naturalmente, se os papas nos ordenam algo que além de justo, também não implique em nenhuma espécie de armadilha que nos comprometa negativamente, ou nos coloque diante de alguma crise de consciência, devemos acatá-los. Mas se eles destoam, pobres deles e de quem os obedecem… Nós somos PROIBIDOS de pecar, e se alguém nos coloca diante de uma situação que nos exponha a este risco, devemos – sob pena de danação eterna – resistir a quem nos ordena tal coisa, ainda que seja o próprio papa em pessoa. Quanto à Montfort, bem, esta impressão me chamou a atenção ainda em vida do finado professor, em uma de suas cartas que tive a infelicidade de não guardar (muita coisa da montfort eu imprimi, e hoje em dia não encontro mais na NET, porque geralmente as cartas respondidas pelos ex-alunos são riscadas do mapa), mas lembro-me de um conselho para alguém que procurava entrar no seminário, que entrasse no IBP ou na FSSP… Na FSSP, que aceita a Missa Nova e o Concílio… Lembro que esta resposta me surpreendeu, mas nunca mais tornei a encontrá-la na NET, teria sido muito bom ter dado um print… Agora não posso provar mais o que disse. Quanto ao mais, não preciso dizer muito, qualquer pessoa honesta, por mais simpática à Associação, é obrigada a admitir que a mesma teve a sua importância, sobretudo no início do pontificado de Bento XVI, e o seu declínio depois da crise do IBP, e com a morte do professor. Inclusive perdeu credibilidade por em certos momentos ter atacado certos opositores com desproporcionalidade, e atualmente, por silenciar diante de tantos absurdos. De tanto chamar a TFP de gato morto na estrada, agora ela parece estar até mais morta, o que de certa maneira é uma pena. Muitos trabalhos bons saíram dali, e eu mesmo os posto neste blog, para edificação dos leitores… Mas não é pela associação ou por nenhum de seus membros, mas pelo que há de católico, portanto, saudável, nestes trabalhos..

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