O fim da “Reforma da Reforma”: “Eu poderia ter aproveitado melhor o meu tempo com a Liturgia Romana Tradicional”

Caríssimos leitores: fiz uma tradução (tosca) de uma matéria do blog Rorate Caeli a respeito da confissão de um prior beneditino, que por anos esteve envolvido até a medula no árduo – e ao que parece, para ele – vão trabalho de criar versões litúrgicas para os ofícios e celebrações do Novus Ordo Missae adaptados para a língua vulgar, e seguindo as aspirações do Concílio Vaticano II.

O referido monge teve seu trabalho inclusive louvado no Vaticano… Mas longe de comprazê-lo, pelo seu tom, é de se julgar que se pudesse, faria tudo diferente e cuidaria mais de seu tempo em nutrir-se com a Liturgia romana tradicional, do que inventando ou retocando uma nova.

Segue abaixo, e para os que ainda não se deixaram persuadir da excelência da nossa liturgia tradicional, que meditem as palavras de um monge – ele mesmo encarregado de criar variações modernas, e em vernáculo:

Amigos , leitores, especialmente os jovens sacerdotes, ouçam a voz da experiência : Não percam sua “energia” tentando “provar a quadratura do círculo” da “fabricação” (autor da expressão: Joseph RATZINGER) da década de 1960. Ouça Dom Mark Kirby , OSB:

 D. Mark Kirby, OSB

Depois de ter dedicado quase quarenta anos a uma “reforma da reforma ” digna; depois de ter ensinado e defendido o Novus Ordo Missae com o melhor da minha capacidade , depois de ter composto –  e até mesmo ser aclamado por um decano do Pontifício Instituto de Sagrada Liturgia –  Por ter feito um antifonal  monástico inteiro em cantochão modal para os textos litúrgicos franceses , depois de ter composto centenas de configurações correspondentes ao cantochão para o Próprio da Missa em vernáculo, depois de ter lutado poderosamente para a restauração dos (Cantos) Próprios da Missa , depois de ter argumentado à exaustão por uma obediência inteligente à Institutio Generalis Missalis Romani (Instrução Geral do Missal Romano) ; depois de ter me dedicado exaustivamente em palestras e conferências para sacerdotes , seminaristas, religiosos e religiosas , sou obrigado a concluir que eu poderia ter melhor gasto meu tempo e minha energia no humilde seguimento da liturgia tradicional, como eu havia descoberto – e , como eu tanto amava – na alegria da minha juventude. Não digo isto com amargura , mas com a constatação resignada  de um cansado e experiente veterano tardiamente voltando para casa depois de uma honrosa derrota nesta “Guerra dos Trinta Anos” litúrgica.

Eu respeito aqueles sacerdotes e leigos , que continuam a acreditar na ” reforma da reforma ” . Eu aprecio a sua devoção e perseverança , mas , a partir de onde estou, neste ponto da minha vida , eu acho que eles desperdiçam energia desnecessariamente. A vida é curta . Eu não posso mais advertir os demais a dedicar os anos mais produtivos de suas vidas na tentativa de sustentar um edifício que foi manifestamente erguido às pressas e de maneira descuidada, de uma hora para outra, com fundações deficientes, mau isolamento, luminárias defeituosas e possui brechas de vazamento no telhado. Ao lado , há uma outra casa antiga, formosa, solidamente construída, e em bom estado. Ela pode precisar de um pequeno ajuste aqui ou ali, mas é uma casa acolhedora e em que é bom viver , e é lá que eu escolho viver meus dias. Se outros optam por viver no “improviso” ao lado , só posso desejar-lhes boa sorte , confiante de que podemos viver como bons vizinhos , mesmo assim, com frequentes conversas através da cerca do quintal, trocando idéias , e talvez até mesmo aprendendo alguma coisa um com o outro.

Uma das coisas que eu aprendi ao longo dos últimos quarenta anos, é que os monges e freiras  (de vida contemplativa) não ganharam nada em mudar as formas , conteúdo e língua na Sagrada Liturgia. As mudanças litúrgicas varreram os mosteiros como um furacão, deixando em seu rastro a mais lamentável destruição. Será que a tão-falada renovação litúrgica nos mosteiros serviu de ocasião para um aumento das vocações? Isso levou a um mais generoso comprometimento com a observância monástica ? Será que promoveu um maior zelo pela “Opus Dei” (pela dedicação às coisas, ao serviço a Deus)? Poucos mosteiros se recuperaram da agitação litúrgica, depois de décadas…

Nunca vou esquecer a angústia gerada por tentar inventar novos tons de salmos que correspondessem ao vernáculo, enquanto estive todo este tempo me agarrando desesperadamente nos cantos tradicionais da Antiphonale Monasticum que estavam enraizados em meu coração. As memórias da liturgia tradicional persistiram durante o inverno do meu descontentamento , como as lindas flores do açafrão, na tentativa de furar a crosta congelada que tinha sido colocado por cima do meu “hortus conclusus” (jardim acabado) . Os coros desnudados e vazio de tantas abadias de hoje atestam , infelizmente, para os destroços causados pela inovação litúrgica , mesmo quando postos em prática com as melhores intenções, já que normalmente assim eram implantados, e de uma noção distorcida de obediência acima de qualquer crítica ao que foi mal interpretado como ” a mente da Igreja”, o “sentir com a Igreja”.

Dom Mark Daniel Kirby, OSB, atualmente é prior da abadia Silverstream em County Meath, Irlanda.

Fonte: Rorate

Sobre Bruno Luís Santana

Ego Catolicus Romanus sum.
Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , , . Guardar link permanente.

3 respostas para O fim da “Reforma da Reforma”: “Eu poderia ter aproveitado melhor o meu tempo com a Liturgia Romana Tradicional”

  1. Daniel Moy disse:

    “Reforma da Reforma”, “Hermenêutica da Continuidade”, “Forma Extraordinária” ou “Ordinária” do Rito Romano. Vocabulário que se não foi criado, mas foi levado a cabo pelo pontificado de Bento XVI e terminaram com ele. Não creio que essas iniciativas estavam totalmente erradas. Mas, o problema é que elas camuflam os rastros do modernismo na Igreja, como é o caso da Missa Nova. Volto a frisar: Hermenêutica da Continuidade e seus termos congêneres morreram com o pontificado de Bento XVI. Reconheço, porém, a importância do trabalho de Ratzinger enquanto foi papa, levando mais pessoas a perceber a introdução do modernismo na Igreja – pelo menos comigo funcionou desta forma.

  2. Sim. Na melhor das hipóteses, com a melhor das boas vontades, a reforma da Reforma seria um paliativo.É uma morfina, que anestesia a dor, mas mantêm o problema e o prolonga. Reeducar as pessoas para se acostumarem novamente a enxergar na Santa Missa o Sacrifício de Nosso Senhor é muito louvável; mas o problema essencial não é a ignorância dos fiéis, mas o fato de que o rito de Paulo VI é “geneticamente” deficiente, como muito cedo foi detectado pelos cardeais Ottaviani e Bacci, apoiado por vários liturgistas e estudiosos no assunto. Se trata de um rito construido com o propósito claro de exprimir toda uma concepção de Igreja altamente controversa, e feito também para extinguir um rito canonizado pela Igreja, que é o rito gregoriano. E soma-se a isso o fato de que foi propositadamente construído de forma a se esvaziar ao máximo todos os dogmas católicos que desagradassem aos protestantes, e terminando por ser – tanto em teoria como na prática – um rito inferior. Ou seja: deixar de dar a Deus algo digno, para oferecer-Lhe algo de menor qualidade. São Pio V deu, através da Quo Primum Tempore, um indulto perpétuo e irrevogável para qualquer padre latino daquele momento até o fim dos tempos rezar a Missa conforme o Missal Tridentino, deixando claro que tal bula jamais poderia ser revogada por nenhuma pessoa, desde aquele momento e para todo sempre, reservando os que ousassem tal coisa a prestarem contas diretamente a São Pedro e a São Paulo. Se os padres fiéis, lendo este documento, se pusessem a resolver a questão e a rezar a Missa que é de direito deles, e não um favor que lhes fizeram, fariam muito mais do que desperdiçar tanta energia tentando remediar a situação.

  3. Daniel Moy disse:

    Acredito que quase conseguiram a extinção Missa de Sempre, vide a adoção – ou imposição – do Novus Ordo em larga escala e os reflexos que ainda se fazem sentir disso. Na verdade Ratzinger com o Summorum Pontificum deu uma “reavivada” na Missa Gregoriana, que na verdade não havia sido revogada – o problema é que ela foi simplesmente abandonada pela igreja conciliar, ficando restrita aos “tradicionalistas”. Incrível também a cara-de-pau das autoridades modernistas da Igreja quando negligenciam, ou melhor, ignoram bulas como a que você se referiu.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s