Reforma ou Revolta?

Caríssimos leitores:

Encontrei um vídeo excelente para explicar drasticamente as mudanças na Igreja Católica nos últimos tempos, e para isso o autor do vídeo faz algo que me é particularmente muito feliz: ele remonta ao tempo, para mostrar os elementos que, unidos, levaram a mudança de mentalidade que propiciou o furacão que hoje constatamos.

Observem que o autor, NO GERAL, é feliz na maioria das coisas que diz, e também faz questionamentos muito acertados. E analisa acontecimentos na linha do tempo que são muito reveladores, e nos ajudam a pensar exatamente o que acontece.

Caso vocês, caríssimos leitores, tenham tempo e sobretudo fome da Verdade, vejam por si mesmos do que estou falando.

Enquanto assistia o vídeo, pensava comigo mesmo: quantas pessoas de consciência reta, e que no entanto desconhecem a Fé Católica, ao procurá-la, são enviadas em direção à igreja moderna? Deus  me deu a graça de pelo menos uma destas pessoas que foi posta em meu caminho, eu pudesse dar alguma ajuda, salvando-o da igreja moderna e apresentando-o à Igreja Católica Apostólica Romana, onde ele até agora permanece, recebe os Sacramentos e é alimentado espiritualmente por padres combativos, de boa doutrina e bons conselheiros.

Sobre Bruno Luís Santana

Ego Catolicus Romanus sum.
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10 respostas para Reforma ou Revolta?

  1. Obrigado por publicar o vídeo de meu amigo Steve Mahowald. Seu filho está no seminário da FSSP. É um documentário excelente.

  2. Teresa Cristina disse:

    Bem impressionante, Bruno Santana. Gostei especialmente do final quando ele diz que não há em quem pôr a culpa senão nos homens bons que estão no lado errado.
    Até o Concilio sai um pouco vítima de um culpado desconhecido. As forças do mal estão trabalhando, é verdade, e há muito mais tempo do que se supunha.
    De qualquer jeito, cremos na ação e condução do Espírito, e então talvez não seja o momento de escolhas e julgamentos radicais, até porque se homens bons, santos e profundamente bem intencionados erram, porque não podemos estar errados também?
    A falta de unanimidade, a divisão constante entre os que levantam a bandeira da missa tridentina é assustadora, e não permite uma escolha serena e firme. O momento a meu ver deve ser de lutas contra atos concretos de abuso litúrgico e palavras concretas de distorção doutrinal, no mais oração e atos de confiança em Deus. Penso que for além disso tá correndo grande risco.

    • Mas perceba que estes homens bons pecaram por fazer o que achavam ser bom, ao invés de fazer o que deveria ter sido feito. O seguimento da Fé não é algo subjetivo, Teresa, e a própria Sagrada Escritura ensina como se proceder com segurança: em Jeremias está dito que se deve examinar os caminhos de outrora (a Tradição) e trihar por eles, para que se tenha tranquilidade. Os homens bons do vídeo, diante de problemas reais optaram por fiar-se mais nas próprias forças do que em examinar os caminhos de outrora, ou seja, na Tradição. O vídeo mesmo disse que a solução de Rosmini não foi a solução de Santo Tomás ou de Santo Agostinho, mas algo inédito…
      O tempo passa, mas ao contrário do que querem nos fazer crer, a natureza humana não muda. O cenário pode mudar, mas aquilo que Santo Agostinho disse em suas Confissões “Criaste-nos para Vós, e nosso coração não descansará enquanto não voltar para Vós” sempre permanecerá, não importa se no caos urbano da modernidade, ou se na solidão de um eremitério.
      O que é bom, sempre será bom, assim como o que é pecado, sempre será pecado.
      Com isso não estou condenando a liberdade humana a uma simples repetição monótona, como se tudo o que acontece ou que virá a acontecer seja uma mera repetição esperada. O fundo pode ser o mesmo, mas as situações muitas vezes requerem soluções práticas… Por exemplo, a abordagem da Igreja num determinado momento em que a sociedade era feudal e vivia nos campos precisava de um método novo para alcançar a sociedade industrial, em que a cidade se desenvolveu e as massas se tornaram proletárias ou trabalhadoras do comércio e dos serviços. Os homens deixaram de ser o que são? Não. Mas acompanhá-los em sua nova vida, de maneira a permanecer nutrindo-os com a Fé, e agindo como boa mãe, sem com isso perder o foco de a Deus primeiro servir, isso é louvável e desejável. Existem coisas na vida da Igreja que podem e devem passar por um progresso no que há de acidental, mas outras coisas NÃO! Deus vem em primeiro lugar, Deus é o centro de nossas vidas, e tudo o que fizermos deve ser ordenado em direção a ele, seja no campo ou na indústria, ou na miséria, ou na riqueza. Precisamos ver as coisas sobre um panorama elevado. Verdade é que estamos vivos, e esta vida física passa como um sopro, hoje está vivo o homem e amanhã desaparece. O homem só será verdadeiramente homem quando desprezar a si mesmo até não sobre nada além do próprio Deus, que não precisa de nós, mas nos ama de uma forma inexplicável, e por causa disso nos revelou Sua Vontade exatamente para que pudéssemos ser felizes nesta vida (no sentido dito por Jesus Cristo de que seu fardo é leve e seu jugo é suave) e principalmente na outra. Então o que nos foi dado de maneira gratuita e imerecida deve ser conservado com fidelidade, e posto em prática.
      A felicidade humana não consiste em acumular, ou em diversões e mil distrações, ou em vier de maneira aburguesada. Tudo isso é meio, e não fim em si mesmo. O homem só consegue se realizar quando ele SERVE. Quando trabalhamos direito, quando construímos, quando cultivamos, tudo isso nos deixa com a consciência leve. No dia em que aprendermos a praticar a verdade de que nada fazemos de bom, mas tudo o que acontece de bom por nosso intermédio é atribuído a Deus, e somente a Ele, e que somos apenas instrumentos, então teremos verdadeira paz, porque aí enxergaremos nossa pequenez e incapacidade. Somos fracos, mas Deus é forte. Somos irrelevantes, mas Deus é grande. Nada podemos, mas Deus pode tudo. Somos incapazes de qualquer movimento de Bondade, mas confiamos em Deus que nos ajuda e nos dá a força que precisamos para segurar a Sua Mão QUE SEMPRE ESTEVE ESTENDIDA.
      Os homens bons “do lado errado” em nossos dias seriam as pessoas católicas que têm pessoalmente uma vida decente e crêem de boa vontade que a igreja conciliar é a Igreja Católica Apostólica Romana, e que talvez, quando confrontados com a realidade, que lhes mostra que, amiúde sejam os legítimos pastores e gozem de todas as prerrogativas, no entanto enquanto homens, admitindo o liberalismo, terminam por assassinar espiritualmente as ovelhas, porque estes mesmos pastores estão confundidos e incapazes de discernir o que é certo do que é errado, salvo em raríssimos casos em que se abandonam a Deus, e reencontram o caminho. Então os homens bons “do lado errado” são os que, por muito irrepreensíveis que sejam, diante do problema, terminam por colocar a obediência acima da Fé e contribuem assim para prolongar os sofrimentos da Igreja, ao dar legitimidade ao erro, já que tentam combatê-lo ao mesmo tempo em que admitem sentar-se ao lado dele…
      Admitamos que eu seja um padre que aprendeu que o ecumenismo é uma doutrina condenada pela Igreja, baseado no magistério constante de Pio XI. Contudo, o meu bispo diocesano é ecumênico, e não permite que eu exponha a doutrina da Igreja, de forma a condenar o ecumenismo liberal do Concílio. O que farei? Devo silenciar a respeito e omitir uma verdade cristã por obediência? Então por obediência permitirei que os fiéis que terei de prestar conta no Dia do Juízo, em virtude de meu obediente silêncio, pensem que eu concorde com o ecumenismo, ou que estou em cima do muro, ou pensem que “quem cala, consente”, portanto que o ecumenismo é bom, já que eu não tenho parecer sobre o tema? Adianta ter as melhores intenções do mundo? E se eu fizer o contrário, e sem tomar a ofensiva, me limite, acaso perguntado, a expor a doutrina da Igreja, levando os fiéis automaticamente a identificar o erro dos meus superiores, e em virtude disso seja afastado do meu múnus sacerdotal, proibido de pregar e enviado a algum lugar onde meus anos de seminário e minha autoridade de pastor de nada sirva, enquanto minhas ovelhas sejam deixadas à míngua, ou dadas a um pastor que ensine heresias… Adiantaria eu ser um homem bom, se eu permitisse que o motivo para que eu SIRVO – o de pastorear as almas – me fosse negado, trazendo evidente prejuízo espiritual para os que me foram confiados, e debaixo do meu próprio consentimento? No dia do Juízo, quando eu dissesse “perdi todos os que me foram confiados porque pus a Obediência acima da salvação das almas”, o que neste mundo justificaria meu consentimento em não mais servir ao motivo de minha existência?

      Quanto ao mais, o filme foi muito objetivo em mostrar as disparidades sem procurar bodes expiatórios. Não quer dizer que eles não existam… O documentário “devolveu a bola”, não estabeleceu diretrizes sobre o que os fiéis deveriam fazer, mas no entanto foi feliz no que se propôs: expôs a problemática, fez uma radiografia do problema, deu novos dados para ajudar em nossa reflexão. Fez isso para evitar exatamente que a discussão se perdesse entre as diferentes buscas de solução (sedevacantismo, neoconservadorismo, tradicionalismo, etc etc). Ele não disse qual a forma de se reagir. Ele mostrou o problema.
      Mas claro que o documentário não encerra o assunto, porque poderíamos nos ater também se esses homens “bons” afinal de contas eram tão bons assim. Se nos debruçarmos, por exemplo, na trajetória de vida de João XXIII, veremos que muito cedo seus contatos não eram outros que os modernistas. No seminário, João XXIII era do grupo dos modernistas, seu padrinho foi Ernesto Buonaiutti, que foi excomungado por Modernismo em 1925, e sua sentença foi VÁRIAS VEZES confirmada! O bispo de Roncalli era também Radini-Tedeschi, acusado de modernismo e progressismo! João XXIII também foi amigo de D. Lambert Beauduin, que o documentário tantas vezes mostrou como procedente da vertente criadora da Missa Nova. É um exemplo de “homem bom” que está do lado errado… Bom mesmo? João XXIII era amigo pessoal do grão-mestre da Maçonaria italiana, o barão Yves Marsaudon, que foi aconselhado pelo próprio Roncalli, que na época era cardeal, a PERMANECER na Maçonaria… O homem bom “no lado errado”, que certamente tinha muito boas intenções, em 1914 chegou a ser processado pelo Santo Ofício sob acusação de modernismo… O homem bom “no lado errado” hoje é nome de LOJA MAÇÔNICA e, como não poderia deixar de ser, tem monumentos maçônicos levantados em honra dele na Itália (assim como fizeram com Paulo VI).
      Repito: o objetivo do filme não foi caçar nenhum bode expiatório. Mas esses homens bons no lado errado… Será que a bondade pessoal destes homens, a retidão que eles tinham em fazer o que julgavam verdadeiramente correto justificava realmente o ato que fizeram, o de confiar em si mesmos e desconsiderar os caminhos de outrora?
      Se estes homens bons, cheios de boas intenções se enganaram, lembre-se que eles fizeram isso por própria culpa, Deus não lhes tirou a liberdade de cometer o mal; eles não estavam predestinados a serem as pedras de tropeço da Igreja. O erro destes homens, que provavelmente são melhores do que eu, talvez não tenha sido a piedade, ou a devoção, ou mesmo a retidão de vida, mas foi o de, num dado momento, confiando em suas forças, buscarem soluções fora da Tradição da Igreja.
      Isso para mim é um mistério, porque eu honestamente me acho o oposto deles. Eu acho que sou um homem ruim que está no lado certo, e isso me desconcerta, porque se a medida fossem meus erros, eu mereceria estar chafurdando do outro lado. E no entanto eu tenho esta segurança: o que eu procuro observar é a Fé praticada da mesma maneira nestes dois milênios. O que vai de acordo com ela é seguro, o que vai contra ela é errado.
      A Fé vem literalmente em primeiro lugar. Por isso está escrito que sem a Fé é IMPOSSÍVEL agradar a Deus. Por isso o sábio provérbio: de boas intenções o inferno está cheio.
      A Fé vem em primeiro lugar porque ela nos faz ENXERGAR o caminho. Ela é o mapa que aponta qual o caminho para agradar a Deus. Então eu posso dizer que ela é o meio para se trilhar o caminho que leva a Deus. Se homens bons jogaram fora o mapa, e resolveram chegar a Deus através de seus pareceres, então para nós, homens e mulheres fracos e pequenos, resta-nos fazer o caminho tradicional, que está traçado pelo “mapa”.
      E se você quer saber, eu sou preguiçoso e gostaria muito de ir pelo caminho mais fácil, só que não posso confiar em minhas inclinações, por isso sou obrigado a andar por caminhos pedregosos e íngremes, mas corretos. Pela minha inclinação eu estaria assistindo missa no Instituto Cristo Rei, entre batinas bem limpas, liturgias barrocas e cânticos maravilhosos, mas no entanto estou do lado de padres desconhecidos e intransigentes, que sequer posso dar testemunho visto não conhecê-los, mas que ao invés das lindas igrejas, rezam em casas improvisadas… E contra a minha inclinação, sou obrigado a aderir a eles, porque são os únicos que dizem em alto e bom som: a Fé Católica é preciosa, devemos transmiti-la como a recebemos, e NÃO SE NEGOCIA”.

  3. Teresa Cristina disse:

    Eu entendo, Bruno, entendo bem o que voce diz. Não tiro sua razão, voce é por demais coerente, quase incontestável, acho que já te disse isso. Mas eu me pergunto: como voce faria se tivesse vivido no início do cristianismo, quando não havia tradições a seguir, caminhos a prosseguir, santos, doutores, documentos a nortear, dogmas definidos, doutrinas claras… apenas 12 apóstolos espalhados, sem noção alguma da estrutura que os unia e amarrava os cristãos numa instituição única e divina? será que essa linha de raciocínio não teria feito voce ficar com os judeus, já estruturados, bem assentados em milenios de historia sagrada? voce não teria receio de abandonar tudo isso e seguir o Nazareno morto e dito ressuscitado, que se fazia igual a Deus e foi condenado por blasfêmia contra o templo?… Eu teria.

    Sinceramente eu agradeço a Deus não ter vivido naquele tempo. Não sei se seria cristã. Eu também gosto de pisar em chão firme e bem sedimentado, com história e exemplos a seguir, ainda mais quando o novo caminho rompe com o antigo de forma tão radical como foi feito naquela época. É essa tendência medrosa e comodista que talvez me impediria de ser cristã naquele tempo, que, no entanto, me preserva hoje de abraçar tranquilamente a nova igreja pós conciliar. Isto é, me entenda bem, quero dizer o seguinte: o defeito que antes me impediria de abraçar o certo, agora me impede de abraçar o errado. Graças ao fato de ter nascido agora, e não antes, ou seja, é a Providência que age, que tudo conduz para nosso bem.

    O seu exemplo que mostra muito bem como é impossível um padre viver dentro da estrutura católica atual e manter-se fiel, me faz ver que Deus realmente se serve até dos nossos enganos e erros pra nos construir e reconstruir a sua Igreja. Se todos os seminaristas fiéis e bem intencionados entendessem direitinho o que está se passando na Igreja do pós Concilio, se não fossem um pouco levianos, eles sairiam, desistiriam do sacerdócio, como eu desisti da vida religiosa. Mas são os que não percebem isso tão bem, ou aceitam alguns erros e relevam certas infidelidades, são esses que depois, quando, pela graça de Deus, se convertem de verdade, conseguem fazer a diferença dentro dessa mesma estrutura caótica. E por isso encontramos dentro dela padres Paulos Ricardos, dom Henrique Soares da Costa, dom Keller, padres Marcelo Tenorio (que conheci em seu blog) e tantos outros que foram ordenados no pós Concilio e que estão lá dentro, incomodando o diabo. Não fosse isso a Igreja já estaria totalmente tomada pelo inimigo, pois os resistentes mais antigos já estão morrendo e são esses novos que podem reverter tudo. Esses novos que não aderiram aos erros nem se afastaram, como eu.
    Eu sei que voce vai dizer que eles acabam se corrompendo também, até acredito que em parte isso aconteça, (felismente eu me afastei da vida religiosa antes de ser consagrada) mas discordo de que de boas intenções o inferno esteja cheio. Pelo contrário, os bem intencionados que já morreram estão todos no céu, apesar dos erros que possam ter cometido, ao contrário dos ardilosos e traiçoeiros que estão todos no inferno apesar de qualquer bem que possam ter feito.
    Assim, eu acho (desculpe o “eu acho”), que voce, mesmo que esteja errado, terá desculpas e perdão. E se estiver certo, Deus me perdoará a covardia de permanecer ligada a Roma, apoiada nos poucos que de dentro dela ainda lutam e sustentam que o concilio não é mau, mas apenas a interpretação e manipulação dele foi má.
    Pelo menos, por enquanto. Quando Bento XVI se for, eu já não sei. Entrego-me a Deus.

    • Teresa, a Tradição consiste exatamente em conferir se a proposta que se apresenta está de acordo com o que foi dito pelos nossos pais na Fé. Consiste exatamente em transmitir o que recebeu; os grandes concílios do início da era cristã não fizeram outra coisa do que convocar o episcopado de todo o mundo, para apresentar-lhe as novidades e conferir se o que foi proposto corresponde ao que sempre foi tido como certo. E a partir da necessidade de se deixarem as coisas esclarecidas, chegamos ao símbolo dos Apóstolos, ao símbolo Niceno-Constantinopolitano (o credo) e ao aperfeiçoamento das verdades que sempre foram ensinadas, mas que diante das propostas modernas que se colocavam, urgiam por fórmulas e definições precisas e definitivas. Os pais da Igreja primitiva eram geralmente pessoas que conheceram até mesmo os santos Apóstolos, ou que foram discípulos dos apóstolos e agora eram mestres de outros homens que um dia viriam a suceder-lhes.
      Quanto à questão da sinagoga, as coisas eram muito mais complexas do que se julga; o judaísmo oficial na época de Cristo não se tratava apenas da Lei Mosaica observada em sua pureza. Muito pelo contrário, havia naqueles tempos correntes malignas que há muito deturparam a Lei em favor das interpretações helenizantes dos saduceus, ou de um sistema de tradições que os fariseus e escribas elaboraram, e que iria ser codificada na Mishnah, uma das fontes originais do esoterismo gnóstico judaico.
      Os judeus, no tempo de Cristo, há muito que já haviam sacrificado o judaismo… Hà evidências no Antigo Testamento, que os dirigente religiosos judeus haviam se prostituído aos ídolos egípcios, mais ou menos no segundo cativeiro da Babilônia. Por setenta anos os judeus estiveram cativos, até que voltaram, e há indícios que dentre eles, houve quem assimilasse várias idéias religiosas pagãs dos babilônios, de forma que iniciou-se no interior do judaismo uma tradição maligna, que por muito tempo foi dissimulada, mas que deformou a religião de tal maneira, que nos tempos de Nosso Senhor, conservava uma grande exterioridade, mas havia anulado toda a Lei Mosaica.
      Se os judeus fossem realmente fiéis a Moisés e aos profetas, teriam identificado o Messias. Mas eles aguardavam a vinda do Messias exatamente para LIBERTÁ-lOS da Lei, e agir como um grande rei que submeteria a tudo. Eles esperavam um reino deste mundo.
      Recomendo que você leia este trabalho logo abaixo:

      http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=cadernos&subsecao=religiao&artigo=escribas1&lang=bra

      Quanto ao que eu faria ou não, se fosse judeu e vivesse naquela época, eu não tenho condições de lhe dizer. É muito especulativo falar a respeito, porque a característica de Cristo foi sempre falar publicamente e de expor as contradições. Por isso muitos judeus piedosos, especialmente entre o povo, mas também entre as classes mais abastadas o seguiram, porque diante de ensinamentos tão lógicos e demonstrações tão evidentes de que Jesus ERA de fato o Messias, impunha-se diante de seus olhos admitir que Aquele que lhes falava era verossímil ou negar a realidade e desdenhar dEle, como fizeram. E naquele tempo Nosso Senhor não se limitava a silenciá-los, derrotando suas argumentações, mas também fazia milagres públicos que causavam verdadeira celeuma entre as pessoas; os que viam as evidências lógicas (a pregação, as parábolas e as polêmicas) e sobrenaturais, e eram verdadeiramente sinceros, se convertiam. Os que viram todas essas coisas e se obstinaram… Bem, sabemos até que ponto eles chegaram…
      Em minha ruindade, eu realmente não posso dizer o que eu faria, se estivesse diante de Nosso Senhor. Mas o que eu sei é que a Fé Católica é a mesma Fé herdada desde a Criação do Homem, com a Lei Natural, até a Lei Mosaica, e finalmente levada à Perfeição com Nosso Senhor. A Fé Cristã não se contradiz, seus dogmas são libertadores e sua lógica é absurdamente imune a contradições.
      Para sabermos se um sistema é falso, basta analisarmos se este sistema encerra em seus princípios algum tipo de contradição. Se nele há contradição, então sabemos que é falso.
      Quanto ao exemplo que dei, creio que não foi bem compreendido. Antes de tudo não defendi a extinção do sacerdócio, em virtude da situação em que vivemos. Nos tempos de D. Lefebvre, a FSSPX nasceu exatamente de seminaristas que, constatando a apostasia, rogaram insistentemente ao arcebispo que lhes acolhesse e que lhes garantisse uma formação católica, de modo a fazê-los todos padres. Ainda existem ambientes catolicamente sadios, não se trata de renunciar à vida religiosa ou ao sacerdócio, mas deve-se fazer isso com critério, não procurando ambientes contaminados por liberalismo, para que não se decaia com eles. Quanto aos padres e religiosos sinceros que apenas tomam conhecimento do embuste em que vivem de maneira tardia, não sou juiz de suas consciências, e nem mesmo sei qual a profundidade de seus conhecimentos. O padre Paulo Ricardo, por exemplo, já vi alguns vídeos dele tratando sobre a Reforma Litúrgica, onde o mesmo revela que assumiu determinados posicionamentos somente depois de anos e anos de estudo… Eu penso que não se deve ter o posicionamento destes padres como algo definitivo, porque possivelmente a ficha ainda não caiu para muitos que agora se lançam nesta investigação.
      Eu há pouco tempo coloquei aqui no blog a notícia de que um sacerdote que sempre comentava no Fratres in Unum, depois de muitos anos de ponderações, terminou por aderir à Resistência, mas o fez sem nenhum radicalismo, sem demonstrar nenhuma revolta ou ressentimento com a diocese onde estava há pouquíssimo tempo: e ele não é o primeiro a se ver obrigado a tomar partido; nos tempos que eu conversava com ele (conversei muito pouco, muito menos do que converso contigo) eu percebi que ele tinha reta intenção, mas era bem mais ratzingeriano do que você, Tereza. Ele tinha boa intenção e ouvia os argumentos, mas naquele momento julgava ser suficiente tentar aplicar a reforma da reforma para um dia, quem sabe, recatolicizar a paróquia.
      Não tornei mais a falar com ele, mas não o via de maneira negativa, porque eu via que ele queria ser fiel a Deus. E Deus não desampara quem a Ele se aproxima com retidão. O padre mesmo constatou que, infelizmente a solução da “reforma da reforma” era um caminho falso. Não se coloca vinho novo em odres velhos, pois senão o odre velho põe a perder o vinho novo.
      Vou lhe propor então o caminho oposto ao do padre Paulo Ricardo e semelhantes: o caminho de D. Rifan; D. Rifan era o padre Rifan, que sempre soube de tudo o que nós lutamos quiçá mais até do que nós mesmos. Pois bem: ele que, nos tempos de padre Rifan, se destacava por mostrar as contradições gritantes nos erros aprovados na letra do Concílio (nem digo o espírito, mas os equívocos nos documentos oficiais), hoje o padre Rifan tornou-se D. Rifan, fez profissão de Fé conciliar e prega aos quatro cantos que a Missa Nova é boa (ele a reza sem nenhum escrúpulo), e que ruins são os que tentam transformá-la num “símbolo de resistência” a tudo o que ele mesmo denunciava há décadas atrás com maestria. Ele deixou a Tradição e trata a Missa como uma questão de sensibilidade. Você julga que o caminho oposto que ele tomou, e que agora o deixa lado a lado com D. Henrique Soares e todo o clero que aceita o concílio, é uma forma de Deus escrever certo por linhas tortas?
      As 62 razões para não assistir a Missa Nova foram feitas pelos padres de Campos. E as razões são tão suficientes que nem mesmo o próprio D. Rifan hoje em dia tem condição de se auto-refutar!
      Quanto ao mais, não existe meia corrupção; ou se é fiel, ou não. As pessoas boas que, sendo padres ou irmãos tardiamente descobrem a verdade, através de suas atitudes demonstram que se tornam cada vez melhores, mas não por estar onde estão, mas por redescobrirem a Igreja tal como a mesma sempre foi. E se são sinceras, irão achar o que procuram, e terão diante de si duas alternativas: a de seguirem a Fé em sua plenitude, assumindo as consequências para tal, ou então negar a realidade e tentar convencer a si próprias de que o que está gritando, pulando em seus colos não existe, ou não é o que é! Eu realmente acredito que, uma vez compreendendo a situação, é impossível ficar em cima do muro. Se o padre Ricardo prosseguir no caminho em que está, e com a imparcialidade que demonstra ter, ele mais cedo ou mais tarde se verá diante de um dilema que exigirá uma postura definitiva. O mesmo para os demais.

  4. Teresa Cristina disse:

    Obrigada mais uma vez pela resposta, Bruno.

    A situação judaica no tempo de Jesus que voce apresentou foi muito significativa pra mim. Pra ser franca as vezes eu não entendia bem as broncas de Jesus. Mas agora vejo que é porque a situação era bem parecida com a atual, guardadas as devidas proporções.
    De qualquer jeito quero esclarecer que quando te sugeri se imaginar no início do cristianismo não era tão no início assim. Claro que diante do Senhor, ouvindo sua voz, vendo seus milagres até eu me renderia, quanto mais voce. Mas referí-me àqueles primeiros anos, aqueles primeiros convertidos unicamente pelo anuncio dos que conheceram Jesus e os apóstolos, sem nenhuma prova, sem nenhuma história, sem nenhuma tradição consolidada. Aí é que está a raiz da questão: que critérios usaram os que creram e romperam com o judaísmo? e que critérios usaram os que rejeitaram o cristianismo e se mantiveram na fé judaica? não vamos ser tão simplistas a ponto de dizer que eram empedernidos pois o próprio s. Paulo foi um deles, e teria continuado a ser se Deus mesmo não o tivesse sacudido com força, coisa que Ele não faz toda hora.

    Também concordo que uma vez compreendendo a situação, é impossível ficar em cima do muro, então talvez eu ainda não tenha compreendido pois como o padre que era mais ratzingueriano que eu e aderiu à Resistência, precisou de tempo e reflexão, de oração e de muita retidão interior, também eu ainda não estou preparada para um passo tão largo, e talvez nunca esteja. Signifique isso um bem ou um mal.
    Não sei como ficam esses padres pois não conheço nenhum, não sei se ficam sem paróquia, sem igreja e sem rebanho, nem pra onde vão, nem quem os sustenta nem como fica sua situação diante da Igreja. Já os leigos que porventura façam isso, embora possam se preservar de muita influência má, ficam entregues a nada ou a si mesmos, sem igreja visível e sem sacramentos. É muito arriscado, e se tem alguem em quem não quero depositar minha segurança é em mim mesma. Ainda prefiro confiar em alguma referência, em alguem escolhido pelo Senhor… Bento, d. Henrique… já percebi que voce não gosta de d. Henrique mas, apesar de defender o Concilio, ele o defende sem defender, isto é, ele não fala nada de bom do Concilio, apenas diz que não é culpado do mal que grassa na Igreja. Já ouvi dizer que isso é a “quadratura do círculo”. Pode ser, mas embora possa parecer contraditória essa opinião é bem diferente de defender os erros como se fossem acertos, que é o que temos visto em altas esferas (e bota altas nisso!).

    • Teresa, talvez você não se recorde, mas ao contrário dos nossos tempos, no início do Cristianismo os milagres ocorriam com muito maior frequência do que hoje. Se você passar o olhar em todo o Novo Testamento, verá que após a Ascensão de Nosso Senhor, logo em seguida o Espírito Santo veio para confirmar a Igreja e impulsionar os Apóstolos a levar a salvação em direção a todos os filhos de Adão.
      Veja a imensa quantidade de milagres operados pelos Apóstolos: ao passarem e pregarem o que viram pessoalmente, contavam com os mais definitivos argumentos que qualquer pessoa precisaria para seguir a Nosso Senhor. Antes de tudo, eles receberam o depósito da Fé diretamente de Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus feito Homem; a Sagrada Tradição é exatamente este depósito da Fé que Cristo transmitiu aos Apóstolos, que transmitiram para seus sucessores bispos, que transmitiram para os pósteros, que trouxeram para nós o mesmo depósito sem adulterações. Neste sentido, o que eles pregaram aos judeus e aos prosélitos era ainda mais “refinado” do que a Tradição que recebemos. Nós recebemos o que Cristo disse aos Apóstolos, que passou de bispo em bispo por dois milênios. E eles mesmos eram as TESTEMUNHAS DIRETAS da Tradição. Eles eram a própria raiz da Tradição; por isso a Tradição é chamada Tradição Apostólica! Você compreende? É maravilhoso como o Espírito Santo mantêm a Sua Igreja, providenciando as coisas de forma que, a Verdade que ouvimos agora seja a mesma Verdade dita por Cristo aos Apóstolos e repassada para os demais cristãos de forma intacta desde aquele tempo. Mas o que os Apóstolos tinham de exclusivo é que Eles não davam testemunho do que ouviram de outros; eles mesmos estiveram ali; eles mesmos são parte integrante de toda a obra da Redenção!
      E a quantidade de milagres, como eu havia dito, era muito maior do que hoje; mas quando falamos em milagres, devemos ter em conta do que se tratava e os seus objetivos: o objetivo primário do milagre é a conversão dos pecadores; o secundário é o benefício dos envolvidos. Haviam fenômenos realmente miraculosos e inexplicáveis, como o falar em línguas, quando em um único discurso, dezenas de idiomas diferentes conseguiam entender o que se dizia, cada um em sua língua própria; ou ressurreições de mortos, etc etc etc. Os que vieram depois dos Apóstolos também operaram inúmeros prodígios, como São Policarpo, que no ato do martírio, foi posto numa fogueira onde as chamas queimavam tudo ao redor e não tocavam em seu corpo, a tal ponto que precisou ser apunhalado para que morresse, apagando toda a fogueira com o seu sangue…
      E mais do que isso: os bispos dos primeiros séculos, além dos milagres, conservavam uma santidade de vida acima do normal, afinal de contas os apóstolos haviam saído de cena há pouco… E tinham um “trunfo” a mais: conheciam muito mais detalhes da vida de Nosso Senhor, de Nossa Senhora, São José, dos santos Apóstolos e de outros personagens do Antigo Testamento, pois ouviram de pessoas que os conheceram diretamente; o que chegou até nós é o que precisávamos saber, mas outros detalhes certamente eram de conhecimento destes primeiros cristãos, como a vida de Nosso Senhor dos doze aos trinta anos, e muitas, muitas outras coisas que a própria Bíblia diz nesse sentido “se cada gesto ou ato de Nosso Senhor fosse escrito, não caberia em nenhum livro”. Entende? É mais do que a Tradição: eles estavam testemunhando o que viram, e demonstrando a veracidade com o exemplo de vida e os milagres que faziam; a medida que o mundo foi se cristianizando, os fenômenos sobrenaturais se escassearam, porque a Fé, uma vez estabelecida, dispensa sinais. E também porque não convêm operar sinais a todos, por isso disse Nosso Senhor: não se joga pérolas a porcos, nem coisas sagradas aos cães…
      Você pode tentar falar com o padre Marcelo Gabert Masi, que aliás acho que é gaucho como você. Ele comentava sempre no Fratres in Unum, e era incardinado numa paróquia aqui da Bahia… Agora teve as razões dele para deixar tudo, e está atualmente passando um período entre os monges do Mosteiro de Nossa Senhora da Fé (Candeias/BA); creio que ele seria mais adequado para suas perguntas.
      Quanto a D. Henrique, eu só o citei a título de exemplo. Nada contra ele, quis dizer no sentido da posição neoconservadora, isso valeria para qualquer um que sustentasse a mesma tentativa de conciliar a Tradição com as propostas inéditas do pós-concílio. Propostas, porque o concílio se recusou a definir dogmaticamente. Mas na prática impôs as propostas como se fossem dogmas… Enfim…
      Creio que, a respeito de levar uma vida católica com Sacramentos, Santa Missa, etc, você deveria buscar respostas talvez com padres da Tradição, eles talvez possam ajudá-la neste sentido, afinal de contas eles têm feito de tudo, se desdobrado para atender a maior quantidade de fiéis possível, dirigindo-se para cada vez mais lugares onde são requisitados. E a própria Providência se encarrega de suscitar sacerdotes para este ofício.

  5. Teresa Cristina disse:

    OK, pode ser que eu um dia converse com o pe. Marcelo Gaberti Masi (lembro de alguns comentários dele). Mas não agora. Deixa ele refletir um pouco mais e eu ter mais clareza de idéias, pois por enquanto ainda sigo a intuição do coração (tradicionalista odeia essas coisas, né? mas que fazer, cresci na nova igreja, tem muito mais dela em mim do que eu mesma sei).

    Ainda estou tentando aceitar os lefevbristas. Acho que seria um passo muito largo achegar-me às idéias dos que os acham flexíveis demais. Voce é uma exceção, não sei porque, mas é um dos poucos mais radicais que ouço com respeito e sem aversão. Talvez porque percebo muita humildade e sinceridade em voce, coisa difícil de perceber em outros (não estou dizendo que não sejam humildes e sinceros, só que não percebo isso em muitos – e lá vem a intuição do coração de novo!).
    Certa vez conversei longamente com um padre bem conservador, da Igreja Católica Melquita, de Minas Gerais, não sei se conhece, frei Flavio Henrique de Castro. Ele é duro como voce, em defesa da verdade e da obediência a Deus, da fidelidade e da Igreja com I maiusculo. No entanto, é mais duro ainda em condenar a rebeldia tradicionalista (parece contradição, né?!). Sofri bastante com as colocações dele, e achei melhor ao invés de um aconselhamento espiritual, apenas ouvir as opiniões, de preferência de pobres leigos como eu, e tirar minhas próprias conclusões, sem arrogância nem certeza demais. É arriscado…talvez presunçoso, eu sei, e é trabalho de uma vida. Mas na atual conjuntura até aconselhar-se com o papa não é seguro.

    Só pra registrar: não sou gaucha, moro no RS, mas sou do RJ. Abraço

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