Crítica externa acerca dos novos rumos da FSSPX

Encontrei no blog do Guilherme Chenta um curioso artigo, que foi posto há algum tempo, de forma que possivelmente não se trata de novidade para muitos. Mas como não havia lido a respeito, resolvi então publicar no blog, para conhecimento dos que porventura também não tenham tomado conhecimento.

Padre Stefano Carusi, IBP

Padre Stefano Carusi, IBP

O IBP, que nasceu como uma alternativa de ser uma FSSPX inserida juridicamente na Igreja, guardando ao mesmo tempo completa autonomia na Fé e disciplina tradicionais (quando se alardeava com muita esperança que estavam garantidas a missa tradicional como exclusivo rito para seus membros, e o direito de criticar o concílio, omitindo a obrigação de aceita-lo), logo viu que seus próprios pares não formavam um bloco coeso, mas ao contrário, parte deles – inclusive entre os fundadores – tinham uma tendência mais liberal do que se poderia supor.

O resultado foi uma divisão prática entre os que gostariam de observar a ortodoxia do acordo, tal como foi proposto no ato da fundação, e os de tendências mais liberalizantes.

Por fim, ao final de cinco anos de existência,  com a visitação canônica de Monsenhor Pozzo, longe de confirmar as melhores esperanças dos que gostariam de ser uma FSSPX regularizada, a resposta romana pelas linhas do dito arcebispo Pozzo foram bem desagradáveis, mas infelizmente COERENTES e ESPERADAS. As recomendações foram claramente de ordem a fazer com que o IBP se alinhasse à oficialidade, rejeitando a expressão “rito exclusivo” em troca de “rito próprio” ( o que, LÓGICO, deixaria a porta aberta para outras possíveis experiências neste sentido… Trocando em miúdos: a possibilidade de se rezar outro rito sem esbarrar nas regras do Instituto. E bem imaginamos que rito seria esse!), conclamando a aceitação da hermenêutica da continuidade – ao invés da crítica ao concílio sem envolver-se com ele – e até mesmo da aceitação do catecismo e dos documentos pós-conciliares… Ou seja: um engodo, uma ducha de água fria para quem imaginava que Roma permitiria um corpo estranho em seu interior sem tomar algum tipo de providências.

Tudo o que os “profetas de desgraças” da “oposição” – leia-se FSSPX previram, aconteceu: mas não foi urucubaca de lefebvriano. Foi desgraçadamente um gesto previsível.

Então – esta é a parte que para mim é nova, pois francamente, não tenho interesse no IBP – uma corrente “linha dura” se formou no Instituto. Digamos que sejam para o IBP o que a Resistência (com a liderança de D. Williamson) seja para a FSSPX.

Chamam-se “Identitários”, os que querem manter o IBP na promessa estrita de 2006 acerca do rito exclusivo e crítica (sem compromissos de adesão) do Vaticano II. E têm no padre Stefano Carusi seu principal expoente.

 O IBP agora possui uma ala liberal (e vitoriosa) e uma ala resistente.

Então, em artigo de 13 de dezembro de 2013, o padre Carusi critica uma série de coisas, desde a FSSP, até a própria ala “acordista” do IBP.

Mas o meu interesse é que ele também dispara para a FSSPX.

Meu francês é péssimo. Se alguém se dispor a escrever para o português o artigo do padre Carusi, será bem vindo. Se já existe a tradução em português, desconheço. Mas posso dizer por alto o que o padre disse em artigo sobre a FSSPX. Não me peçam para traduzir, sairia lamentável.

Do que entendi, o padre relata o episódio da execração de D. Fellay ao Padre Pinaud. Com efeito, apesar do padre Pinaud ser de “linha dura”, as medidas adotadas pelo Superior Geral contra este padre foram tão draconianas, tão autoritárias que chamaram a atenção mesmo do padre Carusi, que é insuspeito de falar, pois está inserido exatamente na obediência romana (que já não é “romana” tanto em teoria como em suas atitudes práticas, admitamo-lo).

E o padre prossegue recordando que há poucos anos atrás, o próprio D. Fellay punia padres, exatamente por suas tendências demasiado “acordistas”. Mas que há algum tempo o próprio D. Fellay mudou de perspectiva, a ponto de enviar até mesmo uma Declaração a Roma, declaração esta que vazou, e cujo conteúdo, a pouco tempo era tido como uma autêntica capitulação.

E o próprio padre recorda o abismo entre o Capítulo de 2006 e o procedimento recente do superior, que não somente fez tábula rasa do mesmo capítulo, que foi na época aprovado UNANIMEMENTE, e curiosamente não recebeu em troca, da parte dos padres que participaram do capítulo, um levante geral – como deveria ser – mas que, ao contrário, agora reprime duramente todas as vozes críticas!!!

E o próprio padre Carusi no final pergunta aos “confrades” da FSSPX, se eles realmente estão seguros em depositar toda confiança no superior geral…

O padre Carusi, sendo um membro de um instituto canonicamente unido a Roma, deveria ser o ÚLTIMO, o ÚLTIMO a levantar este tipo de dúvidas.

Mas fica aí o registro, para que os que estão na Resistência mais uma vez se certifiquem de que NÃO ESTÃO DOIDOS e nem enxergando mal, porque se até um sacerdote vindo de um meio para nós altamente suspeito consegue enxergar a evidente mudança, o que explica a imensa maioria dos membros da FSSPX agirem como se fosse natural este estado de coisas? Cuidado, irmãos da FSSPX! Façam alguma coisa, é EVIDENTE que há algo errado, não tentem contemporizar, vejam o enorme saldo de vítimas de contemporizações das últimas décadas e APRENDAM COM A EXPERIÊNCIA!

Eu entendo a fidelidade de vocês, mas diante disso, cuidem para que não guardem a unidade em detrimento da ALMA, porque nossa fidelidade é com a causa de Deus e da Igreja, e não com a FSSPX como fim último. Se a Resistência em algum momento atraiçoar a Fé ou expor os fiéis ao perigo, deverá ser abandonada IGUALMENTE, porque ela é MEIO e não FIM em si mesma!

Peço adiantadamente perdão se passei alguma informação errada, e deixo o link abaixo para que os interessados possam se reportar, e quiçá corrigir-me, o qual agradeço desde já, pois apesar de meu posicionamento ser claro, não pretendo de maneira alguma convencer ninguém com mentiras ou com mal-entendidos. Corrijam-me se eu de alguma maneira mal-interpretei o texto, e eu com alegria me retratarei e corrigirei as informações acima!

Leia aqui

Sobre Bruno Luís Santana

Ego Catolicus Romanus sum.
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