Carta a D. Walmor, arcebispo de Belo Horizonte

D. Walmor, atual arcebispo de Belo Horizonte, foi bispo auxiliar de Salvador, e foi o bispo quem me crismou naquela época, se é que o crisma valeu. Hoje em dia desconfio demais das intenções do clero pós-conciliar. Um dia, se Deus permitir, hei de ser crismado sob condições, segundo o inquestionável rito tradicional, só para garantir!

Para quem não sabe, a arquidiocese de Belo Horizonte vive atualmente uma série de escândalos extras, ou seja, acima dos escândalos “normais” do dia-a-dia…, porque a nova igreja que se diz católica, que não é outra que a religião maçônica há muito concebida e posta no mundo através da vitória modernista no Concílio Vaticano II, a religião pseudo-católica produz escândalos diários e é muito criativa em criar escândalos novos, envolvendo coisas, pessoas ou situações que ninguém sequer cogitaria. São neste sentido autênticos profissionais.

Hoje em dia, sem nenhum exagero da minha parte, sou obrigado a dizer que, na quase totalidade dos casos, encontrar uma capela aberta e pessoas entrando em seguida é quase 100% de certeza de que dali sairá algo de errado. Ou o escândalo produzido pela vestimenta das pessoas, ou produzido pela tagarelice irreverente, ignorando por completo o Santíssimo Sacramento e mesmo as regras de educação, ou o irritante som da parafernália instrumental, isso para não falar no teatrinho que enfeitam e chamam de missa.

Pode parecer reclamação de um velho rabugento, mas eu estou no início dos 30 anos e o que justifica minha indignação não é conservadorismo irracional, mas convicção. Nós, seres humanos fracos e inconstantes temos uma tendência ao farisaísmo e a comportarmo-nos de forma pública como se fôssemos respeitosos, quando em muitos casos não somos mais que sepulcros caiados e focos de vícios. Isso é FATO. Mas AINDA ASSIM a nossa miséria pessoal não pode ser justificativa para jogarmos tudo para o alto e comportarmo-nos sobretudo em um ambiente religioso como se estivéssemos num balneário!

Apesar de nossas misérias, e correndo o risco de sofrermos de esquizofrenia espiritual, sendo piedosos dentro da igreja e mundanos fora dela, apesar destes riscos, devemos lutar contra nós mesmos e dirigirmo-nos aos sagrados templos com reverência e decoro, e ao menos tentarmos manter este decoro e estes bons costumes em toda nossa vida aqui fora.

Então, se em um fórum onde se entra toda sorte de pessoas, honestas, marginais, maçons, assassinos, corruptos e injustiçados, se num lugar mundano como um fórum existem normas que proíbem o uso de determinadas vestimentas como bermudas, por respeito aos homens que ali frequentam, QUANTO MAIS NA CASA ONDE DEUS SE FAZ PRESENTE?

Se é para se dar ao trabalho de sair de casa, porque não calar a boca dentro da Igreja? As pessoas vão ao supermercado fazer compras, vão à faculdade estudar, vão ler nas bibliotecas, e porque cargas d’água não vão à igreja REZAR e ADORAR? Porque, caso precisem conversar, não o fazem brevemente e de maneira rápida, ou se retiram do recinto para ir tratar de suas questões nos átrios, na sacristia, ou qualquer outra parte que seja fora do templo?

Porque temos que aceitar como normal que se use uma melodia qualquer, uma letra com sabor de protestantismo, um acompanhamento de instrumentos mundanos e impróprios para o ambiente, ao invés de reservar a melhor letra, a melhor harmonia, a melhor melodia, a gravidade do órgão, as melhores composições, as melhores vozes? Podemos ir a um teatro escutar peças sacras, mas somos tão mesquinhos a negar o que há de melhor na genialidade humana em termos musicais, como o canto gregoriano, ou as peças sacras de Haendel, Bach, Mozart etc NÃO PARA NOSSO GOSTO, MAS PARA A GLÓRIA DE DEUS?

Não. Ninguém tem obrigação de gostar de música sacra e clássica. Mas independente do gostinho de cada um, é uma qualidade superior de música, talvez incompreensível para quem não tenha educação musical, mas dentro de nossas capacidades humanas, um esforço para dar algo de melhor qualidade a Deus!

Entendem? Quando se entende que Deus é Bom e totalmente digno de ser honrado com o que podemos oferecer de melhor, então este choque de mentalidades é inevitável. Na religião moderna e descartável, hoje em dia TUDO ESCANDALIZA! É o Império do vazio, onde as pessoas vão e voltam ocas, dirigindo-se à igreja atrás de distrações, de emoções, de sensações, de passar o tempo, ou por um costume que se torna igualmente vazio por elas mesmas fazerem algo que julgam ser certo, mas que nem mesmo se dão ao trabalho de entender porque é certo…

De forma que falar em escândalos hoje em dia em qualquer igreja que pensa ser, ou se diz católica, passou a ser um lugar-comum. Isso não acontece em 100% dos ambientes. Talvez em 99%, mas a Igreja não foi arrasada absolutamente. Mas convenhamos: hoje é tão banal que se viva e se participe das desordens, que a estranheza agora é encontrar um ambiente onde as coisas estejam em ordem!

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Os últimos acontecimentos em Belo Horizonte são a revolta sectária de revolucionários que se passam por cristãos, fomentada principalmente por um padre apóstata que ideologicamente faz parte da Ateologia da Libertação, um engodo que um dos seus sequazes já definiu publicamente como “marxismo na teologia”, e que tem sido a tara de muitos por aí.

Pois bem: numa demonstração de força, uma paróquia famosa e bem-$$$-frequentada de BH, tornada um viveiro de marxistas infiltrados, como resposta ao que decidiu a arquidiocese, no dia em que deveria receber o novo padre designado, quando o mesmo chegou ao lugar para as celebrações, foi surpreendido junto aos que o acompanhavam com uma rebelião generalizada das massas fanatizados pelo padreco herético.

O populacho fanatizado aquartelou-se no templo e tumultou aos berros as cerimônias que o grupo designado pela arquidiocese estava para realizar, causando uma celeuma extremamente escandalosa dentro de um ambiente sagrado, que eles evidentemente desdenharam em favor da manutenção do herético e cismático sacerdote em seu trono de ignonímia, mostrando à arquidiocese que ignoravam solenemente a autoridade do arcebispo, que foi inteiramente desconsiderado, como se a autoridade que Cristo deu aos Apóstolos houvesse sido abolida.

A arquidiocese energicamente tomou a seguinte providência: transferiu a responsabilidade para os superiores hierárquicos da ordem carmelita no Brasil (que estão tão pútridos quanto o mesmo padre de sua outrora tão augusta Ordem), e… Lavou as mãos!

Se acovardaram totalmente, como os mercenários da parábola, que diante do lobo fogem porque não são pastores que dão a vida por suas ovelhas, mas mercenários que delas não fazem caso. A arquidiocese desprestigiou-se inteiramente, na pessoa de seu arcebispo. É ilícito que eu procure futuramente me crismar sob condições, se o bispo que deveria ter me feito um soldado de Cristo (porque é este o efeito da Crisma!), ele mesmo foge da luta? Não que a Crisma dependa da santidade do sacerdote, e muito menos de sua coragem, mas um ato covarde desses somente ajuda a dar mais razões para que se questione a validade do Sacramento.

E quanto às almas dos que se dirigirão daquele conventículo de cismáticos, daquela sinagoga de Satanás, achando tratar-se de uma igreja católica? Quando o arcebispo deu de ombros, lembrou-se delas? Alguém se lembra delas? Que se danem as almas, há décadas que raríssimos são os que se importam com elas!

Claro que este caso não constitui invasão arquidiocesana na jurisdição de ninguém; a paróquia materialmente está subordinada à arquidiocese; não é um convento pertencente à Ordem carmelita, e seu fradeco está utilizando de um lugar emprestado. Mas como formalmente a paróquia deu as costas como resposta, então a arquidiocese simplesmente enfiou o rabinho nas pernas e decidiu-se por torcer as mãos…

De forma que o escândalo da OMISSÃO da arquidiocese conseguiu ser maior do que a REBELIÃO do padre – que há muito já deixara o catolicismo (se é que algum dia foi católico) e de sua seita de cismáticos.

Os hereges extremistas estão colocando os liberais moderados em maus lençóis, mas estão fazendo direitinho a receita do papa Francisco: ele mesmo está mostrando por gestos que deseja a democratização da religião, nomeando para isso uma comissão de oito cardeais para ajudá-lo a transformar a Igreja a qual ele deveria defender, sendo fiel em transmitir o Depósito da Fé que remonta aos Apóstolos, mas ao invés, massacrando-a, convertendo-a de maneira acelerada em uma democracia ao melhor gosto dos tempos modernos.

Até que chegue o dia em que cada fiel seja sua própria “igreja” seja lá o que isso signifique. Afinal de contas se é lícito desobedecer a própria arquidiocese, porque seria pecado desobedecer a paróquia, ou a pastoral, ou o grupo jovem, ou ao diretor espiritual? E não se trata aqui de uma desobediência em torno de uma ordem pecaminosa ou prejudicial à Fé, mas um simples ato cismático, uma usurpação de poder descarada, em nome de princípios modernos e revolucionários que jamais tiveram precedente na vida de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Como diz o povo: É cobra comendo cobra… Em outros tempos, eu estaria vivamente do lado da arquidiocese, mas no frigir dos ovos, depois de muito bater cabeça, ler e cooperar com a honestidade intelectual, há muito que percebi que a fonte de todos os grupos abrigados sobre a igreja conciliar é A MESMA: não importa se é Teologia da Libertação, ou Renovação Carismática, ou Comunhão e Libertação, ou Folcolares, ou Neocatecumenato, ou seja lá o que: uma vez admitidos os FALSOS PRINCÍPIOS do ECUMENISMO, da LIBERDADE RELIGIOSA e da COLEGIALIDADE EPISCOPAL, uma vez admitida a monstruosidade litúrgica que constitui a MISSA NOVA, não adianta correr para a esquerda ou para a direita, porque estarão todos vinculados à mesma raiz, todos dançarão a mesma música, cairão nas mesmas contradições e usarão os mesmos textos ambíguos do Vaticano II para justificar suas ações. Então, o que difere a arquidiocese da paróquia do fradeco em questão não é uma questão de essência, mas uma divergência de GRAU. Quando nos dirigimos para um ambiente moderno desses, serão sempre os mesmos princípios, a mesma infidelidade a Deus, o mesmo desmonte da Fé. E ainda digo mais: quanto mais conservador for o meio que aceite esses princípios, mais pernicioso será em transformar os católicos em liberais, e não qualquer católico, mas os poucos com algum conhecimento, mas que infelizmente não conseguiram identificar bem o que deve ser combatido e o que deve ser apoiado.

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Uma instituição ser sabotada por tanto tempo, e por uma quantidade tão grande de seus próprios membros integrantes, que se negam a defendê-la, mas golpeiam-na com muito mais crueldade do que os próprios não-católicos, por ainda estar de pé é sinal de que por trás de si há uma força realmente poderosa que a mantêm; a profusão de homens péssimos é tamanha, que a Igreja em suas dores e em seu desamparo termina por denunciar a sua origem divina, porque a cada amanhecer que chega, e a cada constatação de que ela AINDA existe, apesar dos seus filhos – do topo à base – é quase como a lenda da Fênix que renasce das cinzas!

Para cada santo, uma avalanche de pecadores. A começar por mim… E ela atravessa os séculos, apesar de nós… Nenhum reino, nenhum império, nenhuma organização, nenhuma ordem ou congregação religiosa, nada disso conseguiu atravessar tantos séculos. Só a Igreja viu o nascimento e a morte do ocidente. E só ela será a única testemunha das Instituições que nasceram e morreram depois da Morte e Resssurreição do Filho de Deus.

O que fazer pelo clero de Belo Horizonte? Oremos por todos eles. E recusemos qualquer contato. Quem tem doença contagiosa deve ser tratado por caridade, mas a prudência ordena que se faça todo o possível para se fazer o bem sem comprometer a própria integridade!

paróquia herética cantando vitória pelo extremismo revolucionário ter conseguido ignorar os liberais arquidiocesanos "moderados".

paróquia herética cantando vitória pelo extremismo revolucionário ter conseguido ignorar os liberais arquidiocesanos “moderados”. Mais de 2000 pessoas! Larga é a porta que conduz à Perdição, e muitos passam por ela”.

A Fé Católica é a própria Doutrina de Cristo. É um presente, um privilégio imerecido. Ninguém tem o direito de correr a mão neste precioso Depósito e desfigurá-la ao seu gosto ou achismo pessoal. Devemos transmitir fielmente o que recebemos, assim como fizeram as gerações anteriores a nós, desde os Santos Apóstolos. Nosso Senhor nos preveniu que se até mesmo um anjo descesse dos céus e ensinasse um evangelho diferente, que fosse anátema!

Ele não disse isso à toa. Ele alertou isso porque viria um tempo em que as pessoas REALMENTE se cansariam da Sã Doutrina, e se entreteriam às fábulas!

E o tempo chegou, e não é fora, mas dentro da Igreja. O palco de batalha é aqui, e agora!

A Igreja Católica não acabou, e nem pode acabar. Mas Nosso Senhor nunca disse que ela seria absoluta e imune a quaisquer tragédias NESSE MUNDO. Ela se reduziu praticamente a nada, mas ainda existe, ainda subsiste, e assim será até que venha o fim do mundo.

Portanto, entre a arquidiocese e a paróquia, recomendo que:

1- Rezem por todos eles;

2- Fujam deles como se tivessem peste;

Bem, finalizo aqui, deixando uma crítica muito mais interessante que a minha, que vocês podem encontrar no link abaixo:

Ou na íntegra, aqui mesmo!

Caríssimo D. Walmor,    Venho por meu deste modesto post me solidarizar com vossa omissão no caso do herege da Igreja de N. Sra. do Carmo, em Belo Horizonte. Seus críticos ainda não entenderam nada da situação. Ficam cobrando que o senhor afaste o indigitado padre por negar Dogmas da Santa Igreja, fazer afirmações heréticas, e coisas assim. É certo que van Balen não acredita na Presença Real e no Deus Uno e Trino. Mas, o senhor certamente sabe que também D. Mueller, prefeito do antigo Santo Ofício, nega, por escrito, importantes Dogmas da Igreja e nada com ele acontece. E alguns fiéis reclamam que o senhor nada faz. São uns tontos!    Como punir van Balen, se o Cardeal Braz de Aviz, com alto cargo no Vaticano, afirma que entre o falso e verdadeiro, devemos ser flexíveis? E não é exatamente isso que o senhor está sendo, flexível! O que querem os que o criticam?    Além do mais, seus críticos se esquecem do que está contido nos documentos do Concílio Vaticano II. Ouso dizer que o senhor deve ter se baseado na Dignitates Humanae em sua decisão de nada fazer: “Este Concílio Vaticano declara que a pessoa humana tem direito à liberdade religiosa. Esta liberdade consiste no seguinte: todos os homens devem estar livres de coação, quer por parte dos indivíduos, quer dos grupos sociais ou qualquer autoridade humana; e de tal modo que, em matéria religiosa, ninguém seja forçado a agir contra a própria consciência, nem impedido de proceder segundo a mesma, em privado e em público, só ou associado com outros, dentro dos devidos limites. Declara, além disso, que o direito à liberdade religiosa se funda realmente na própria dignidade da pessoa humana, como a palavra revelada de Deus e a própria razão a dão a conhecer. Este direito da pessoa humana à liberdade religiosa na ordem jurídica da sociedade deve ser de tal modo reconhecido que se torne um direito civil.”    Ora, D. Walmor, van Balen, portanto, merece todo o nosso respeito, por estar no pleno direito de praticar a religião que sua consciência aceita e não deve ser coagido, de modo algum. O pessoal ainda não entendeu o espírito do concílio! Ora todos que aceitam integral e completamente o CVII, um concílio que nada condenou, nem o comunismo, que à época, já tinha matado uns 100 milhões de indivíduos, cujos documentos afirmam a liberdade de consciência e outras coisas mais, não pode agora, de súbito, vir criticar o senhor, D. Walmor. O que o senhor está fazendo está não só plenamente em consonância com passagens dos textos conciliares, mas sobretudo é integralmente coerente com o espírito do concílio.    Portanto, D. Walmor, receba minha total solidariedade e creia que o senhor está sendo completamente coerente com a Igreja do Concílio Vaticano II, mesmo que esta Igreja esteja cada vez mais longe da Igreja de Cristo, mas isso é um detalhe insignificante frente às pressões do mundo moderno. Afinal, Cristo viveu no longínquo Império Romano, e não na modernidade. Temos que atualizar a doutrina d’Ele, não é mesmo? E não dá para negar que van Balen faz exatamente isso.     Portanto, parabéns por sua postura tão coerente e moderna! Criei até um lema para seu arcebispado: omissão é também ação. Como negá-lo?

postado por Antônio Emílio Angueth de Araújo em 10/02/2014

Sobre Bruno Luís Santana

Ego Catolicus Romanus sum.
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