Uma lágrima… Pela paixão de Joana!

santa joana d arc

Um dia uma jovenzinha sai pelo mundo para fazer cumprir os desígnios pelos quais foi escolhida: o de ser salvadora.

A sua vida está repleta de passagens que reconstituem os passos do Precursor de todas as epopéias verdadeiramente justas: Nosso Senhor também teve vida humilde, até que no amadurecimento dos tempos saiu pelo mundo para ser o Salvador de todos!

Ela atravessa a França destroçada, com os campos desertos e as estradas infestadas de bandidos e malfeitores; A França em grande parte era território inglês, e caminhava para deixar de existir enquanto nação; Ele caminhava pela Judéia tornada província romana, entre os pecadores e pelos desertos.

A donzela pobre, camponesa, analfabeta e ignorante, varonilmente consegue encantar o monarca e toda a corte. Veste a couraça, levanta o estandarte, ergue a França, por Deus, pela França, pela Igreja!

“Lança-se à guerra; e nos campos jamais vistos, nos combates, nada a assombra; lança-se intrépida em meio às espadas, as quais nunca teve familiaridade. Sempre ferida, nunca desencorajada, tranquiliza os velhos soldados, arrasta todo o povo, que se torna soldado como ela, e ninguém ousa mais ter medo do que quer que seja. Tudo está salvo! A pobre moça, com a carne pura e santa, com esse corpo delicado e terno, embotou o ferro, quebrou a espada inimiga, cobriu com seu seio o seio da França”.

Nosso Senhor sai e prega o Evangelho. Prega ao povo, conquista multidões de discípulos que o seguem por toda parte, confunde os fariseus em seus ardis, humilha os orgulhosos e ensina através de Parábolas, eleva através do exemplo, demonstra que é Deus e o Messias de Israel, e dá o Seu Corpo e o Seu Sangue para que os seus tenham vida, e rompam o jugo do pecado que leva ao Inferno, mostrando a todos em que consiste o Reino de Deus.

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ChristEntersJersusalemA recompensa é a seguinte: entregue por meio de traidores, ultrajada pela soldadesca, tentada pelo sinédrio improvisado, cujos fariseus revividos tentavam enredá-la com seus ardis maliciosos, ela resiste a tudo neste derradeiro combate, eleva-se acima de si mesma, eclode em palavras sublimes que farão chorar eternamente… Abandonada por seu rei e por seu povo, cuja coroa e nação foram salvos por ela mesma, retorna ao seio de Deus pelo cruel caminho das chamas, faz do cadafalso sua única glória, e em meio ao fogo expira, olhando o crucifixo que havia pedido a um sacerdote que o segurasse em sua frente, gritando em alta voz reiteradas vezes “Jesus!, Jesus!, Jesus!” E entre as chamas, pouco antes de render a alma, confirmou mais uma vez: “as vozes não mentiram!”.

Nosso Senhor foi entregue por seu próprio apóstolo aos inimigos. Ultrajado pelos ímpios, humilhado, cuspido, difamado, ridicularizado, esbofeteado; no Sinédrio fora insultado e escarnecido, em casa de Herodes, destratado e subestimado, perante Pôncio Pilatos injustiçado. Em meio a tanta dor, entregue à ferocidade dos maus, longe de todos os seus amigos, Nosso Senhor, longe de se intimidar, manteve-se humilde, calado, forte e resignado.

Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. Ele não abriu a boca“. (Isaias LIII, 7).

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images (1)Abandonado por todos, Homem das Dores, suspenso numa cruz entre malfeitores, entre tanta injustiça, tanta atrocidade, mesmo Nosso Senhor enquanto Homem sentiu-se desamparado, abandonado, esquecido.

Eli, Eli, Lama sabactani?

Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonaste!!?

E os amigos de Jesus, onde estavam, com exceção de sua mãe Maria, de João e outras pobres mulheres que não cessavam de prantear tamanho infortúnio?

In Manus Tuas Domine, commendo Spiritum Meum. Em tuas mãos entrego o meu espírito. E tudo está consumado.

Morto como criminoso. Morta como criminosa. Morto numa cruz; morta numa fogueira. Morto entre os inimigos, morta entre os inimigos. Inocente; inocente.

Evidentemente que, salvo as devidas proporções, em meio ao abismo que separa a pura  Joaninha de Nosso Senhor Jesus Cristo, Homem e Deus, a pobre Joana morreu como viveu: conformada à Cruz de Cristo. Não era uma doutora; não era uma mulher experimentada pela vida. Não era sequer uma mártir fortalecida por suas doutrinas, e que por elas aceita a morte. Era uma moça, uma criança, que só amava a Deus sobre todas as coisas, conforme aprendera em família, no dia-a-dia de seus afazeres, naquele lugarejo chamado Domrémy.

O sangue de Nosso Senhor fez a Igreja; o sangue de Joana fez de um emaranhado de províncias e feudos uma nação. Nação essa que em hora boa separou-se da Inglaterra, que mais tarde seria subjugada pela heresia.

E quem chorou por Nosso Senhor naquela cruz? E quem lamentou tamanha injustiça?

Uma lágrima pela filha de Deus. Uma lágrima pela pobre Joana!

Alguém leve adiante o estandarte de Joana. Não o deixe cair, porque o estandarte de Joana é a Cruz de Cristo, as cinzas de Joana foram dispersadas pelas águas e pelo vento, e a doce França de outrora a recebeu na terra, assim como anjos e os santos a receberam no Céu.

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Uma prece por mim, uma oração por vós, uma menina atingida pela Benevolência Divina, e uma história feliz de abandono de si, de serviço, de conformidade ao Bom Deus.

Referência bibliográfica:

Artigo baseado em trechos da publicação JOANA D’ARC, Michelet, Plínio Augusto Coelho.

Sobre Bruno Luís Santana

Ego Catolicus Romanus sum.
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