D. Lefebvre – um bispo na tormenta

Peço aos leitores deste blog que experimentem um pouco mais suas paciências, porque mais uma vez começarei outro dos meus extensos escritos, mas minha cabeça está em plena atividade, de maneira que preciso aproveitar a inspiração e descrever a razão de me manifestar mais uma vez.

Estou escrevendo ao mesmo tempo em que sou obrigado a ouvir as lamentáveis cirandas que tocam neste momento na igreja matriz próxima de meu apartamento. Estou há pouco mais de um ano e meio vivendo em uma cidade do interior da Bahia, e de minha janela posso ver o altar do Sagrado Coração de Jesus, de uma ampla igreja em estilo colonial. Mas meu consolo para por aí. Não sei em outros estados, mas na Bahia é comum que as igrejas matrizes tenham microfones voltados para a rua, de forma que posso ouvir (para meu desgosto!) todas as tolas cantigas que vêm da igreja – que eu, diga-se de passagem, no passado ajudava a fazer coro, literalmente… Hoje em dia escuto a cadência dos instrumentos que acompanham as músicas e, convenhamos! Quando não são músicas carismáticas, em tudo semelhantes a qualquer seita pentecostal, se tratam daquelas músicas acompanhadas de pandeiro, tambor e violão, num ritmo que lembra muito aquelas musiquinhas de realejo ou parque de diversões… Do que foi feito dos hinos antigos ou do canto Gregoriano, ou da Polifonia, ou do trabalho de tantos gênios da música? Vou reformular: do que foi feito do esforço humano para oferecer a Deus o melhor de si? Retiraram tudo isso para oferecer algo popular, sob pretexto de ser algo mais “do coração” do povo. Ora, bolas!!!!!!! Agradar a Deus é ter um coração contrito e humilhado; é se emendar e fazer resolução de não mais pecar! A intenção de dar  a Deus o que Lhe é de direito, esta sim é bem acolhida por Ele, que sonda os corações. A pretexto de aproximar o povo do altar (como se a Igreja que sempre foi assistida pelo próprio Cristo houvesse caído em erro por todos estes séculos), se desceu o nível. decaiu, decaiu, decaiu. E quem se elevou com isso? O que eu percebi desde minha infância foi a elevação dos egos, a começar pelo meu próprio, porque me recordo da minha disputa com os outros pelo microfone da igreja, acotovelando-me com os demais para ver quem cantava melhor estas cirandas de jardim de infância!

Perdoem-me, leitores. Como sempre, divaguei tanto que fugi completamente do tema. Vamos lá. Falemos sobre o título deste artigo. Dom Lefebvre: um bispo na tormenta. Creio ser desnecessário apresentar este arcebispo, um homem que me considero indigno de tecer um elogio, pois quando penso já admirá-lo bastante, sempre descubro que o velho monsenhor me surpreende positivamente. De forma que não o elogio pelo fato de saber que não tenho o direito de falar diretamente de um homem que em vida foi tão conformado com a vontade de Deus. Mas posso indicar fortemente, entusiasticamente, urgentemente que assistam o filme D. Lefebvre – um bispo na tormenta.

Em relação ao filme, não digo isso por considerar-lo impecável, perfeito, completo. Digo que o filme, em termos de conteúdo é SUFICIENTE. Em alguns detalhes ele poderia se deter um pouco mais, mas em si é SUFICIENTE, e tenho certeza que, assim como o recebi apenas hoje, muitas pessoas – inclusive pessoas que não são tradicionalistas – já devem ter acabado de assistí-lo, ou estão aguardando por seu recebimento. Pois quem não o tem, procure obtê-lo. É um conselho que dou.

Permitam-me uma pequena reflexão que tive, assistindo-o: Monsenhor Lefebvre passou  uma boa parte do seu tempo desejando por todos os meios uma solução canônica que reconhecesse a fraternidade sacerdotal que o mesmo fundou, mas que de maneira alguma se sentia dono, porque como bom católico, ele sabia que a regularização canônica é um bem indigno de ser desprezado, pois aos olhos da Igreja é um endosso e um encorajamento para que os cristãos dela se aproximem para colher seus frutos.

E no entanto, na contramão de seu desejo, ele fez precisamente o contrário! Vejam bem! Ele em seu coração desejava uma união canônica, mas o simples bom-senso, a simples honestidade intelectual, ao invés de buscar um bem para sua “facção”, ao invés disso – e prevendo a incompreensão de muitos de seus apoiadores, e o abandono de vários deles – o levou a tomar uma posição definitiva e firme: diante do mundo inteiro ele disse um sonoro BASTA aos enlouquecidos de Roma, daquela Roma que ele não reconhecia como a mesma Roma de seus tempos de seminarista, quando o padre Le Floch era o reitor do Seminário Francês, daquela Roma tão amada por D. Lefebvre pelo sangue de seus mártires, pelas virtudes de seus santos, pela voz de seus papas, pela dignidade de suas basílicas… Esta Roma que, tenho certeza, esteve naquele coração idoso até o último suspiro, pois é a Roma de todo católico verdadeiro, é o prenúncio da Nova Jerusalém, é a capital da Igreja neste mundo, é o lugar da Cátedra do chefe do Colégio Apostólico, a quem foi dada autoridade, e de quem Cristo em pessoa fundou e ainda agora edifica a Sua Igreja, Sua Esposa, cuja prole é imensa e se estende por todo o mundo, e seguirá fértil até a consumação dos séculos.

Dom Lefebvre foi a prova viva de que, acima de tudo, acima até mesmo da vontade pessoal – por mais legítima que seja, por mais virtuosa que seja – existe uma responsabilidade superior que obriga a se deixar levar para lugares onde não se deseja. Percebam: Dom Lefebvre anelava em ver uma fraternidade reconhecida pelo Vaticano, em pé de igualdade com qualquer instituto. Era um desejo ardente. E no entanto, apesar de seu desejo pessoal – muito legítimo – rompeu com a mesma Roma, e sagrou não um, mas quatro – QUATRO bispos sem mandato apostólico, de forma a deixar claro que a Tradição não poderia correr riscos, e não deixaria apenas um bispo como sucessor, para garantir que dos quatro, em períodos de dificuldade, houvesse sempre algum ou alguns que não cairiam diante do Leviatã Modernista. Um bispo sozinho poderia em um dado momento sofrer uma morte súbita, ou algum impedimento de qualquer ordem, ou simplesmente se cansar e entregar os pontos. Mas quatro bispos? Foi uma garantia para a Tradição, mas também foi pedir para romper com Roma.

De que raro discernimento podemos enxergar agora, passados vinte e cinco anos… Certas coisas não são compreendidas no calor do momento, mas precisam de tempo para ser bem assimiladas, e só agora se pode perceber um pouco da envergadura de caráter de um arcebispo, um bispo (D. Castro Mayer) e alguns católicos, contra o mundo inteiro!

E à medida que o filme passa, constatamos indiretamente o desespero dos fiéis que queriam permanecer católicos como aprenderam no catecismo que receberam de seus pais, que foi transmitido por seus avós, desde séculos e séculos… Após a crise entre D. Lefebvre e o Vaticano, na década de 70, pelo CRIME de ter ordenado  sacerdotes utilizando os livros litúrgicos que a Igreja sempre usou até o pós-Concílio, e o DESCARAMENTO de permanecer rezando a missa que sempre foi rezada no ocidente latino, Dom Lefebvre foi suspenso a divinis, ou seja, proibido de ministrar qualquer sacramento.

Qual pecado? Qual acusação? De ser fiel ao que era feito até dez anos atrás? Então era pecado o que se fazia dez anos antes? O papa ao puni-lo por estes razões, não estava condenando indiretamente todas as práticas católicas até o Concílio Vaticano II?

O papa pode condenar toda a Igreja Católica?

O que dizer deste atrevimento? Foi uma audácia irresponsável, ou foi antes uma reação esperada, diante do tsunami que do dia para a noite alterou TUDO no dia-a-dia da Igreja, não poupando sequer as vestes dos religiosos?

Pois, voltando ao filme: mesmo após a suspensão – que ele não via outro alternativa a não ser desacatar – na primeira viagem que D. Lefebvre fez em missão para a França, o mesmo, após definir que rezaria missa e pregaria na cidade de Lille para um público de 500 pessoas, ouviu dos organizadores vários telefonemas alterando a cada dia o local do encontro, por não poderem conter a quantidade de fiéis que queriam assistir Missa Tradicional e necessitavam de alguém que lhes explicasse o que acontecia com a Igreja.

A missa para 500 pessoas terminou tendo um público 20 vezes maior. Dez mil pessoas acorreram ao encontro de D. Lefebvre, dez mil fiéis desgarrados como ovelhas sem pastor, escandalizados com seus padres que há pouco tempo lhes guiavam e lhes alimentavam com os Sacramentos.

Voltando às divagações.

Sou muito grato ao meu livreto Instrução Religiosa – o qual está todo publicado neste blog – por um de seus curtíssimos e profundos ensinamentos, logo nas primeiras páginas.

“Devemos servir a Deus como Ele quer ser servido, e não como nos convém”

Caros e pacientes leitores, será que vocês percebem o que vejo nesta máxima acima? Vocês podem perceber o puro teocentrismo que esta frase conduz? A frase diz que Deus está no centro, e nós estamos na periferia. Diz que diante de Deus nossa vontade fica em segundo plano. Diz ainda mais do que isso: que independente de nossa intenção, por boa ou ruim que seja, diante da Vontade de Deus ela deve ser MORTIFICADA. Nem sempre a vontade de Deus é a nossa vontade. Eu ou você, leitor, podemos ter a melhor das boas intenções e das vontades de ver o triunfo da Igreja de Cristo, mas nossas intenções são areia diante dos desígnios de Deus. É extremamente complicado falar disso, pois como somos criaturas decaídas pela concupiscência que o Pecado Original nos legou, muitas vezes tendemos a identificar como vontade de Deus o que é na verdade o nosso próprio ego.

E tenho certeza que isso passou na mente do arcebispo Lefebvre, porque é sabido que até horas antes de enfurecer o Vaticano com a sagração dos bispos, o pobre octogenário se via atormentado com a idéia de que porventura estivesse fazendo prevalecer o seu parecer!

Mas como poderia ser apenas obra de seu ego, se tinha diante de si  multidões de almas aflitas que se acotovelavam para vê-lo repetir o que a Igreja sempre fez? De almas que compartilhavam com ele os mesmos dramas, as mesmas dores, o mesmo sofrimento em ver os padres, os bispos e cardeais, o próprio papa sabotando a Igreja?

Conta-se que no encontro de Assis um monge beneditino foi arrastado pela polícia, porque reagiu diante de uma cerimônia pagã feita em cima do altar de uma igreja católica. Até mesmo o cardeal Silvio Oddi, que de maneira alguma estava “brigado” com Roma, mas pelo contrário, foi expectador desta abominação onde todas as religiões falsas se confraternizavam com o sucessor de São Pedro, o cardeal horrorizado com tantos absurdos, disse: “o escândalo entrou em meu coração”. Imaginem que punhalada não sofreu este pobre arcebispo fiel, que passou a vida a servir a Igreja por amor, e no final de sua existência sofria calado não tanto a ingratidão dos chefes da Igreja de Cristo, mas o desdém com que os mesmos reservavam para as coisas sagradas…

O beato João Paulo II pode contar entre seus milagres o de não ter conseguido fazer infartar o arcebispo Lefebvre, que naquela altura padecia de câncer.

Por incrível que pareça, a abominação de Assis terminou por tornar-se um elo entre mim e o monsenhor. Eu tinha apenas quatro anos quando isso aconteceu. Mas isso repercutiu dez anos depois, quando em plena adolescência tomei conhecimento desta idolatria da pior maneira. As Testemunhas de Jeová usavam esta munição para matar o cristianismo das almas, e esta constatação não me arrancou da Igreja por um triz. Mas ainda lembro quando eu dizia para mim mesmo “não sei mais se sou católico”.

Alguém mande pendurar na conta do beato este milagre. Ele conseguiu a proeza de não matar um coração de um velho arcebispo, e de não conseguir a apostasia de um católico. Meu Deus, eu espero um dia me libertar desta revolta, preciso me humilhar e arrancar isso de meu coração, ou terei que pagar também por mais este defeito.

Como poderia ser o próprio ego, se a inclinação de Dom Lefebvre desejava exatamente o contrário? Não a ruptura, mas a regularização! Dom Lefebvre compareceu em todas as ocasiões em que foi chamado por Roma, mandou abrir todas as casas da FSSPX para todas as inspeções que lhe ordenaram, e chegou mesmo a assinar – porque era o seu ego falando – um documento de regularização. Documento esse que o mesmo, chegando em casa, e sem que ninguém lhe pressionasse – que fique bem frisado, no dia seguinte apressou-se em renegar, voltando atrás com a palavra dada, pois se tratava muito mais do que honra pessoal. E honra para um homem sério tem VALOR. Hoje quase ninguém nem sabe o que isso significa… Mas D. Lefebvre foi de outra época, de outra formação, do tempo em que a decência ainda tinha seu lugar.

E com isso podemos voltar à máxima que destaquei acima:

“Devemos servir a Deus como Ele quer ser servido, e não como nos convém”

Se fosse a vontade dele, seríamos hoje o que é Campos, o que é a FSSP, o que é qualquer grupinho que para não perder a Sé perde a Fé, ou seja, que negocia os princípios para poder ostentar regularização…

Minto. Seríamos MENOS do que esses grupos. Porque se Roma concedeu a estes algum benefício a mais, foi exatamente para fidelizá-los sob sua influência, afinal de contas, quanto mais se recebe, mais se tem a perder; para diminuir neles a tentação de unirem-se ou voltarem à FSSPX, ou para persuadir a própria FSSPX  a deixar as almas em segundo plano e acomodar-se num conforto jurídico, como se os cristãos verdadeiros que sofreram em todos, TODOS os tempos  tivessem levado a palma da vitória por outra via que não fosse a do martírio ou da incompreensão!

Os cristãos poucas vezes são realmente ‘cristãos’ quanto nas vezes em que são martirizados ou atormentados. O que seria dos cristeros mexicanos se Deus não lhes permitisse serem chacinados pela maçonaria? Talvez acabassem sendo os católicos meia-boca que pululam por todo lado…

E assim viveu o monsenhor. E assim morreu o monsenhor. No final de sua vida, por seguir sua consciência, assim como Cristo foi crucificado entre malfeitores, monsenhor Lefebvre, que eu não ouso comparar a Nosso Senhor – que é Incomparável -, mas que ouso ressaltar seu fim – terminou seus dias escarnecido pelo populacho, excomungado, marginalizado como se malfeitor fosse!

Cismático! Cismático! Quantos e quantos não disseram isso dele?

E no filme alguns poderão ver de passagem qual bispo serviu como diácono em seu funeral: D. Rifan. O mesmo D. Rifan que chama de cismática a mão que lhe alimentou. Que Deus se apiede, oremos por este bispo cujo sobrenome parece ter mudado de substantivo a um verbo. De Rifan, parece agora rifar… Ou será que me engano?

Mas esta resposta me faz recordar também do que a Virgem Maria garantiu a Bernadette, em sua aparição: “(…) não prometo fazer-lhe feliz nesta vida, mas na outra!”. E além da consciência tranquila, D. Lefebvre, da parte da maioria dos homens recebeu incompreensões e insultos em vida. Que Deus o tenha em bom lugar!

No final, uma de suas irmãs conforme a carne (e quiçá também conforme o espírito) pergunta a ele  sobre o futuro da Fraternidade após sua partida. Como resposta ouve: “Não me causa preocupação. Se for de Deus, vingará e dará fruto. Se não for, simplesmente morrerá”.

Agora respondam, homens de coração duro: se uma resposta destas não é de um homem  de fé verdadeiramente católica, o que seria uma resposta mais perfeita do que esta?

O que mais me deixa estupefacto é alguém ler essas linhas e não se mover de onde está!  E não fazer nada, não reagir, não unir forças contra todo este oceano de maldades que um arcebispo idoso teve a coragem de enfrentar!

E a FSSPX sem dúvida, longe de desaparecer, cresceu e deu muitos frutos.

E ainda dá.

Mas agora, depois de todos esses anos, agora, assim como o mundo da voltas e às vezes a História parece se repetir, agora a fraternidade vive uma crise aguda que, olhando de longe, parece algo como um risco ou umas pedrinhas soltas em torno de uma muralha, mas em seu interior parece uma fenda que ameaça de uma hora para outra abrir-se e esmigalhar todo o edifício.

Faz-me recordar a alegoria do sonho do rei da Babilônia, em que sonhava com uma estátua com cabeça de ouro, peito de prata, coxas de bronze, e pés de barro e ferro. Ou seja: um reino dividido que em um dado momento trincará e derrubará todo o edifício.

Costumo dizer que, se somos homens e estamos vivos, nunca é tarde para nos emendar, então as coisas não precisam necessariamente seguir um determinismo. Creio que, se for da vontade de Deus, e através de muita penitência e oração, se poderá ainda, com muita humildade e abandono a Deus, reverter o quadro e ao menos tentar restaurar muito do que já foi quebrado.

O que se quebrou na FSSPX de maneira evidente, desde o ano passado foi a CONFIANÇA. D. Lefebvre nos ensinou que nem sempre a nossa vontade – por muito legítima que seja – pode ser atendida, ainda que pareça justa. Ainda que nos console.

Ele quis uma coisa, mas fez outra totalmente diferente, porque há um hiato entre o que se quer fazer e o que se deve fazer. Que melhor exemplo de teocentrismo do que renunciar à própria vontade por causa de Deus?

E por outro lado, meditemos nos Evangelhos as atitudes sempre tomadas por Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele sempre foi muito claro e sempre recomendou muita transparência aos seus. Sempre foi de uma palavra só: Sim, sim, não, não. O que passar disso vem do MALIGNO.

Não existe, não existe, não existe, não existe outra maneira, não há outra saída. Não é cristão acercar-se de Roma através de DISSIMULAÇÕES, tentando converter Roma por dentro. Este método traiçoeiro foi usado pelos modernistas e por todos os filhos da serpente, pessoas de língua dupla e desonradas. PARA SE PROPOR A BOA NOVA, ALÉM DO SIM, SIM, NÃO, NÃO, OUTRA MANEIRA NÃO HÁ!

Não estou fazendo julgamento pessoal do papa ou de cardeal ou bispo algum que está mergulhado neste lodaçal de princípios. Mas se eles NÃO MANIFESTAM VONTADE DE MUDAR, permanecerão querendo o que não podemos aceitar, e esta queda de braço vai durar até que alguém seja vencido pelo cansaço e passe para o outro lado!

Por favor! Nosso Senhor não nos pede a vitória, mas Ele nos pede a luta! Os cristãos martirizados no Coliseu venceram porque resistiram até o fim. Não foi por uma época, não foi por um período, mas até a reta final.

Depois de 25 anos nós podemos ver como o trabalho de D. Lefebvre – que provou ser mesmo obra de Deus – deu seu fruto, e como seus opositores se cobriram de ridículo. Agora estamos diante de uma crise. Precisaremos de mais 25 anos para contabilizar a sua real extensão?

Preciso confessar a vocês algo que muitos aqui não sabem: Eu, pessoalmente nunca gostei muito de D. Williamson. Dos meus tempos de “amigo da Montfort *”, sempre concordei com eles que o mesmo seria o pior dos quatro. Mesmo depois quando me distanciei deste grupo e passei a ter uma visão menos antipática ao bispo, apesar de ter aderido à causa da FSSPX, via nele certas atitudes que me pareciam demasiado problemáticas, e também me pareceu de uma ingenuidade lastimável o episódio em que o mesmo monsenhor se deixou enredar na armadilha que constituiu a entrevista que levou àquele imenso falatório em torno das câmaras de gás e acusações de antissemitismo.

Nunca morri de amores. Aliás, não sei mudei muito em relação a isso, ao contrário de alguns que sempre tiveram afinidade com ele, e isso está evidente na própria Rede Mundial de computadores. Quem quiser pesquisar o que escrevi e que ainda consta no orkut, ou talvez pesquisando simplesmente no google ou como preferir, poderá constatar que estou sendo verdadeiro no que afirmo. Assim como poderá ver também a benevolência que eu tinha com o Superior Geral, D. Fellay.

Mas não se trata do meu gosto, nem da minha vontade.

Há muito tempo monsenhor Williamson enxergou que, muito lentamente mas com um tímido avanço, sob uma aparência de convicção, de alguma maneira a intenção de D. Lefebvre estava sendo substituída, talvez até mesmo inconscientemente… Mas estava sendo eclipsada!

Provavelmente o que menos despertou minha simpatia por D. Williamson foi ver sua inabalável dureza em cortar qualquer conversa com Roma, pois para ele parecia mais fácil fazer isso do que para D. Lefebvre, que tinha o desejo confesso de regularizar a FSSPX, apesar de ter sabido mortificar sua inclinação na hora devida. Mas a aparente indiferença de D. Williamson me levava a considerá-lo – e se estou errado, que Deus me perdoe – como um espírito mais propenso ao sectarismo, ou ao cisma.

Quanto a D. Fellay, eu mesmo era mais inclinado a ouvi-lo e a concordar com que o mesmo dizia… Podem procurar no Fratres in Unum. Há poucos anos ele esteve aqui na Bahia para crismar alguns católicos e eu mesmo fiz uma espécie de cobertura de imprensa, que rendeu inclusive um artigo que lá se encontra.

Mas o próprio passar do tempo me fez ponderar melhor a situação . Sempre desconfiei muito de minhas certezas (claro que não me refiro ao dogma ou à Fé Católica, minhas incertezas neste campo há muito já foram eliminadas). Minhas mudanças sempre foram lentas, porque até onde eu sei não recebi de Deus nenhum privilégio para ser inerrante… Enfim, passei a refletir um pouco mais a respeito.

Constatei que o pontificado de Bento XVI poderia – apesar dos pesares – trazer algum conforto aqui e ali, poderia trazer uma relativa melhoria neste ou naquele assunto, mas em SUBSTÂNCIA, seria uma continuidade da crise em que estamos vivendo.

O papa Francisco é a prova viva do que estou dizendo. De uma tacada só ele praticamente deitou abaixo quase oito anos de um pontificado baseado na diplomacia, e que levou Bento XVI a derrota por não ter sido quente nem frio, mas MORNO.

Então percebi que a igreja conciliar e a Tradição – que a FSSPX defende – apontam para sentidos opostos. Estão tão distantes quanto o norte está do sul. E percebi que não havia vontade de conversão em nenhum dos dois campos. Nem mesmo D. Fellay queria transformar a FSSPX num grupo modernista, e muito menos o próprio Bento XVI desejaria exorcizar o modernismo do Concílio.

Querem uma prova? Qual foi a reação de Bento XVI às teses de Monsenhor Gherardini? No entender de Bento XVI, corrigir o Concílio e dar-lhe uma interpretação católica e definitiva era ir longe demais… Bento XVI era e é um homem do Concílio.

Não havia mais como se levar adiante. As conversações doutrinais que duraram tanto tempo terminaram em que? Os dois campos encastelados em seus pareceres.

E  monsenhor Williamson e alguns poucos conseguiam enxergar o abismo. Até mesmo o blog radio Cristiandad (que não suportava, e ainda hoje não consigo ler) repetia o alarme.

Não tinha jeito mesmo. A solução prática mais uma vez – como sempre foi na história da Igreja – era a da pura e simples intransigência.

A simples palavra já soa mal, nos remete à cegueira dos sectários. Mas a intransigência nem sempre é fanatismo. Às vezes é um remédio muito amargo que se deve tomar, na falta de outra solução. Não foi intransigência sagrar os quatro bispos sem mandato?

Então, no ano passado D. Fellay nos põe na beira do abismo. Quando surgiram os rumores de que Roma tentaria forçar o ingresso da FSSPX através de uma regularização canônica, no meio de toda aquela pataquada de exigências (como é que um católico pode lidar com o sucessor de Pedro e arrancar-lhe garantias? O papa é nosso superior, isso simplesmente NÃO EXISTE!!!!), EM MEIO A TUDO ISTO, D. Fellay diz em outras palavras que “pessoalmente preferiria que a FSSPX permanecesse como está… Mas Roma não quer mais…

Ou seja: o Superior estava anunciando a submissão “a contragosto”. Mas Roma, talvez prevendo que, longe de arrastar a Fraternidade, terminaria por arrastar uma facção que talvez fosse muito menor do que se esperava, e por outro lado, com o esperneio do herege Muller, prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, e pela própria nota papal, em que o pontífice esclarece mais uma vez a posição oficial da Roma Conciliar, o acordo naufragou.

Mas a confiança em D. Fellay naufragou junto.

Como a grande maioria dos fiéis estava anestesiada, assim como eu estava há não muito tempo, então ninguém se deu conta da gravidade da situação. Ninguém se deu conta que, independentemente do que se passava na cabeça de D. Fellay ao expulsar D. Williamson da mesma Fraternidade, objetivamente D. Fellay estava de uma maneira ou de outra, livrando-se do seu maior obstáculo.

Não sei se ele percebeu o quão autocrata estava sendo. E o quão estranha era a sua postura de Superior Geral, com poder de expulsar inclusive um bispo sagrado pelo próprio D. Lefebvre!

D. Lefebvre, que sempre deixou claro que não tinha direito ou poder algum sobre seus seminaristas. O que diria ele ao ver o poder de fogo alcançado por seus sucessores?

Pois agora estou com o coração na FSSPX e o cérebro na resistência capitaneada por D. Williamson. Eu não deixo de acompanhar com certa alegria as ordenações sacerdotais em Écône e alhures, minha inclinação (ainda) é para a FSSPX, mas sei que – com todo o meu desânimo, ou apesar dos pesares – D. Williamson e seus padres refratários, cuja resistência em termos até mesmo numéricos cresce devagar e sempre, com uma gradual e lenta adesão de padres, leigos e religiosos – está com a razão. E devo segui-lo. É duro, é muito duro dizer isso, mas por amor à Igreja Católica Apostólica Romana, deve-se fazer um cordão de isolamento total contra o clero conciliar – a começar pelo papa, e por todos os outros contaminados pelo liberalismo católico – e rezar por eles. E não ter previsão para mudanças, aliás, não esperar nesta vida alguma alteração, a menos que haja uma visível e completa conversão do lado dos que sustentam a igreja conciliar.

É duro, não é? Mas se é para ter moleza, melhor desistir de ir para o Céu, porque está escrito que “O Reino de Deus sofre violência, e todo dia os violentos o arrebatam” (Mt. XI, 12).

Bem, e quanto ao filme de D. Lefebvre? Ora, adquira-o!

(*para quem não conhece, é um grupo de leigos católicos de viés tradicional, agrupados em torno do falecido professor Orlando Fedeli, que tem sede na cidade de São Paulo, e foi por vários anos a principal referência, em termos de internet, do tradicionalismo católico no Brasil. Transmite uma impressão de ser desvinculada de qualquer instituto ou fraternidade tradicionalista, e hoje em dia – ao menos em termos de referência, perdeu claramente dinâmica e fôlego – ao menos em meio virtual, à medida em que se multiplicaram os blogs tradicionalistas ou de apologética, além de uma aproximação com grupos Ecclesia Dei – em suma: perdeu muito do prestígio que lhe restava dos tempos em que vivia o fundador. Para alguns, a mesma associação em certos momentos, diante de escândalos evidentes na Igreja, mantêm um silêncio escandalosamente comprometedor, e que destoa de seu perfil tradicionalmente conhecido por ser outrora combativo)

Sobre Bruno Luís Santana

Ego Catolicus Romanus sum.
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3 respostas para D. Lefebvre – um bispo na tormenta

  1. Ricardo Costa disse:

    Prezado Bruno,

    Subscrevo quase todos os seus escritos. Que bom quando encontramos pessoas que pensam semelhantes a gente. E ainda por cima ,católicos de verdade. Só não vejo com muito bons olhos esse movimento da resistência apoiado por Dom Williamson, e acho que é nesse pontinho, nesse pequeno detalhe que discordo de você e irei tentar explicar brevemente porquê

    Dom Fellay andou falando coisas estranhas em 2012, eu também estranhei muito as declarações dele no ano passado. sobretudo aquela entrevista para aquele canal de televisão ligado a conferência dos bispos americanos. Mas, percebo que Dom Fellay, também por seus escritos e discursos recentes, tem voltado atrás ou ao menos contradiz de forma positiva o que disse naquela entrevista. É como se ele tivesse percebido a m…que iria fazer e depois recuou. Ele não fez acordo, não tornou a FSSPX bi-ritualista como Campos e FSSP. Não aceitou o Concílio Vaticano II e suas reformas. Disse não a Bento XVI e sua comissão e ponto final. Assim como Dom Lefebvre foi tentado a assinar o tal protocolo e disse não a João Paulo II. Isso é fato. Não acredito e me recuso a acreditar que Dom Fellay tenha se tornado uma espécie de Dom Rifan dentro da FSSPX e que agora deseja destruir a obra de seu “mestre”. Acredito sim que ele foi muito tentado. Falar besteiras é próprio de quem está cedendo a tentação. É próprio de quem é pecador.

    Então, o que eu penso das atitudes de Dom Williamson, incluindo aquelas que provocaram sua expulsão? Muita coisa, só que agora prefiro apenas observar o que diz ou o que escreve publicamente do que tornar minhas opiniões sobre ele públicas, por acreditar que ainda é um grande bispo sensato, e que pode voltar atrás Prefiro achar que ele está enganado a respeito de Dom Fellay por pessoas mal-intencionadas dentro e fora da FSSPX, já que ele já estava, na maioria das vezes ou o tempo todo, por fora do que acontecia lá dentro desde 2009. É melhor mesmo rezar por ele.

    Eu posso estar errado, é claro, talvez Dom Williamson tenha até razão talvez não haja uma conspiração contra Dom Fellay na FSSPX, Mas, por enquanto, parece sem sentido crer que a FSSPX se tornou um grupo com quatro, ou cinco ou mais sacerdotes mais ou menos modernistas-acordistas liderados veladamente sob as ordens secretas de Dom Fellay, (é, pois ninguém, nem mesmo Dom Williamson e o grupo resistente que o apoia, sabe dizer com precisão que ordens são essas) e que o resto está sendo enganado e amordaçado por ele.

    Conheci o Prof. orlando Fedeli, mas jamais conheci Dom Williamson, jamais conheci Dom Fellay. Agradeço a Deus o bem enorme o que fez o site da Montfort na minha vida, agradeço também ter conhecido a trajetória da FSSPX pela internet e o que também agregou de graças na minha alma. Acho que todo católico de verdade quer mesmo que os dois (Fellay e Williamson) façam as pazes pelo bem da Igreja. É o que minha vontade quer. Mas as coisas não são como a gente quer. Estou vivendo isso na minha vida. e seu texto sobre esse grande santo que é Dom Marcel Lefebvre me ajudou muito a refletir sobre “vontades”.

    É isso.

    Obrigado ,caro Bruno. Deus lhe pague e conte com minhas orações.

    Ricardo Costa.

  2. D. Fellay agora governa uma FSSPX mais dócil, pois não tem um bispo e muito menos uma série de religiosos e sacerdotes que lhes opunha resistência. Isso é fato, porque a maioria seguiu D. Williamson, e ainda agora o mesmo bispo recebe adesões ora de um padre, ora de algum religioso, ora de algum mosteiro, ora de fiéis, ou mesmo de convertidos. Ter o caminho livre agora é um fato.

    D. Fellay ano passado disse com todas as letras que pelo visto haveria acordo, porque Roma já não teria mais paciência. Ou seja: ele praticamente disse que a resistência oficial da FSSPX havia cessado. Mas foi traído pelos acontecimentos, porque no auge da expectativa, internamente D. Williamson fez guerra aberta contra este ralliement, apoiado por cada vez mais padres, e mesmo o triunfo do capítulo em torno de D. Fellay mergulhou as almas numa grande inquietação… E para piorar, do lado externo, Roma mesma se encarregou de afundar tudo; começou com as declarações bizarras de D. Muller, em seguida as nomeações lamentáveis de Bento XVI, e por fim a própria declaração papal de fidelidade ao Concílio e à Missa Nova. Isso é também um fato.

    D. Fellay, depois de tudo isso não assinou nada por falta de uma boa ocasião, e não por princípios. Porque ele mesmo havia dito de véspera que Roma ia regularizar a FSSPX à força. E que superior geral é esse, que ao invés de defender, depõe as armas?

    Se – Se Dom Fellay realmente voltou atrás e percebeu a ruina que estava a conduzir a FSSPX, em primeiro lugar, porque nunca se retratou publicamente a respeito deste perigo a que expôs a todos? E se é verdade que ele percebeu que fez algo comprometedor, porque não pôs o cargo à disposição? Ele não é o papa da FSSPX, ele é um superior eleito, se percebeu o erro, a melhor forma de mostrar transparência seria se desapegando do cargo e deixando que a própria FSSPX decidisse se o manteria ou não. Ele está firme e ainda mais forte, porque agora tem mais partidários e menos opositores. Fato.

    Somente este ano, somente depois do papa Francisco a FSSPX passou a tornar a adotar um discurso mais duro. Mas numa altura dessas, quem poderá colocar a mão no fogo? Pode ser que tenham caído em si, pode ser que estejam fazendo isso para diminuir a desonfiança, pode ser que estejam fazendo isso para estancar a sangria. Há pouco tempo um mosteiro de carmelitas deixou a FSSPX em direção à Resistência. Há notícias de novas fundações monásticas formadas por amigos de D. Williamson surgindo por aí, e ainda agora chegam padres da FSSPX. Inclusive padres que eram muito próximos a D. Lefebvre… Deixar a resistência crescer assim… A hora pede um discurso intransigente, para não ficar mal na fita…

    E finalmente, considerando que D. Williamson e todos estejam errados, e que estejam fundando uma outra fraternidade… Considerando que não seja mais possivel a reintegração da FSSPX, você já considerou que um grupo neste formato não deixa de ser uma boa garantia de que a obra de D. Lefebvre sobreviverá de uma maneira ou de outra? Pense assim: caso a FSSPX algum dia se revele traidora, sempre haverá este último lugar para se recorrer… Digo isso me colocando no seu lugar, porque eu pessoalmente já me posicionei do lado de D. Williamson, que ninguém pode negar – sempre foi firme e coerente em seus princípiois. Não estaríamos nestas incertezas se ele fosse o superior geral, porque ele não seria tão condescendente com os modernistas… Bento XVI mostrou que o método de D. Williamson, por mais que o assemelhe a um rochedo, é o único a se adotar diante do modernismo. Eles de um lado e nós do outro. No dia que restaurem o catolicismo não precisaremos de acordo nenhum, porque seremos a mesma coisa.

  3. Ricardo Costa disse:

    Prezado Bruno,

    Esta será a ultima e derradeira resposta, por que vejo que já tem um posicionamento fixo de apoio a Dom Williamson.

    No entanto, tanto como eu como você, temos apenas conjecturas e “noticias”(que mais são fofocas do que qualquer outra coisa) da internet do nosso lado e nada mais. A não ser que conheça a FSSPX como ninguém, conheça integrantes (sacerdotes ,religiosos ou leigos) que tenham informações privilegiadas.

    Sobre Dom Williamson, a posição dele me parece de alguém orgulhoso e convicto de que está fazendo, só não dá para saber se isso é realmente a decisão correta. Se fosse um bispo notoriamente modernista ou sedevacantista, eu poderia até estar fazendo criticas duras nessa caixa de comentários. Mais estamos falando de Dom Williamson. E seguindo a mesma lógica de raciocinio, poderiam então pensar o mesmo de Dom Fellay. Ele notoriamente capitulou? Se tornou um modernista? Dom Williamson diz que Dom Fellay capitulou, e é nisso que acredita a dita resistência.

    A questão é a seguinte, quem está levando essas informações para ele? Será que ele se baseou apenas nas “notícias” de internet? Na declaração doutrinal e entrevista para a conferencia de bispos dos EUA no ano passado? Ou será que Dom Williamson tem problemas pessoais com Dom Fellay e não quer admitir? Estamos falando de pessoas com virtudes e também defeitos como todo pecador, certo? Dom Lefebvre também tinha defeitos, e Dom Williamson até já disse que não se poderia endeusar o bispo, algo que concordo plenamente. Então há uma possibilidade de problemas de relacionamento que não deve ser descartada.

    Fica aí meu questionamento.

    Não sei o que está havendo na FSSPX, o que tem de verdadeiro e de falso nessas conversas e informações, mas quem sou eu para achicalha-la de NeoFSSPX?

    Para finalizar, creio que esse texto retirado do site montfort diz muito sobre o que estamos debatendo::

    “Nós não devemos seguir homens, e sim a Deus e à sua Igreja Católica Apostólica Romana. Não quero, absolutamente, ter seguidores pessoais, pois diz a Escritura: “Maldito o homem que confia no homem”( Jer. XVII, 5).Portanto, minha opinião não tem valor algum, e o que eu penso por mim mesmo não vale nada. Só vale o que Nosso Senhor Jesus Cristo ensinou e o que a Igreja ensina, em seu nome.” (Orlando Fedeli)

    [E acrescento eu, nem pretendo seguir quem quer que seja]

    Um abraço.
    Ricardo.

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