V – Nazismo (final)

Nazismo e Evolucionismo

Convém mostrar a ligação entre o evolucionismo de Darwin e outras criminosas teorias racistas que o adotaram, principalmente a doutrina nazista.

É verdadeiramente chocante verificar como as evidentes implicações racistas das teorias de Darwin não são percebidas pelos atuais defensores do evolucionismo, e como eles recusam admitir a evidência, quando esta lhes é mostrada. O comportamento de certos darwinistas — negando o óbvio – é muito semelhante ao de certos sectários quando postos face a uma contradição deles com o próprio texto bíblico, no qual eles dizem se basear. É atitude típica de fanatismo: negar a evidência dos fatos, ou recusar tirar uma conclusão óbvia de um raciocínio certo.

A doutrina darwinista submetia a evolução à lei da sobrevivência do mais apto. As espécies lutariam entre si, e as mais fracas, ou as menos aptas, pereceriam. “A essência do darwinismo reside numa única frase: a seleção natural é a força criativa principal da mudança evolutiva” (Cfr. Stephan Jay Gould, O Polegar do Panda. p.171).

Retiremos deste princípio darwinista as evidentes implicações racistas nele embutidas.

Se é a vitória do mais apto que garante o prosseguimento da evolução, é claro que essa lei universal deve ser aplicada também dentro de cada espécie. As várias raças de uma espécie também estariam submetidas à lei da sobrevivência, e a raça mais apta deveria eliminar as mais fracas, para que a espécie tenha mais possibilidade de se aperfeiçoar e de sobreviver.

A teoria de Darwin pressupõe uma desigualdade das raças e uma luta entre elas para eliminar as que seriam inferiores.

Alguém poderia alegar não haver provas de que Darwin pensasse assim, e que ele teria repudiado o racismo. O que se discute não é a possível reação de Darwin ante o nazismo, que aconteceria muitas décadas após sua morte. O que procuro fazer ver é que o evolucionismo traz, em seu bojo, as sementes das leis racistas de Hitler.

“O próprio Darwin (…) fala de raças humanas “inferiores” e acredita, segundo a expressão de Thuillier, na “existência de uma hierarquia absoluta da humanidade” (L’Express, artigo A nossa origem: uma antiga e apaixonada discussão, in Jornal da Tarde – Caderno de Programas e Leituras, 13 de fevereiro de 1982).

Diz Gilles Lapouge:

“Na verdade, Darwin traz em si boa parte das teorias racistas, se bem que ele tenha sido completamente avesso a qualquer espécie de racismo” “O darwinismo, há um século, serve de justificativa teórica a muitos pensamentos racistas e elitistas” (G. Lapouge, Darwin e a evolução, Cultura, nº 95, O Estado de São Paulo, 4 de abril de 1982).

O próprio primo de Darwin — Galton, que era biólogo — propôs que a ciência assumisse o papel que a natureza desempenha na evolução, selecionando os elementos mais dotados. Ele queria que a sociedade, através da aplicação de métodos científicos, fizesse “com previdência, rapidez e benevolência, aquilo que a natureza faz cega, lenta e impiedosamente“. (Apud G. Lapouge, art. cit.).

Galton já propunha – com base no darwinismo – os criminosos métodos nazistas.

“Outro caso ilustra os venenos camuflados no seio do darwinismo. É o de Konrad Lorenz, prêmio Nobel, e merecidamente considerado um dos grandes etnólogos da modernidade. Ora, Lorenz, que apela constantemente a Darwin, foi um defensor da seleção artificial e dos ideais racistas sob Hitler. Em 1940, bem jovem ainda, ele publica um artigo incrível que fala de seleção, de pureza racial e até mesmo de eliminação dos seres moralmente inferiores(…) Ele pretende, justamente graças ao darwinismo, estender ao homem as leis do reino animal, o que faria da biologia a única verdadeira ciência do homem, uma ciência ao mesmo tempo moral, política, etc.” (G. Lapouge, art. cit. ).

Outro exemplo de darwinista racista, dado por Lapouge, é o de MacFarlane Burnett, que ganhou um prêmio Nobel em 1960. Ele defende a tese de que os progressos da medicina impedem a natureza de selecionar as espécies e os elementos, permitindo a sobrevivência dos fracos. Também acusa o espírito democrático de impedir a eliminação dos inferiores.

Lapouge cita o seguinte texto de MacFarlane Burnett:

“Podemos calcular, explica ele, que, desde a evolução dos primatas até o final do período dos caçadores coletores, quase 90% dos descendentes gerados morriam antes de atingir a idade da reprodução. Ao contrário, nas sociedades ocidentais, as crianças não morrem muito mais. Apenas 5% das crianças, uma verdadeira miséria, morrem. Esta súbita retração da função de triagem própria da seleção natural deve levar a um acúmulo de indivíduos que podemos chamar inferiores de acordo com as normas correntes relativas à saúde, inteligência e agressividade”. (MacFarlane Buttler, apud G. Lapouge, art. cit.).

MacFarlane Buttler constatando que,

“é provavelmente impossível, hoje, utilizar um meio legal para matar visando a proteção de uma sociedade”

conclui que “O internamento perpétuo, seja numa prisão, seja num hospital” seria o meio mais apropriado para impedir o crescimento do número de indivíduos inferiores. (Cfr. G. Lapouge, art. cit.).

Sabe-se, também, que o eugenismo, bastante difundido no início do século XX, dava suporte “científico” às milhares de esterilizações em massa, na Europa e Estados Unidos, entre loucos, doentes e indigentes. Ao todo, foram 375.000 esterilizações na alemanha nazista, e – pasmem – 30.000 nos Estados Unidos, entre 1927 e 1972 (Razón y revolución: Filosofía marxista y ciencia moderna; A. Woods & T. Grant, fundação F. Engels, 1995). Um dos seus maiores advogados foi o conceituado Ronald Fisher, cientista inglês de fundamental importância para as teorias selecionistas do início do século XX.

Até parece um pesadelo! A que conseqüências absurdas conduz o darwinismo! Pelos frutos se conhece a árvore. Pelos absurdos conseqüentes, se compreende o erro do princípio.

Mas por que não se divulgam amplamente essas conseqüências, que manifestam o que estava oculto na semente plantada por Darwin?

É a pergunta que não quer calar.

A resposta: porque NÃO CONVÉM, NÃO INTERESSA, PEGA MAL.

Não convém demonstrar que o evolucionismo darwinista, propondo que a seleção natural fosse o processo de sobrevivência a governar a maioria dos seres vivos levasse importantes pensadores a criar o darwinismo social, que é o mesmo evolucionismo aplicado à sociedade.

Devemos suportar o efeito, indubitavelmente mau, do fato de que os fracos sobrevivem e propagam o próprio gênero, mas pelo menos se deveria deter a sua ação constante, impedindo os membros mais débeis e inferiores de se casarem livremente com os sadios“.

Não convém demonstrar que, a partir destes conceitos de seleção, chegou-se logicamente à consequência lógica: pelo bem da raça humana, deveria-se dar uma “mãozinha” à natureza, eliminando os humanos indignos de viver: os pobres, os imorais, os fora-da-lei, a princípio. Depois os fisica e mentalmente incapazes, afim de que não transmitissem seus genes “ruins’; e finalmente, os racialmente indesejáveis: os mestiços, negros, judeus e outros não-nórdicos.

A linha é clara: Darwinismo – Eugenia – Nazismo. Hitler nem sequer inaugurou a prática da seleção racial; muito pelo contrário: foi observando os progressos da eugenia na faxina racial que os EUA realizavam desde o início do século que a Alemanha totalitária decidiu fazer também a sua.

Hitler em assuntos biológicos é ideologicamente filho de Galton e neto de Darwin.

Esta foto é o darwinismo sendo posto em prática por um demente que, no entanto, não pode ser acusado de ser incoerente com o que aprendeu: que na lei natural, os fortes prevalecem… E ainda dizem depois que era a Idade Média a Idade das Trevas…

Sobre Bruno Luís Santana

Ego Catolicus Romanus sum.
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2 respostas para V – Nazismo (final)

  1. Natália disse:

    Um texto rebatendo seus argumentos falhos e ignorantes a respeito da teoria evolutiva de Darwin:

    “Darwin passou quatro meses no Brasil, em 1832, durante a sua célebre viagem a bordo do Beagle. Voltou impressionado com o que viu: ‘Delícia é um termo insuficiente para exprimir as emoções sentidas por um naturalista a sós com a natureza em uma floresta brasileira’, escreveu. O Brasil, porém, aparece de forma menos idílica em seus escritos: ‘Espero nunca mais voltar a um país escravagista. O estado da enorme população escrava deve preocupar todos os que chegam ao Brasil. Os senhores de escravos querem ver o negro como outra espécie, mas temos todos a mesma origem.’
    Em vez do gorjeio do sabiá, o que Darwin guardou nos ouvidos foi um som terrível que o acompanhou por toda a vida: ‘Até hoje, se eu ouço um grito, lembro-me, com dolorosa e clara memória, de quando passei numa casa em Pernambuco e ouvi urros terríveis. Logo entendi que era algum pobre escravo que estava sendo torturado.’
    Segundo o biólogo Adrian Desmond, ‘a viagem do Beagle, para Darwin, foi menos importante pelos espécimes coletados do que pela experiência de testemunhar os horrores da escravidão no Brasil. De certa forma, ele escolheu focar na descendência comum do homem justamente para mostrar que todas as raças eram iguais e, desse modo, enfim, objetar àqueles que insistiam em dizer que os negros pertenciam a uma espécie diferente e inferior à dos brancos’. Desmond acaba de lançar um estudo que mostra a paixão abolicionista do cientista, revelada por seus diários e cartas pessoais. ‘A extensão de seu interesse no combate à ciência de cunho racista é surpreendente, e pudemos detectar um ímpeto moral por trás de seu trabalho sobre a evolução humana – uma crença na ‘irmandade racial’ que tinha origem em seu ódio ao escravismo e que o levou a pensar numa descendência comum.’ ”

    (Adaptado de: HAAG, C. O elo perdido tropical.
    Pesquisa FAPESP, n. 159, p. 80-85, maio 2009.)

    Porém não é difícil para pessoas malévolas, como Hitler e racistas em geral, distorcerem as teorias darwinianas, ou qualquer outro tipo de teoria científica, em seu favor. Da mesma forma, não é difícil para criacionistas o fazerem, na tentativa de possuir argumentos que iludam os menos esclarecidos a respeito destes estudos. Estude antes de sair postando textos como este; informe-se! Ou seu texto é de uma ignorância sem tamanho, ou é muito tendencioso. E não esqueçamos que Hitler era cristão!

  2. Sou professor de História e autor do livro Ética a Saramago – individualismo e valor humano na ética contemporânea. Nessa obra, procuro responder às teses humanistas dos ateus, como Saramago. De passagem, trato da relação entre darwinismo, racismo e nazismo, e afirmo que as posições nazistas não foram uma distorção do evolucionismo, mas sua aplicação lógica. Hoje se nega que os “arianos” sejam uma raça superior, mas não se nega que uma raça superior está no destino dos homo sapiens, como no de qualquer outra espécie.
    Que Darwin tenha sido firmemente contra a escravidão e o racismo, ótimo para ele, mas quando tratava desses assuntos, jamais utilizava sua própria teoria evolucionista. Afirmar que “todos temos uma origem comum” é apenas reafirmar o que diz o Livro de Gênesis e todos judeus, cristãos e muçulmanos. Mas para Darwin, os descendentes vão sendo, gradualmente, diferenciados ao acaso, quando sofrem a seleção natural. Outro exemplo dessa contradição – mas em sentido inverso – é o de Aristóteles. Ele foi um escravagista declarado, apesar de sua filosofia central ser frontalmente contrária a essa conclusão. Que importa?
    A propósito, Hitler não era cristão. Sua política oficial era a criação de uma religião germânica “pura”, centrada nas tradições pagãs nórdicas e em certas correntes místicas secretas, das quais ele era adepto praticante. Apenas procurou manipular os cristãos de pouca fé, protestantes ou católicos, enquanto perseguia e assassinava os que resistissem. Padres, pastores e outros cristãos morreram em seus campos de concentração.

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