Nazismo (II)

(continuação de resposta adaptada sobre o nazismo, de autoria de O. Fedeli, publicada no site Montfort, com adaptações)

Nazismo, cristianismo e Gnose.

Principiemos, então, com a questão do posicionamento do nazismo face ao Catolicismo e à Igreja Católica. Para conhecer essa questão, é condição primária ter estudado a encíclica Mit brennender Sorge, de Pio XI.
A Encíclica só pecou por infelizmente não ter citado nominalmente o nazismo —  mas se redime em seu conteudo, onde condena todas as doutrinas do hitlerismo.

Disse Pio XI nessa encíclica:
A revelação que culminou no evangelho de Jesus Cristo é definitiva e obrigatória para sempre, não admite apêndices de origem humana e, menos ainda, sucedâneos ou substituições e revelações arbitrárias que alguns palradores modernos quiseram derivar do assim chamado mito do sangue e raça“.

E ainda: “Somente espíritos superficiais podem cair no erro de falar de um deus nacional, de uma religião nacional, e empreender a tola tentativa de captar nos limites de um só povo, na estreiteza de uma só raça, Deus, criador do mundo, Rei e legislador dos povos, diante de cuja grandeza as nações são pequenas como gotas d”água que caem de um balde“.
Dou-lhe ainda um texto de Pio XI refutando doutrinariamente a tese absurda de que o nazismo não era contrário ao cristianismo:
Se homens, que nem são unidos em sua fé em Cristo, vos seduzem e lisonjeiam com o fantasma de uma igreja nacional alemã, sabei que isto não é outra coisa senão renegar a única Igreja de Cristo, numa apostasia manifesta do mandado de Cristo de evangelizar todo o orbe, o que só uma Igreja universal pode realizar.” (Pio XI, Mit brennender Sorge).
Portanto o nazismo foi anticristão, visto que pretendia instituir uma igreja germânica, racista e ariana, fundada na evolução e no triunfo da raça pretensamente superior, pelo uso da força.

Tanto era anticristão que perseguiu a Igreja continuamente, quer na Alemanha, quer na Polônia, como comprovam os documentos e os testemunhos poloneses.
Contudo, para bem da verdade, deve-se denunciar monsenhor Kaas e o Zentrum, partido católico alemão – como os oportunistas que através do voto concederam a Hitler o poder. Foram Monsenhor Kaas e o Partido do Zentrum que deram a Hitler – desgraçadamente – o posto de Chanceler, e, depois, o poder ditatorial. Se não fosse a traição de Monsenhor Kaas e do Zentrum, o mundo não teria sofrido a desgraça do nazismo, a catástrofe da segunda Guerra mundial, e a vergonha dos monstruosos campos de concentração nazistas.

Demônios de batina ajudando os nazis a cuspir na cruz de Cristo – Nascido como homem judeu, de mãe judia e de amigos judeus. Existiram Judas em todas as épocas…

Pérolas do Mein Kampf:

O Cristianismo não se satisfez em erigir os seus altares, mas viu-se na contingência de proceder à destruição dos altares dos pagãos. Só essa fanática intolerância tornou possível construir aquela fé adamantina que é a condição essencial de sua existência” (A . Hitler, Mein Kampf, Editora Moraes, São Paulo, 1983, p.282.).
Nesse texto, Hitler acusa a Igreja Católica de fanatismo, de intolerância, e de ter uma fé construída com meios naturais, o que nega a Fé, virtude sobrenatural, e, ao mesmo tempo, defende o paganismo.

Para um político, o valor de uma religião deve ser apreciado menos pelas faltas inerentes à mesma, do que pelas vantagens que ela possa oferecer. Enquanto um sucedâneo não aparecer, só loucos e criminosos podem querer demolir o que existe” (idem p. 174).
Portanto, ele pretendia , logo que fosse possível, eliminar o cristianismo. Enquanto um sucedâneo não aparecer: leia-se: “na falta de algo melhor”…

O pecado contra o sangue e contra a raça é o pecado original deste mundo e o fim da humanidade que o comete” (Idem, p. 163).

Percebam o “evangelho” da força bruta como meio de dominar:

Sentiremos, então, que em um mundo em que planetas e sóis andam à roda, no qual a força sempre domina a fraqueza e submete-se à escravidão ou elimina-a, não podem existir outras leis para os homens” (Idem p. 161).

Na página 185 desse pseudo livro messiânico, o Anti Cristo nazista volta a defender a força como lei geral da natureza, e quer aplicar tal lei aos homens:

O papel do mais forte é dominar“.
Note que a colocação da força como lei necessária anula toda ordem moral e jurídica estabelecida pelo cristianismo e mesmo pela civilização moderna.

Hitler submete a ordem moral e jurídica à força, e retrocede a civilização à força bruta, como os animais…

Barbárie nazista… Outra mentira de Hitler, desta vez acerca dos judeus:

O judaísmo nunca foi uma religião e sim sempre um povo com características raciais bem definidas” (A .Hitler, Mein Kampf, p. 198).
E ainda: “Os maiores conhecedores das possibilidades do emprego da mentira e da calúnia foram, em todos os tempos, os judeus. Começa, entre eles, a mentira por tentarem provar ao mundo que a questão judaica é uma questão religiosa, quando, na realidade, trata-se apenas de um problema de raça, e que raça!” (A . Hitler, Mein Kampf, p. 153).
Ora, qualquer pessoa que se diga cristã sabe que o judaísmo é uma religião da qual proveio o cristianismo. A tal ponto isso é verdade que Pio XI declarou : “espiritualmente todos os cristãos somos semitas“.

E o próprio Cristo, pelo Batismo, nos faz os verdadeiros filhos de Abraão.

Aceitando esse deslocamento da questão judaica do plano religioso para o plano racial, Hitler desvalorizava completamente a missão redentora de Cristo, o Calvário e o próprio cristianismo. Quem aceita essa interpretação racista do judaísmo nega na prática a Redenção realizada por Nosso Senhor Jesus Cristo.

A questão judaica nunca foi, nem pode ser, uma questão racial. É uma questão essencialmente religiosa. Nenhuma pessoa que se diga cristã pode admitir que o judaísmo é um problema racial, como afirmou Hitler.

Algumas frases de Hitler sobre o cristianismo e as religiões em geral extraídas do livro Hitler m’a ditHitler me disse“, de Hermann Rauschning.
As religiões? Todas valem umas quanto as outras. Elas não têm, umas e outras, qualquer futuro. Pelo menos quanto aos alemães. O fascismo pode, se quiser, fazer sua paz com a Igreja. Eu farei o mesmo. Por que não? isto não me impedirá de extirpar o cristianismo da Alemanha” (Hermann Rauschning, Hitler m”a dit, Cooperation, Paris, 1939, p.65).
Foi o que ele tentou fazer na Alemanha, e descaradamente na Polônia.
E ainda: “Para o nosso povo [alemão], ao contrário, a religião é um assunto capital. Tudo depende de saber se ele permanecerá fiel à religião judeu-cristã e à moral servil da piedade, ou se ele terá uma nova fé, forte, heróica, em um Deus imanente na natureza, em um Deus indiscernível de seu destino e de seu sangue” (H Rauschning, op. cit. p. 65).
Repare que a alusão de Hitler a um Deus imanente, inseparável do sangue, isto é, da raça alemã, coincide com a tese condenada pela Mit brennender Sorge de um Deus nacional.

Ora, a Gnose crê num deus imanente e aprisionado na natureza.
Para confirmar que Hitler acreditava nesse Deus imanente na natureza e habitando o fundo da alma humana – pelo menos na “raça eleita” – veja esta frase do pintor de paredes que virou Chanceler, para desgraça da Alemanha e do mundo:
Nós queremos homens livres, que sentem que Deus está neles” (H. Rauschning, op cit. p. 66).
Deus estar neles não é a mesma coisa que dizer “Deus está com eles”. É dizer que eles têm Deus dentro de si.

Isso se chama GNOSE. A velha inimiga da Igreja católica em todos os tempos! 
Quanto à Igreja, disse Hitler:
Certamente a Igreja foi alguma coisa outrora. Agora, nós somos os seus herdeiros, nós também nós somos uma Igreja” (H. Rauschning, op. cit. p. 69.).

E por pretenderem ser uma Igreja herdeira e substitutiva da Igreja Católica é que os nazistas organizaram “sacramentos” nazistas, com cerimônias parodiando os sacramentos da Igreja Católica.
Sobre a redenção de Cristo, Hitler dizia:

À doutrina cristã do primado da consciência individual e da responsabilidade pessoal, eu oponho a doutrina da nulidade do indivíduo e de sua sobrevivência na imortalidade visível da nação. Eu suprimo o dogma da redenção dos homens pelo sofrimento e pela morte de um Salvador divino [Hitler está aí atacando a fé na divindade de Cristo e no mérito da cruz ] – e proponho um dogma novo da substituição dos méritos: a redenção dos indivíduos pela vida e pela ação do novo Legislador-Führer, que vem aliviar as massas do fardo da liberdade” (H. Rauschning, op. cit. p. 254).

Cooperadores e traidores sempre houve. E o testemunho deles não anula o testemunho de milhões de vítimas, nem esconde os cadáveres de milhares de freiras e sacerdotes nos campos de … Spa forçados, dos nazistas e dos comunistas, esses dois irmãos gêmeos dialéticos, ambos anticatólicos.
O nazismo é filho do romantismo. Não se pode negar a sua ligação com o gnóstico Wagner, que, aliás, era membro da Thulle Geselschaft.
Ora, o Romantismo — que deu origem ao nacionalismo e ao germanismo na Alemanha — era essencialmente gnóstico. Eis aqui uma citação comprovadora disso:
O Romantismo é uma renascença da Gnose (…) Schelling era um gnóstico, cujas convicções se desenvolvem à medida que ele avança em idade; da mesma forma Baader; a Naturphilosophie impõe à pesquisa científica cifras gnósticas” (G. Gusdorff, Le Romantisme, Payot & Rivages, Paris, 1993, vol I p.512).
Citações com a mesma tese podem ser encontradas em qualquer livro que trate seriamente do Romantismo e de suas relações com a Gnose, assim como da relação bem conhecida do nazismo com a Gnose.
Por exemplo, outros pontos interessantes que ligam o Nazismo à Gnose são o milenarismo e o dualismo.
Todos os movimentos românticos sempre desejaram e sonharam com o estabelecimento de um reino de felicidade, um retorno ao Éden, de modo mágico. Eles não buscavam a utopia e sim o reino de mil anos, de que fala o Apocalípse, ao se referir à eternidade.

Hitler pretendeu estabelecer o Reich da felicidade alemã por mil anos, com arame farpado, Gestapo, e SS. Um Auschwitz de mil anos.

Louvado seja Deus, que nos livrou de tal “felicidade” aramefarpadesca e de seu Führer Anti Cristo!
E o nazismo, tal qual a Gnose, via o mundo de modo dualista, com dois polos em contínua luta: o polo do bem contra o polo do mal, dialeticamente opostos e iguais.
Ora, o nazismo tem a mesma visão dualista, pois vê o mundo e a História como uma luta contínua de dois polos raciais: o polo ariano, representando o bem, e o polo judeu, representando o mal.

O racismo não é cristão.
Deus criou a todos os homens como irmãos. A raça é um fator secundário que não produz direito algum.

Foram os judeus que imaginaram que a raça era necessária para a salvação. Por isso, eles se opuseram a Cristo, que veio para salvar a todos os homens.

FIM DA SEGUNDA PARTE

Sobre Bruno Luís Santana

Ego Catolicus Romanus sum.
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