“O Reino de Deus sofre violência, e todo dia os violentos o arrebatam” (Mt. XI, 12).

Esta aí.

Deus condiciona suas graças à súplica dos homens.

Se tivessemos Fé, de Deus conseguiríamos tudo. Mas se tivéssemos paciência, não apenas conseguiríamos de Deus nossos justos pedidos, mas construiríamos um legado para os nossos pósteros.

A Graça de Deus, encontrando colaboradores fiéis, faz milagres que assombram o mundo.

Somos poucos. Portanto, somos mais do que suficientes. 12 apóstolos bastaram para revirar o mundo.

O Império Romano se dobrou a uma raça austera, que era insuportável em sua postura grosseira de desprezar o panteon, e socializar com o grande mosaico de povos do império.

Eram uma raça preconceituosa e exclusivista. E sem conspirar, se converteram nos guias do Império.

Desta raça Santo Atanásio foi herdeiro direto. Como pôde este turbulento bispo ousar se indispor com o papa de Roma e o basileu de Constantinopla? Porque não apostatou com os arianos? Porque ao menos não contemporizou, seguindo o exemplo de Libério? Porque se tornou uma pedra no sapato do papa, a ponto de ser excomungado? Porque não seguiu os outros e pecou contra a fé, aderindo à heresia, ou ao menos deixando de combatê-la?

Porque estes intransigentes são tão incômodos?

Morus, porque este silêncio tão eloquente? Thomas, porque esta discrição tão falaz?

Porque não juraste o ato de Supremacia?

Não percebeu como seu silêncio de filho fiel à Igreja – de todos os tempos – destruiu Henrique VIII?

John Fisher, como se atreveu a defender os direitos da Santa Sé e da santidade do Matrimônio sem sequer buscar um entedimento com a parte contrária?

Espanhóis da reconquista, mártires ingleses, irlandeses subjugados, poloneses oprimidos, não seria mais fácil uma trégua com o islã, com a coroa, com os colonos, com os cismáticos russos?

Porque a França de clero tão opulento, de hierarquia oriunda dos abastados da nobreza, como um país de religião tão monotamente convencional pôde esconder tão bem uma raça tão altivamente obstinada? Como surgiram tantos refratários, se a Constituição Civil do Clero os dexaria no mesmo status de outrora, com o “privilégio” de terem sido libertos da autoridade do “bispo de Roma”?

Seriam os cristeros verdadeiros cristeros, se, dos recantos do México, saíssem delegações em busca de trégua, de paz, de convívio com o regime? Certamente seriam bem-vindos, a guerra nunca favorece os cofres públicos… Mas como a república mexicana suportaria cidadãos tão intragavelmente contrários a seu mundo arquitetonicamente construido nas lojas?

Não é na facilidade, mas na tribulação. Católicos são uma categoria que geralmente só funciona quando são dizimados, despojados, oprimidos, perseguidos.

Porque é com a faca no pescoço que a maioria precisa optar por tudo… Ou nada!

Só quando já não têm nada a perder – exceto a alma! -, é que têm tudo a ganhar.

No final das contas, são os intransigentes que fazem toda a diferença. São os que não aceitam menos do que TUDO.

Por décadas monsenhor Lefevbre desafinou do coro unânime dos seus colegas bispos. A maioria cantava o aggiornamento, e alguns se calavam, ou abriam a boca sem proferir som algum, para não serem olhados com reprovação.

Mas a voz do arcebispo era por demais irritante. Que fazer? Alguém silencie este homem, mandem-no para a menor diocese da França, suspendam seu seminário que ousou não aderir às novas diretrizes. Excomunguem o velhote turrão, esperem-no morrer e negociem com os seus integristas, mas com um porém; que cedam no que desejamos.

Contemporizemos: terão a missa; em contrapartida, abriremos esta exceção através de um indulto.

A Nova Constituição Civil do Clero não funcionou? Causemos cizânia, joguemo-los uns contra os outros, então. Negociemos com seus grupos em separado, extingamo-los assim.

***

20 anos se passaram.

Ainda existem? Não pode ser!

Alteremos a estratégia, não funcionou bater de frente. Façamos pois o contrário.

Querem o direito de criticar? Concedido. Caberá a nós estabelecer o que convém criticar…

Querem a Missa? Concedido. Missa não é hipnose. Melhor que seja sob nosso controle, pois todos têm que saber que temos um novo panteon, onde cabe de tudo, e todos, com seus exotismos…

De nada adiantaram as excomunhões? Pois que eles próprios se excomunguem. Retiremo-las. Afinal de contas, ao fim estamos negociando coisa nenhuma que já não existisse, não demos uma missa que não poderia ser proibida, nem levantamos excomunhões de quem não poderia ser excomungado, visto que não pecou contra a fé nem contra a unidade.

Em troca do que não demos, eles farão o que queremos.

Nossos atuais opressores certamente se vangloriarão por mais esta mordida. Da nossa parte, lamentaremos os que ao fim sucumbirem.

Talvez estes que partem, sabendo que não houve mudança no lugar para onde vão, quem sabe agora se sintam mais católicos…

Os que sobrarem, com a graça de Deus permanecerão como uma pedra de tropeço, como uma pedrinha pontuda e incômoda, talvez uns gatos pingados, mas piores que pernilongos zunindo na noite.

Porque não queremos acordo.

Somos militantes, a vida convencional é um luxo que não nos permitimos. A vidinha boa, dos tempos em que o Evangelho reinava na sociedade é um bem que deve ser buscado, mas sem cairmos em milenarismo nenhum, pois o reino de Nosso Senhor não é deste mundo.

Mas voltar para a década de 50, como se fosse possivel ter uma vida espiritual verdadeira ao lado de quem foi deformado em sua fé e inteligência, e já não entende o catolicismo, não pensa como católico e não age como católico? Isso – ao menos por hora – “não te pertence mais”.

Queremos TUDO. Queremos nossa Igreja de volta. Não queremos contemporizar, não queremos sequer o cheiro de vizinhos modernistas. Não queremos hermeneutica de nada. Queremos a religião plena, e a destruição da missa nova, queremos os escritos ambíguos do concílio ardendo no fogo. E se não vivermos para ver isso, não importa. 12 apóstolos precisaram de 300 anos para converter um império posto no maligno a uma potência a serviço de Cristo.

Parecemos muito exigentes? É impossivel? Não pode ser feito?

Ok. Fiquem onde estão. Por favor, não se aproximem. Fiquem à distância.

O reino de Deus é dos violentos, dos turbulentos, dos que perdem os templos, mas guardam a fé.

Bruno Luís Santana

10-07-2012

Sobre Bruno Luís Santana

Ego Catolicus Romanus sum.
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13 respostas para “O Reino de Deus sofre violência, e todo dia os violentos o arrebatam” (Mt. XI, 12).

  1. Ana Maria Nunes disse:

    Bruno, o texto é seu?

  2. Theophilus disse:

    Muito bom, Bruno! Expressou bem o que pensamos e sentimos.

  3. Ana Maria Nunes disse:

    Por favor, continue a perder o sono! Recebeu meu email??

  4. Ana Maria Nunes disse:

    Roubando o texto!

  5. Monique disse:

    Concordo plenamente, morramos com Cristo como disse São Tomé.

  6. Henrique, vitoria Es disse:

    Belas palavras Bruno, vc escreve mt bem. Parabéns, concordo integralmente com o texto, essa é a posição que td mundo deve ter se quiser guardar a Fé Católica e agradar a Deus. Que a Graça de Deus preserve vc e todos nós nesta posição.

  7. Adorei o texto, Bruno! Expressou bem mesmo nossos pensamentos, nossas emoções.

    A Paz!

  8. Antonio Rodrigues Ventura disse:

    Não é a primeira vez que aqui escrevo. Mas eu não escrevo comentários mas procuro respostas. Sempre a mesma coisa! Isto me preocupa de tal modo que me parece que pouco a pouco vou perdendo a fé cristãn (católica) que me foi transmitida. Hoje a fé é fraca porque eu procuro a história. Será que me podem ajudar nesta questão: quais são os fundamentos históricos do Pentateuco? Isto não tem nada a ver com o seu texto.Obrigado .

  9. Ah sim, pensei que fosse fake. Ele tem um perfil no facebook fake.

    Conhece?

  10. Christiano disse:

    Parabéns Bruno, excelente texto realmente. Continue escrevendo e sempre com o pensamento na humildade de Jesus e lembrando que sem Ele não podemos sequer pensar em fazer o bem, pois toda a nossa capacidade vêm Dele.

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