Uma pausa para reflexão

Afinal de contas, o que defende este blog?

É visível que, antes de tudo, a transmissão das Verdades Eternas, através dos catecismos que sempre posto aqui.

Mas para entender todo o contexto, é OBRIGATÓRIO que você, caro visitante, acesse este ótimo artigo:

http://intribulationepatientes.wordpress.com/2012/01/24/por-que-discutir-com-pessoas-que-se-declaram-catolicas-quando-ha-tantos-inimigos-fora-da-igreja/#comment-3483

Por favor, visite o artigo acima mencionado, será de imensa valia!

02/06/2013: resolvi – só por precaução – jogar na íntegra o artigo que indiquei acima, só para garantir que ele não será perdido por alguma razão. Para quem não recorreu ao link acima, basta conferir abaixo o artigo do Marcio, e… Boa leitura!

Por que discutir com pessoas que se declaram católicas quando há tantos inimigos fora da Igreja?

Há tantos assuntos a serem tratados que eu nem sei por qual começar. De qualquer forma, vou cobrir com este aqui uma lacuna que há muito tempo já deveria ter sido coberta. De fato, sendo este um blog católico destinado especialmente à combater os inimigos internos, que se infiltraram na Igreja, há algumas pessoas que não compreendem o sentido do nosso trabalho. Algumas demonstram claramente sua má fé, mas outras podem realmente ter sinceras dúvidas sobre a oportunidade e necessidade da apologética intra muros Ecclesiae, e é isto que pretendo ajudar a esclarecer com este artigo. Quem já está há algum tempo na Tradição vai considerar este artigo óbvio demais. Mas o objetivo dele é esclarecer os católicos que estão desorientados no meio desta confusão e de demonstrar-lhes os motivos do combate tradicionalista.

Obviamente, todo organismo ou toda instituição tem de lutar contra ameaças externas. Mas, se existe um inimigo interno, este deve ser combatido em primeiro lugar, porque é sempre o mais danoso. Um atleta não pode ir para uma competição se estiver doente. Sem antes eliminar o vírus que lhe retira todas as energias, ele não terá capacidade de competir, por mais força, resistência e agilidade que ele tenha adquirido através de um árduo treinamento quando estava sadio. Também um Exército não pode se preocupar exclusivamente em atacar uma posição inimiga enquanto forças adversas estiverem invadindo as suas próprias trincheiras. Primeiro se devem eliminar os inimigos que ameaçam grave e diretamente a sua retaguarda, para depois pensar em qualquer movimento ofensivo de vulto. Uma indústria não poderia planejar ser líder de mercado sem antes resolver os problemas mais básicos de infra-estrutura e organização interna que lhe estivessem causando transtornos diários.

Os inimigos internos devem ser combatidos antes de todos. E que a Igreja Católica está sofrendo o ataque desta classe de inimigos, isto já o havia constatado e denunciado Sua Santidade, o papa São Pio X, em sua memorável encíclica Pascendi Dominici Gregis. Antes de São Pio X, nas aparições de La Salette, Nossa Senhora falava sobre os maus clérigos com palavras muito fortes, chegando a chamá-los até mesmo de “cloacas de impureza”. Com isso, não há que se acusar hipocritamente os tradicionalistas de exagero em nossas afirmações, pois não estamos nos levantando contra a autoridade da Igreja, mas sim combatendo estes maus clérigos infiltrados.

E quais são os males que os inimigos internos tem feito à Igreja que nos motivem a combatê-los tão energicamente?

O escândalo provocado nas almas

A perda da Fé em tantas almas é um enorme flagelo que os traidores infiltrados causam. Vejamos vários exemplos do mal que eles causam às almas.

Pensemos inicialmente, em quantas almas menos formadas se afastaram da única Igreja de Cristo porque viram os escândalos de pedofilia. Não se justifica, obviamente, afastar-se da única religião verdadeira por conta dos pecados, por mais hediondos que sejam, de uma muito pequena parcela de seus membros. No entanto, sabemos que há almas fracas que fazem isto. E, pior ainda, quem consolará as vítimas dos abusos e seus familiares? Se a mentalidade liberal, vitoriosa desde o maldito Vaticano II, não pregasse na Igreja o falso remédio da “misericórdia”, virtude muitíssimo deformada nos nossos dias, não teríamos uma situação tão dramática como esta. Segundo as palavras do papa João XXIII, na abertura do conciliábulo, a Igreja pretendia então não mais condenar os erros, senão usar do remédio da misericórdia. As consequências desastrosas desta política conciliar e pós-conciliar todos nós podemos constatar, ainda que alguns fanáticos façam um esforço enorme para se manter na cegueira voluntária.

E, que a abstenção da hierarquia em condenar os erros foi grande culpada nos casos de pedofilia, isto ficou evidente com o caso do monstro Marcial Maciel, fundador dos Legionários de Cristo. Durante anos havia denúncias contra ele, mas o “beato” João Paulo II nada fez. Foi somente Bento XVI assumir o pontificado e toda a podridão foi exposta e condenada, a contra-gosto dos filhos de “padrecito“, que estrebucharam muito por querer ainda continuar venerando o tarado.

E, por falar nas diretrizes do concílio, como não enxergar que a falta de combatividade dos católicos atuais tem raiz no ecumenismo traidor proposto em vários textos conciliares? Não é somente o “espírito do concílio” que é mal, como alguns tentam nos induzir a acreditar, mas a sua própria letra. Basta ler, se se conseguir superar a repugnância, documentos como a Unitatis Redintegratio ou a Dignitatis Humanis, para se perceber que a atitude passiva dos católicos diante das seitas que roubam almas para o inferno foi altamente estimulada pelos textos do conciliábulo.

As “autoridades” eclesiásticas, as mesmas que louvam o concílio, são aqueles que põem em prática as suas maléficas diretrizes. Ou não é o próprio clero moderno a promover o escândalo das celebrações ecumênicas? Não são estes lobos em pele de cordeiro que induzem os pobres fiéis a acreditar na bondade de todas as religiões? Se o clero não estivesse apodrecido, mas pregrasse a doutrina corretamente, a Igreja Católica perderia tantos fiéis para igrejolas de fundo de quintal, dirigidas por um manipulador qualquer? Com certeza, não. Os propagandistas do concílio são os mesmos que arrancam a fé do coração dos fiéis, transformando-os em uma massa amorfa, de indiferentistas sem amor pela verdade revelada por Deus e guardada com tanto zelo por nossos bravos antepassados.

E o que pensar de bispos de terras cristãs que emprestam igrejas para maometanos? São os mesmos bispos que se calam diante das perseguições cruéis e violentas que os cristãos sofrem nas terras onde imperam os erros do sanguinário “profeta”. São os mesmos bispos, aliás, que não permitem, de forma alguma, que os fiéis católicos possam assistir à Santa Missa no rito tridentino.

E se a atitude de tantos membros do clero em relação às falsas religiões é de aberta traição à Fé católica, não menos grave é a forma como eles se comportam diante das questões seculares. Já mencionamos a pedofilia, que deveria ter sido combatida com muito mais força. Como não devemos nos opor com toda firmeza também à atitude de tantos clérigos que apoiaram ou apóiam partidos comunistas? Como deixar de combater a maldita CNBB, ninho de tantas víboras comunistas? E os clérigos que, mesmo sem abraçarem o comunismo, se metem em política, estarão fazendo bem em abandonar o altar para tratar de questões seculares? E os padres que não tem tempo para as coisas sagradas porque precisam fazer “shows”, são eles dignos de aplausos? Ou, antes, de reprovação?

Como podemos levar com bom êxito um apostolado se tudo o que nos esforçamos para transmitir com zelo e fidelidade ao Depósito da Fé é completamente negado por um clérigo modernista? A Tradição avança, sim, mas o tempo que levamos para convencer alguém dos erros modernistas, quando o conseguimos fazer, é muito maior porque as pessoas tendem a acreditar muito mais na autoridade do que nos argumentos. Não que a autoridade seja má, muito pelo contrário. Ela é boníssima quando se presta à sua devida função de ensinar a Verdade. Mas, quando ela se perverte e ensina o erro, arrasta consigo para o abismo uma multidão de almas que não sabem distinguir entre a autoridade legítima e a desviada. Quando nos esforçamos para sermos bom católicos, sempre surge alguém para nos perguntar: “por que você não aceita isso se até o padre faz?”,”por que você não quer participar do encontro ecumênico se o padre está celebrando?”, etc. Quais são os clérigos da igreja conciliar, mesmo os mais “conservadores”, que dão testemunho inequívoco do dogma “Fora da Igreja, não há salvação”? Desta forma, este clero corrupto impede, ou pelo menos atrapalha muitíssimo, um verdadeiro trabalho de conversão dos que estão fora da Igreja. Pelo contrário, somente os confirmam nos seus erros

Diante de tantos inimigos, das falsas religiões aos seculares, que avançam sobre a Igreja, que faz o clero? Ensina o povo a se defender? Organiza o combate apologético para dotar o povo de argumentos contra os ladrões de almas? Fortalece a moral do povo contra o mundanismo? Não. Infelizmente, não. São eles os primeiros a dar mal exemplo de indiferentismo religioso e de má vida.

O mau exemplo da indisciplina

A indisciplina, perda do verdadeiro conceito de obediência – os que exigem de nós uma obediência cega ao CV II, à missa nova e às autoridades pervertidas são os mesmos que dão lições de desobediência aos legítimos pastores, às regras religiosas, litúrgicas, à moral, à doutrina da Igreja. Um bispo ou um padre que exigem obediência cega ao ecumenismo que eles promovem, ou que manda os tradicionalistas se conformarem com o “não” que lhes deram quando pediram a Missa Tridentina, têm estes clérigos alguma moral quando eles mesmos dão exemplo de desobediência? Que situação ridícula: um bispo sem batina – portanto em pública desobediência às leis da Igreja – exigindo que os tradicionalistas abandonem o seu legítimo pedido da Santa Missa em nome da “obediência” ao seu bispo!

A vida espiritual completamente desconhecida

Se os aspectos externos da crise estão nestas condições, não são melhores as disposições internas a que são induzidos os pobres fiéis. De fato, constata-se facilmente que não apenas o combate aos inimigos externos ficou enfraquecido pelo liberalismo reinante desde o concílio, como também a prática interna da própria religião tornou-se superficial para a maioria dos católicos.

Desde sempre a nossa santa religião nos ensinou que temos três inimigos da salvação de nossa alma, a saber, o demônio, o mundo e a carne. Hoje, nesta “primavera” pós-conciliar, qual é o fiel que aprende isto na maioria absoluta das paróquias? Qual é o fiel que sabe o que são os novíssimos? Qual é o padre que fala em penitência e mortificação? Que fala em paraíso e inferno, em salvação ou condenação eternas? Que fala em reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo? Que fala que todo joelho se há de dobrar diante de Nosso Senhor, no Céu, na Terra e nos infernos? Quantos católicos enxergam nos filhos o maior bem do matrimônio? Quantos se vestem com modéstia no dia-a-dia? E na igreja? Quantos rezam o terço diariamente? Quantos fazem leituras espirituais? Quantos preferem morrer a pecar mortalmente?

O discurso do clero tornou-se secularizado. Tanto quis João XXIII que a Igreja abrisse suas janelas para que entrasse ar puro vindo do “mundo”, que os próprios homens de igreja se tornaram mundanos. A blasfema declaração do papa que abriu o concílio, como se o ar do “mundo” pudesse purificar o da a Igreja, e não o contrário, é a síntese do que se tem visto desde o desastre dos anos sessenta. A teologia da libertação, ou melhor da escravidão comunista, prega o materialismo mais rasteiro. Os carismáticos pregam cura e libertação dos males, tudo sob o mais forte sentimentalismo. Outro padre fala de futebol, o bispo comenta a novela da televisão. Os fiéis entram e saem da igreja sem aprender a sublime doutrina católica.

E, se não saciaram sua sede de santos ensinamentos na igreja, no mundo é que não a saciarão. E serão arrastados pelo que é contrário ao Evangelho. Ou se tornam mundanos, ou são seduzidos por alguma seita.

Não somente a secularização é um mal gravíssimo. Também a excessiva exaltação da misericórdia de Deus, em total detrimento de Sua justiça, conduz a uma confusão enorme as almas despreparadas. Certamente que Deus é infinitamente misericordioso, mas a Sua misericórdia é para os que a buscam com sincero arrependimento de suas faltas. Pregar a misericórdia de Deus sem mencionar a necessidade do arrependimento, da penitência, da mortificação, do propósito de mudança de vida, é trair os ensinamentos evangélicos. Os clérigos assassinos de almas que se metem a proferir tais discursos adocicados, falseadores da verdade, não fazem nenhum bem às almas, muito pelo contrário, preparam-nas para a impenitência final porque não lhes instigam a abominação ao pecado, senão a complacência por suas próprias debilidades. Muito bem fazem às almas os bons e santos sacerdotes que alertam os fiéis sobre os riscos de perderem suas almas. Longe de criarem medos desnecessários, os piedosos clérigos que pregam a necessidade do arrependimento e da penitência são os maiores benfeitores destas almas, a quem lhes abrem os olhos sobre o maior perigo que um ser humano corre.

Resultado claro desta desmensurada complacência para com os pecados, são as péssimas confissões dirigidas pelo clero moderno. Quem nunca experimentou confessar um pecado mortal e ser obrigado a ouvir do sacerdote um “belíssimo” discurso tentando nos induzir a crer que nossas faltas não são na realidade tão graves? Ou, então, ouvir aquila maldita frase, “não se preocupe, meu filho, eu também faço isso!”. Ou, mesmo que não desminta a gravidade do pecado, sempre tira o foco dos defeitos que nós precisaríamos que nos fossem arrancados, nos dizendo para não nos preocuparmos com o que fizemos de mal, mas buscássemos nos lembrar do bem que fizemos? Na “primavera pós-conciliar” tudo se perdoa sem arrependimento, tudo se esquece, para tudo se encontra desculpas. A boa disciplina, a santa reprimenda que todos temos necessidade de ouvir nos confessionários, isto já são consideradas coisas do passado, de uma igreja “medieval”, que “inculcava um sentimento de culpa”. A falta de justa correção leva a massa cada vez mais na direção do abismo. Quem procura o caminho do confessionário precisa ser curado de um mal grave, e não ser iludido sobre uma suposta bondade. Nós todos, que compartilhamos a miserável condição humana depois do pecado original, somos muito mais dignos de misericórdia do que de louvores, e necessitamos das correções e orientações que um cura de almas prudente e experimentado nos dê, e não dos elogios vazios e instigadores de vaidade de um psicólogo moderninho que, por acaso, atende em um confessionário.

Mas o mal que o clero podre faz aos fiéis não se limita à moral, mas se estende também à doutrina e à liturgia. Quantas pessoas não são confundidas pela péssima doutrina de padres que não aprenderam, no seminário, a verdadeira doutrina católica? E quantos fiéis não ficam privados da Missa Tridentina por conta dos caprichos de um bispo que se julga no direito de não aplicar as determinações da bula Quo Primum Tempore?

A culpa dos leigos

Certamente que nem toda culpa deve ser atribuída ao clero, pois o povo também não lhe vai melhor. Se cada povo tem o clero que merece, só de observar por alto a CNBB, já percebemos o quanto de culpa nós temos pesando sobre nossos ombros.

Devemos levar uma vida santa e irrepreensível, em primeiro lugar, porque o pecado é uma ofensa infinita ao Deus altíssimo, digno da mais perfeita obediência às suas sábias leis. Em segundo lugar, porque a sorte eterna da nossa pobre alma depende de se encontrar ela sem pecado quando a morte nos tomar de assalto. Depois, a vida santa é o testemunho que não podemos nos recusar de dar ao mundo de que a santidade é possível, e tanto mais a alcançamos quanto mais fiéis somos aos sábios ensinamentos que Deus se dignou nos transmitir através de sua única Igreja, a Católica.

As palavras de Nosso Senhor no Evangelho são claríssimas: como católicos, somos sal da terra e luz do mundo. Não temos o direito de não dar testemunho de Cristo no mundo descrente. Não podemos deixar apagar a luz, deixar de dar testemunho inequívoco, por palavras e por nossa vida, de que a Igreja Católica é a única arca de salvação. O sal que perdeu seu sabor será pisoteado. Não temos consciência disto?

Na igreja conciliar são engrandecidos exatamente aqueles que perderam o sabor, isto é, a Fé. Os ecumenistas são elevados até às honras dos altares e chamados de grandes. Aqueles que traem o Evangelho são feitos bispos. Os profanadores se contam entre os sacerdotes. O povo aplaude “obediente” os chefes que lhes agradam, pois tampouco condenam os vícios das ovelhas que deveriam pastorear. Na igreja conciliar pode tudo. Ou melhor, quase tudo, porque ninguém iria imaginar um judas, destes tantos que conhecemos, aceitar que se cometa o “crime” de querer assistir à Santa Missa no rito tridentino… Pior ainda se disser que o quer porque não aceita a missa nova.

Nesta correnteza toda, quantos católicos hoje sabem dar o valor devido à vida interior? Quantos são capazes de enxergar tudo o que lhes passa na vida sob a luz sobrenatural? Quantos, na igreja conciliar, mesmo sinceramente querendo ser católicos, conseguem escapar do ar mundano que se respira até dentro das igrejas?

Por pior que esteja o clero, há uma grande culpa dos leigos acomodados, mergulhados no pecado que não querem abandonar, pisoteando a consciência. E de outros que não concordam com os descaminhos do clero moderno, mas também não querem ter o trabalho de combatê-los.

“A divisão causada pelos tradicionalistas não enfraquece ainda mais a Igreja”?

Esta acusação não tem sentido. Primeiro, porque foram os modernistas que causaram a divisão, introduzindo um espírito protestantizado, individualista e subjetivista na Igreja. Foram eles que causaram a divisão ao perseguirem os católicos de sempre, tradicionais. Foram eles que introduziram a missa nova e que tentaram de todos os modos proibir a Missa de Sempre. Foram eles que quiseram revolucionar a Igreja. Se nós, tradicionalistas, os combatemos, é para o bem da Igreja. Quando combatemos os inimigos da Igreja estamos fazendo o bem a Ela.

Os inimigos declarados, externos, ganham força contra a Igreja exatamente porque ela está sendo traída desde dentro, pelos liberais que se infiltraram nela. Se os católicos não estivessem tão desorientados por seus pastores, jamais os inimigos da Igreja cresceriam com a facilidade com que crescem hoje. Os protestantes, espíritas e outras seitas não teriam sucesso no seu proselitismo se os fiéis católicos recebessem a correta formação doutrinária e apologética. Vários países não estariam nas mãos de comunistas se os malditos sequazes da teologia da “libertação” não tivesse doutrinado o povo nas cartilhas marxistas. Vários outros não estariam nas mãos de liberais se a doutrina da Igreja fosse bem ensinada. Mas como pode o povo votar em candidatos que defendem a doutrina social da Igreja se esta doutrina nem sequer lhe é ensinada? Como pode o povo católico se organizar para defender a Igreja se encontra tantas lideranças negativas no clero? Ora, um pouco de reflexão sobre os problemas práticos que nos afligem hoje basta para nos convencer de que a situação seria muito diferente se o clero da igreja conciliar não alienasse tanto o povo da verdadeira doutrina católica.

Devemos considerar, ainda, que a divisão existe não somente entre conservadores e progressistas, ou seja, entre aqueles que desejam ser sinceramente ser bons católicos e os inimigos abertos da Igreja Católica tal como Ela sempre foi desde que fundada por Deus. Mesmo nas fileiras dos que combatem os erros modernos há a divisão entre aqueles querem salvar, custe o que custar, o concílio Vaticano II e missa nova e aqueles que reconhecem o mal estes eventos fizeram à Igreja. Os primeiros são, genericamente, chamados “neo-conservadores”, e os outros “tradicionalistas”. Embora as diferenças entre ambos sejam menores do que entre estes e os modernistas, nem por isso elas podem ser ignoradas. Isto porque a posição neo-conservadora, apesar de se propor a defender a Igreja, comporta uma contradição, uma vez que se nega a enxergar que o progressismo e o liberalismo ganharam toda esta força que têm hoje exatamente por conta do Vaticano II e da missa nova, sem os quais não teriam conquistado o terreno que conquistaram. A proposta dos neo-conservadores, portanto, não é verdadeira solução para o problema da crise atual, uma vez que não chega até a raiz deste mal. Quem está acostumado a ler os sites tradicionalistas tem uma noção do quanto as afirmações neo-conservadoras são inconsistentes, e o quanto de malabarismo eles fazem para inocentar o concílio e a missa nova.

Sendo, pois, necessário juntar forças para combater os inimigos da Igreja, sejam os modernistas infiltrados, sejam os inimigos externos e declarados, muito natural nos parece combater aqueles que apresentam propostas que não solucionam o problema. Do contrário, quanto mais se esforça para desculpar o concílio e a missa nova de seus erros, mais os progressistas podem se utilizar dos princípios que eles contêm. Este assunto é longo, já tem ocupado boa parte dos artigos deste blog, e deve continuar ocupando.

Justiça para aqueles que combateram pela Fé e foram perseguidos pelos liberais

Outro motivo, não menos importante que os demais, para continuarmos o combate é que devemos honrar a memória dos que se levantaram contra a tirania do clero liberal. Como poderíamos nós sermos ingratos ao ponto de nos esquecermos dos heróis da Fé que impediram o triunfo completo das pervesas doutrinas liberais dentro da Igreja? Se hoje temos acesso à verdadeira doutrina e à Santa Missa Tridentina, como podemos cruzar os braços e nos esquecermos de que Dom Marcel Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer, e tantos outros, são ainda hoje insultados pelo clero liberal? O bem que eles nos fizeram, nós os pagaríamos com o esquecimento? Claro que não! Devemos continuar lutando até que a injusta declaração de excomunhão sobre eles seja declarada nula e sem efeito, que eles sejam canonizados e os tiranos perseguidores, eles sim, justamente excomungados. Combateremos até que a Justiça seja feita.

Uma igreja de cátaros?

Prevendo a malícia dos neo-conservadores, que tudo conseguem deturpar, já me adianto a responder uma objeção: estaríamos aqui propondo uma Igreja de “puros”, de “cátaros”, sem pecados? Certamente que não é o puritanismo, mas sim o Catolicismo que estou defendendo. A situação atual do clero e do povo é de crise. Quem não percebe isto? Em toda a história da Igreja há entre seus filhos santos e pecadores. Mas, sempre que surgem épocas de crise, como a nossa, é necessário combater com mais vigor os erros. Não queremos propor o erro oposto, donatista, rigorista. Mas tampouco podemos nos acomodar com a péssima situação atual. Temos necessidade de que as autoridades abandonem o liberalismo e voltem a agir como legítimos sucessores dos apóstolos, condenando os erros, ensinando a verdadeira doutrina e a moral católica, celebrando a verdadeira liturgia católica. Temos necessidade de que o clero volte a defender o povo das garras dos lobos, ao invés de incitá-lo a participar de reuniões ecumênicas. Queremos apenas que as autoridades da Igreja recobrem a defesa da Fé católica. Apenas isto. E que o povo recobre a santa obediência, o santo temor de Deus, aprenda a verdadeira doutrina e a verdadeira moral e tenha acesso à Santa Missa de Sempre. Coisas que não acontecem atualmente.

Há mais alegria no Céu por um pecador que se converte do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão. Sem dúvida que os pecadores também fazem parte da Igreja, que os busca converter sem desistir. E este é o problema atual: o clero liberal já não busca converter os pecadores. Tudo o que escrevemos contra estes apóstatas é com a finalidade de fazê-los parar de iludir as pessoas com palavras adocicadas e enganadoras. Demonstra amor aos pobres pecadores aquele que lhes dirige palavras duras de repreensão com a finalidade de corrigi-los, ao passo que o adulador somente os confirma no caminho da perdição.

Conclusão

Eu tentei elencar aqui os motivos pelos quais devemos combater os inimigos internos, mas, devido ao grande número, tenho certeza de outras pessoas podem encontrar outros sérios motivos. De qualquer forma, os que eu consegui escrever aqui já são mais do que suficientes para provar a necessidade deste combate. Temos necessidade de combater muitos prelados que, não obstante a honra de que foram investidos, estão contaminados de liberalismo e fazem um mal enorme à Igreja e às almas. Quem pode ser tão ignorante que não enxergue isto? Quem tem o direito de ficar de braços cruzados sem ser cúmplice daqueles que estão destruindo aquilo que podem na Igreja?

Enquanto “a outra”, como dizia Gustavo Corção, se fizer passar por Igreja Católica, o mundo vai atribuir ao nome dos católicos as culpas que recaem sobre os traidores modernistas. E as almas continuarão confusas e entregues aos lobos, e os inimigos externos aproveitar-se-ão da situação, como já estão aproveitando, para investir com toda fúria contra a Igreja. Por isto, continuaremos combatendo os inimigos internos com todo o vigor.

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PS: Outras situações semelhantes devem ser citadas no artigo sobre o estado de necessidade, que ainda estou por escrever. Tenho intenção também de escrever sobre as dimensões da crise atual. Todos estes assuntos acabam se sobrepondo um ao outro.

Um dos objetivos deste artigo é apresentá-lo às pessoas que escrevem comentários discordando das críticas feitas, por exemplo, à RC”C”. De boa ou de má fé, só Deus sabe, muitas pessoas não compreendem a nossa atitude. Temos esperança de que este artigo possa ajudá-los a compreender, ou a aceitar, esta necessidade de crítica aos movimentos heterodoxos.

Sobre Bruno Luís Santana

Ego Catolicus Romanus sum.
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