Como excitar a contrição perfeita

(do livro O pequeno Missionário, dos Missionários da Congregação da Missão, editora Vozes, Petrópolis, 8ª edição, 1958)

IV

Como excitar a contrição perfeita na hora da morte, principalmente na falta de sacerdote?

Lançai água benta sobre o enfermo, sobre o leito e pelo quarto. A água benta afugenta o demônio. Fazei o doente beijar Jesus Crucificado, colocai depois o crucifixo diante de sua vista e, todos ajoelhados, rezando baixinho, procurai inspirar-lhe uma grande confiança na misericórdia divina, dizendo: “Meu Deus, ainda que o grande número e a enormidade dos meus pecados me tornem indigno do perdão, contudo espero em vós por causa da vossa imensa bondade e misericórdia. Espero o perdão, ó meu Deus e Pai, pelos merecimentos de Jesus Cristo, vosso amado Filho. Pobre e miserável pecador, sois vós, meu Pai, e Maria, minha Mãe, meu único amparo: tenho confiança que me perdoeis e me recebais nesta hora da minha morte para viver convosco e vos amar eternamente“.

Depois de inspirar a confiança, procurai excitar a contrição. É bom começar pela contrição imperfeita, para depois subir à contrição perfeita, pelas estações do inferno, do céu e do Calvário.

Consideram-se em primeiro lugar as penas do inferno, com discrição, o que provoca o temor de Deus e o amor de gratidão. “Tinha merecido o inferno, a perda de Deus, o Sumo  bem, a companhia dos demônios e condenados, o fogo eterno. Ah, meu Deus, se tivesse morrido, onde estaria? Obrigado, meu bom Pai, que me poupastes os castigos para me perdoar e vos amar“.

Chegando à porta do céu, digamos: “Ó Deus, bondade, beleza, perfeição infinitas, pesa-me de todo o coração de vos ter ofendido e perdido pelo pecado. Ó Deus, digno de todo o amor, porque o pecado vos desagrada eu vos peço perdão e quero vos amar.

Subindo ao Calvário e ajoelhados com Maria Madalena diante da cruz, abraçemos os pés traspassados de Jesus e digamos: “Meu bom Salvador, pregado de mãos e pés no cruel madeiro, coberto de chagas e de sangue, eis minha obra, a obra do meu pecado. Filho ingrato, tornei-me o algoz do meu Pai. Pelos vossos sofrimentos, pelo vosso precioso sangue, pelo vosso coração traspassado por meu amor, perdoai-me. Maria, Mãe dos pecadores, pelas vossas dores, alcançai-me do vosso divino Filho perdão e misericórdia“.

Depois, olhando para o crucifixo, reza-se com voz clara e compassada, o ato de contrição: “Senhor, meu Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro Criador e Redentor meu, por serdes vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas, e porque vos amo e vos estimo, pesa-me, Senhor, de vos ter ofendido; e proponho firmemente, ajudado com os auxílios de vossa divina graça, emendar-me e nunca mais tornar a vos ofender; espero alcançar de vossa infinita misericórdia o perdão de minhas culpas. Amém”.

Procedendo assim, com tanta boa vontade da parte do moribundo e dos parentes e amigos, não é possível que o Deus que morreu para nos salvar, não conceda a graça de uma verdadeira contrição perfeita, chamado por isso “Chave do Céu e ferrolho do inferno“.

Sobre Bruno Luís Santana

Ego Catolicus Romanus sum.
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