A chave do céu e ferrolho do inferno, ou a Contrição perfeita

(do livro O pequeno Missionário, dos Missionários da Congregação da Missão, editora Vozes, Petrópolis, 8ª edição, 1958)

Que fazer quando na hora da morte não há sacerdote para administrar os últimos sacramentos?

Uma pessoa está para morrer, está em pecado mortal e não há padre para se confessar. Está tudo perdido, não haverá  um meio de salvação? Sim, há um recurso, a Contrição perfeita.

I

Natureza da Contrição perfeita. Em que consiste? Vou explicá-lo. A contrição é o arrependimento e detestação do pecado cometido com o firme propósito de não pecar mais. Há duas espécies de contrição, a perfeita e a imperfeita.

A contrição perfeita consiste em arrepender-se porque o pecado ofende a Deus, o bem supremo, a beleza, a bondade, a perfeição infinita, e por isso digno de todo o nosso amor. Consiste ainda em, considerando tudo quanto o Salvador sofreu por nossos pecados em sua paixão e morte, ter compaixão de Jesus e pesar do pecado que lhe causa tanto sofrimento.

Consiste pois a contrição perfeita em arrepender-se do pecado por amor de Deus, porque desagrada a Deus.

A contrição imperfeita consiste em arrepender-se do pecado por causa de sua fealdade, por ser uma revolta, uma ingratidão contra Deus e por medo do castigo.

Uma comparação fará compreender perfeitamente a diferença essencial entre a contrição perfeita e a imperfeita.

Dois homens, suponhamos Pedro e Paulo, cometem um pecado mortal qualquer. Cometido o pecado, caem em si. Pedro diz: “Cometi um pecado mortal, mas já estou arrependido de ter praticado um ato indigno, tão feio, e merecedor de castigo. Tenho medo do inferno. Meu Deus, perdoai, não quero perder minha alma!” Pedro tem a contrição imperfeita porque se arrepende por causa da fealdade do pecado e medo do inferno. Se com essa contrição recebe a absolvição, morrendo, salva-se, mas sem absolvição, só com a contrição imperfeita não se salva.

Paulo diz também: “Pequei mortalmente; estou arrependido porque o pecado é coisa abominável, porque por ele perdi o direito ao céu e mereci o inferno; mas o que me dói mais é de vos ter ofendido a vós, meu Deus, que sois a perfeição infinita, digno de todo o amor e de ter sido, por meu pecado, a causa dos atrozes sofrimentos de Jesus em sua Paixão e Morte. Perdoai, meu Deus, meu Pai”.

Paulo tem a contrição perfeita porque se arrepende não só por causa da fealdade do pecado e medo do castigo, mas por amor de Deus. Se morrer, mesmo sem confissão, mas com desejo de se confessar, caso seja possível, salva-se.

Quem não vê que Pedro detesta o pecado por ser um mal seu, ao passo que Paulo o detesta por ser um mal de Deus.

Eis em poucas palavras um ato de contrição perfeita: “Meu Deus, tenho um extremo pesar de vos ter ofendido, porque sois infinitamente bom e amável e porque o pecado vos desagrada“.

Sobre Bruno Luís Santana

Ego Catolicus Romanus sum.
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