Em perigo de morte, chamai o sacerdote

(do livro O pequeno Missionário, dos Missionários da Congregação da Missão, editora Vozes, Petrópolis, 8ª edição, 1958)

A alma está no limiar da eternidade; chegou a hora terrível que decide da sorte eterna, do céu ou do inferno; chamai o sacerdote, embora seja com sacrifício, para administrar os últimos sacramentos. Digo: chamai o sacerdote, em perigo de morte, o que não quer dizer só em perigo extremo, na última hora, quase no último suspiro. Isso expõe o enfermo a receber os socorros da religião, quase sem fruto e até a morrer sem eles. No último momento o espírito e o corpo estão acabrunhados, enfraquecidos, a consciência obscurecida, de sorte que é difícil, impossível quase, produzir os atos necessários para a frutuosa recepção dos sacramentos de que o pobre enfermo precisa tanto.

Agonia é uma palavra grega que quer dizer luta, luta terrível e decisiva entre a vida e a morte e principalmente, entre a alma e o demônio que depois de trabalhar toda a vida para conquistar a alma, vê que agora se trata de ganhar ou de perder tudo e para sempre.

Oh! Que terrível responsabilidade para uma esposa, um pai, um filho, uma irmã, deixarem um ente querido, morrer sem sacramentos e quase sem esperança de salvação, porque não chamaram o ministro de Deus ou chamaram tarde quando o pobre moribundo já não tem mais consciência do que está se passando.

Disseram: mais tarde chamaremos. Mais tarde! Palavra infeliz! O mais tarde tornou-se, “tarde demais!” Quantas almas perdidas, penando eternamente. Quantas pessoas choram hoje, irremediavelmente inconsoláveis, porque deixaram uma criatura muito amada morrer sem sacramentos. Nem lágrimas, nem remorso podem reparar tal desgraça.

É rigorosa obrigação para parentes e médicos advertirem ao enfermo, com discrição, prudência, jeito, em tempo oportuno, do perigo de morte, ou pelo menos avisarem ao sacerdote. Que cegueira ocultar ao doente esse perigo! Desculpam-se dizendo: tenho compaixão do pobre doente, não quero perurbá-lo, espantá-lo. Mas quem deixa de dar um grito para avisar um cego que está à beira de um abismo, embora o aviso o espante? Que espanto terrível será quando pouco depois abrir os olhos lá onde caiu! Ocultar ao pobre moribundo o seu estado perigoso não é compaixão, é crueldade. Nem por isso a morte deixa de avançar e de cumprir as ordens de Deus.

Chamai o sacerdote mesmo no caso em que o doente de modo imprevisto perdeu os sentidos ou mesmo quando de repente parece ter expirado. Pensam os médicos, e a experiência o tem provado mais de uma vez, que depois de aparentemente expirar, ainda pode haver um resto de vida, mais ou menos durante uma hora e em caso de morte repentina, durante várias horas.

Sobre Bruno Luís Santana

Ego Catolicus Romanus sum.
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