O pecado

 

Anjo caído, de Gustave Doré (século XIX)

 

Pecar é faltar voluntariamente contra a lei de Deus.

Há duas espécies de pecado: o pecado original e o atual.

Pecado original é aquele com que todos nascemos, herdado de nossos primeiros pais. Apaga-se pelo santo batismo.

Pecado atual é o que se comete voluntariamente, depois de se ter chegado ao uso da razão. Pode-se pecar por pensamentos, desejos, palavras, obras e omissões.

Omissão quer dizer deixar de fazer aquilo a que se está obrigado.

Nem todos os pecados são iguais; como entre amigos pode surgir desgostos pequenos e graves, assim também sucede entre Deus e o homem.

Não rompem a amizade os pequenos desgostos, mas sim os graves.

O pecado atual pode ser mortal e venial.

Pecado mortal é a transgressão da lei de Deus em matéria grave, com plena adevertência da inteligência e pleno consentimento da vontade.

Matéria grave significa cousa de muita importância.

Plena advertência significa que o entendimento conhece claramente que a cousa é má. Não peca, por falta de advertência, quem come carne em dia proibido, porque não sabe ou não recorda que é dia da abstinência.

Pleno consentimento significa que a vontade esteja completamente livre.

Um sonho mau, de per si, não é pecado, porque quando um dorme não é livre no fazer o bem ou o mal. Não havendo livre vontade, não há pecado.

Não peca quem impelido a viva força contra a sua vontade faz algum mal.

Não tira a livre vontade o fato de ser obrigado, porém não a viva força, a fazer alguma cousa, que de outra maneira não teríamos feito.

Pecaria, por exemplo, quem, sendo ameaçado de morte ou de outro grave mal, cometesse uma ação má por sua natureza, como insultar a Deus, apostatar a verdadeira religião, etc. Para que haja pecado, não é necessário querer ofender diretamente a Deus. Só o demônio ou homens semelhantes ao demônio, podem querer diretamente ofender a Deus.

O fim que se tem em pecar é somente a satisfação da paixão e do capricho.

Para que haja pecado, nem mesmo é necessário pensar que se ofende a Deus, basta fazer livremente algo ilícito, sabendo que aquilo não se deve fazer, porque é mau.

Quem faz o mal, desconhecendo que é mal, mas por ignorância culpável, peca. Quem faz um ato, duvidando si é lícito, peca.

Quando alguém duvida si um ato é lícito ou ilícito, deve antes averiguar, não podendo efetuá-lo sem estar certo de que é lícito. O meio mais prático para saber si um ato é lícito ou não, é perguntar ao confessor.

Quem pratica algum ato lícito, porém, erradamente julga que é ilícito, peca.

O pecado mortal perdoa-se de duas maneiras:

1º Confessando-se.

2º Fazendo um ato de contrição perfeita com o propósito de confessar-se.

O pecado grave chama-se mortal, porque priva a alma da vida sobrenatural, da graça santificante.

Pecado venial é faltar à lei de Deus em matéria leve, ou em cousa grave, porém sem plena advertência do entendimento ou pleno consentimento da vontade.

Chama-se pecado venial, isto é, perdoável, porque não tira a graça de Deus e se perdoa facilmente.

Consegue-se o perdão do pecado venial com o simples arrependimento de tê-lo cometido.

ATUALIZAÇÃO – 28/12/2010

(do livro Luz do Céu: Curso de Religião para o Ginásio. 1º tomo: o Credo. Edição: Livraria da Doutrina Cristã, Edições Salesianas, 1958)

Culpa e perdão

Na solidão do monte Horeb, Deus apareceu a Moisés para lhe confiar uma missão toda especial: encarregou-o de libertar o povo eleito da escravidão do Egito. Moisés apresentou-se ao rei do Egito e em nome de Deus intimou-o a dar liberdade ao povo.

O faraó replicou: “E quem é este Deus para que eu deva obedecer-lhe?” e recusou-se submeter-se à ordem divina. A História Sagrada nos conta a sua morte: punido, primeiramente com o castigo das dez pragas, morreu depois submerso pelas águas do Mar Vermelho.

E quem é este Deus?… As palavras altivas do Faraó rebelde causam maravilha. Entretanto quantos não a repetem com os seus pecados! Não devemos esquecer-nos que o pecado é uma ofensa feita a Deus desobedecendo à sua Lei.

O pecado atual

O primeiro pecado foi o de Adão e provocou consequências desastrosas para todos os homens. Como descendentes de Adão todos os homens o contraem: é o pecado original.

Qualquer outro pecado, ao invés, é culpa nossa porque é cometido voluntariamente por quem tem o uso da razão. Chama-se atual porque cada um o comete como um ato pessoal de que é responsável.

A remissão do pecado

Quem pode perdoar uma ofensa? Aquele a quem foi feita e não outro. E quem então pode perdoar a ofensa feita a Deus com o pecado? Só Deus. Somente Deus pode perdoar os pecados.

Neste ponto surge espontaneamente uma outra pergunta: como podemos saber se Ele de fato perdoa?

Basta abrir o Evangelho. A atitude e as palavras do bom Mestre nos dizem que há para os pecados um perdão generoso e divino. Madalena, a Samaritana, Zaqueu, o paralítico, o bom ladrão, o mesmo Pedro experimentaram a generosidade misericordiosa de Jesus, que para confirmar sua atitude, pronunciou estas significativas palavras: Não tem necessidade de médico os que estão bons, mas sim os doentes; e proclamou: não vim para os justos, mas para os pecadores.

“A quem perdoardes os pecados…”

Jesus veio para os pecadores, para livrá-los dos pecados. Veio para todos os pecadores, para todos os homens. Todavia, um dia tornou a subir ao céu para junto de seu Pai. Para estender a todos a sua missão de salvação, já que lhe fôra dado todo o poder no céu e na terra, Jesus deixou o poder divino de perdoar os pecados, confiando-o aos pastores da Igreja por Ele fundada.

Foi este o maior presente, a maior esmola feita por Jesus à humanidade pecadora. E deu este presente no maior dia: no dia radioso da Ressurreição. Conta-o o Santo Evangelho.

Noite de Páscoa.

No cenáculo os Apóstolos comentavam as notícias do dia. O sepulcro vazio, o Mestre ressuscitado…

– “A paz esteja convosco!” ouviu-se improvisamente. Que alegre surpresa! Jesus estava no meio deles: sua voz, seu rosto, Ele todo inteiro… No entanto as portas estavam fechadas! Não podia ser um fantasma?… uma assombração?… Os apóstolos ficaram perturbados.

– “Não!” disse Jesus. Não tenhais medo, sou eu. Podeis tocar-me. Os fantasmas não têm carne nem osso.

E para maior confirmação comeu um peixe assado e um favo de mel. Depois repetiu: A paz esteja convosco! Em seguida soprou levemente sobre eles. Que significava aquele sopro? Disseram-no claramente as palavras seguintes:

Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados; e a quem os retiverdes, serão retidos.

Naquele momento Jesus via legiões imensas de homens, imersos na culpa, roídos pelo remorso, ansiosos de perdão. E com aquelas palavras deu  aos Apóstolos e aos seus sucessores o poder de perdoar todos os pecados. Perdoar todos os pecados, sem limite algum. Já o havia dito a Pedro que lhe perguntara se devia perdoar até sete vezes: Não sete vezes, mas setenta vezes sete, isto é: sempre e com a mesma misericórdia.

Meios de remissão

Perdoar os pecados, mas de que modo?

Os pecados atuais, se foram cometidos antes do Batismo, são perdoados juntamente com o pecado original quando se recebe o Primeiro Sacramento. Se foram, porém, cometidos depois, são perdoados “principalmente” com o sacramento da Confissão, que foi instituído por Jesus Cristo, precisamente para este fim.

Dissemos “principalmente” porque os pecados cometidos depois do Batismo podem sem perdoados por outros meios. Com efeito, se o pecado atual não é grave é perdoado com a dor somente, sem a Confissão, e ainda quando é grave é perdoado com a dor perfeita mesmo antes da Confissão: mas mesmo neste caso, persiste o dever da Confissão.

Além disso, se uma pessoa está para morrer e não se pode confessar, seus pecados são perdoados com a Extrema-Unção (“unção dos enfermos), contanto que esteja arrependida dos mesmos.

Como vemos, muitos são os meios, muitos os caminhos através dos quais chega até nós a generosa, a inexaurível misericórdia de Deus.

Um comerciante luterano, gravemente doente, mandou chamar o pastor protestante: tinha alguma coisa que lhe angustiava a consciência.

– O senhor pode perdoar meus pecados? perguntou-lhe.

– Não se perturbe, senhor. Reze a Deus e Ele lhe perdoará tudo.

– Não estou perguntando isto. Pergunto se o senhor tem poder de perdoar os meus pecados.

Os protestantes não admitem a Confissão; e o pastor respondeu:

– Eu? certamente que não!

– Sinto muito. Porque eu creio no Evangelho, e o Evangelho me diz que Jesus concedeu de fato este poder aos seus representantes. Então devo concluir que o senhor não é da Igreja de Jesus Cristo.

Despedindo o pastor, mandou chamar o sacerdote católico: abjurou o Protestantismo, entrou na nossa Igreja e depois de ter recebido, com os Sacramentos, a remissão dos pecados, passou serenamente para uma vida melhor.

Acontece que há protestantes que se convertem ao catolicismo para se poderem confessar. O estranho é que entre os católicos haja quem não queira saber da confissão.

Sobre Bruno Luís Santana

Ego Catolicus Romanus sum.
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