Mérito das Boas Obras

Orazio Borgianni, São Carlos Borromeu entre as vítimas da Peste, século XVII (1610)

As boas obras, em razão do mérito, podem ser vivas, mortas e mortificadas.

Vivas – são as que se fazem em graça de Deus.

Enquanto permanece a graça de Deus, são dignas de mérito e de prêmio eterno.

Mortas – são as que se fazem em pecado mortal.

Nunca terão mérito, nem prêmio.

Que cousa triste é viver em pecado mortal! Em tal estado, embora se façam obras muito boas, não se alcançará por elas prêmio algum na eternidade.

Não obstante, quanto maior for o número de boas obras que faz um pecador, tanto mais fácil é para ele conseguir a graça da conversão.

Mortificadas – são as boas obras feitas em graça de Deus, quando sobrevêm o pecado mortal. 

Enquanto perdura o pecado mortal, são como mortas; mas, si se recupera a graça de Deus, logo revivescem.

Para que as boas obras sejam meritórias, devem fazer-se com a reta intenção de agradar a Deus.

As boas obras não têm todas o mesmo mérito, mas, umas são muito mais meritórias que outras; e até pode suceder que uma só tenha mais merecimento que muitas outras juntas.

As boas obras podem ser obrigatórias e não-obrigatórias ou superrogativas.

Obrigatórias, são as impostas sob pena de culpa, como ouvir Missa nos dias festivos.

Superrogativas, as que não são de obrigação, como ouvir Missa diariamente.

As boas obras mais recomendadas por Deus na Sagrada escritura são:

1º A oração, ou seja, os atos relativos ao culto divino, como a Santa Missa, etc.

2º O jejum ou as obras de mortificação.

3☺A esmola ou as obras de caridade e misericórdia.

As verdadeiras riquezas são as boas obras feitas em graça de Deus.

A grandeza do galardão deve excitar-nos a praticar muitas boas obras.

Uma obra boa e o menor ato de virtude têm mais valor e glória do que todas as façanhas dos mais célebres conquistadores, do que as negociações mais importantes, e a conquista ou o governo de um império.

A fé nô-lo ensina e a razão mesma nô-lo convence, porque tudo isto não é mais do que a glória da creatura, enquanto que as boas obras e os atos de virtude procuram a glória do Creador.

Daí podemos concluir, que não há comparação alguma, nem proporção entre uma cousa e outra.

Esta verdade bem compreendida, que alentos não infunde nas almas boas para a prática de todas aquelas obras que podem contribuir para a glória de Deus! Que fervor em todos os exercícios de piedade! Que desprezo de tudo o que não é Deus, nem tem relação com sua glória! 

Quando leio no Evangelho, que não ficará sem prêmio um copo de água fria dado a um pobre, penso comigo mesmo:

Pois, que será de outras muitíssimas boas obras de mais importância, que me são fáceis de praticar, si as faço para agradar a Deus, que me promete em recompensa um bem eterno?

Penso por vezes nestas três cousas: um bem infinito, uma eternidade e uma ação de um instante, que me é tão fácil e fico surpreendido ao ver a minha cegueira; não deveria eu esforçar-me por  aproveitar cuidadosamente todos os instantes de minha vida para fazer boas obras?

Um bem infinito por tão pouca cousa! Uma bemaventurança eterna por um momento tão breve de trabalho!

Pouco tempo depois de morta, uma pessoa muito piedosa, apareceu radiante de glória a outra e lhe disse:

“Sou sumamente feliz; mas, si alguma cousa eu pudesse desejar, seria voltar à vida e padecer muito, afim de merecer mais glória“, acrescentando, que estava pronta a padecer até o dia do juízo todas as dores, que tinha padecido durante sua  última enfermidade, para adquirir somente a glória que corresponde ao mérito de uma só Ave Maria.

Sobre Bruno Luís Santana

Ego Catolicus Romanus sum.
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