(Tópico-bônus III) Mestra Infalível da Verdade

(do livro Luz do Céu: Curso de Religião para o Ginásio. 1º tomo: o Credo. Edição: Livraria da Doutrina Cristã, Edições Salesianas, 1958)

Santos doutores da Igreja (em número de 33, destacaram-se por terem recebido de Deus uma luz especial para a compreensão e o ensino das verdades da fé)

Jesus instituiu a Igreja com este fim: para que os homens encontrem nela o caminho seguro para conseguir a salvação eterna.

A Igreja é pois, um maravilhoso e ousado caminho para a escalada do Céu.

Quando nos aventuramos a escalar algum pico ou quando uma expedição tenta conquistar uma região inexplorada, há necessidade de um guia.

Quem é que faz o papel de guia na Igreja?

A Igreja docente…

Guia é quem ensina o caminho a quem não sabe. Ora, Jesus Cristo encarregou os Apóstolos de ensinar. Eis suas palavras: “Ide e ensinai todos os povos… ensinando-lhes a observar tudo o que vos mandei“.

Portanto, segundo Jesus Cristo, os Apóstolos e depois seus sucessores devem ser guias na Igreja. Por isso dizemos que o Papa e os bispos unidos com ele constituem a Igreja docente, encarregada de ensinar as verdades e as leis divinas a todos os homens.

Tão somente ela recebeu essa missão: e por isso, somente dela é que os homens recebem o conhecimento pleno e seguro da verdade, e as leis necessárias para viver cristãmente.

Conhecimento pleno, isto é, de todas as verdades e não de alguma somente. Conhecimento seguro, isto é, sem sombra de dúvida e sem receio de erros.

… é infalível.

Todavia não é possível ter garantia de conhecimento quando quem ensina está sujeito ao erro. Por isso é necessário que a Igreja docente seja infalível.

Este ponto é muito importante, e Jesus quis esclarecê-lo muito bem. Fez à sua Igreja uma preciosíssima promessa. Após a última ceia entretendo-se em conversa íntima com os Apóstolos disse: “Rezarei ao Pai e Ele vos dará um outro Consolador, para que permaneça sempre convosco, o Espírito de verdade que vos ensinará tudo e vos lembrará quanto vos disse“.

A promessa e a oração de Jesus dão à Igreja a máxima garantia: é impossível que ela possa errar, pois o Espírito de verdade assiste-a continuamente.

Mas a promessa de não errar (=infalibilidade), não foi feita a cada um dos bispos separadamente, mas a todos juntos, concordes entre si e unidos com o Papa. Além disso a infalibilidade prometida diz respeito, como afirmou Jesus, ao ensinamento das “coisas que vos disse“. Essas coisas são as verdades por Ele reveladas e que nós devemos crer.

Do quanto dissemos nascem duas conclusões bem claras:

1) Cada bispo, tomado isoladamente, pode errar nas verdades da fé, porque não é infalível.

2) A mesma Igreja docente não é infalível quando fala de coisas que não têm nenhuma relação com as verdades reveladas.

A pedra fundamental.

Com as solenes palavras: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja“, Jesus Cristo prometeu ao pescador da Galiléia que o faria alicerce da sua Igreja, concedendo-lhe o primado de jurisdição e ensinamento sobre todos os Apóstolos. Após sua ressurreição Jesus deu de fato a São Pedro esta incumbência, ao dizer-lhe: “Apascenta minhas ovelhas e apascenta os meus cordeiros“.

E São Pedro exerceu este primado? Como? Onde?

Sabemos pela história que, depois de Pentecostes, libertado da prisão por um anjo, Pedro deixou Jerusalém e foi para Antioquia.

De lá dirigiu-se a Roma, onde fixou definitivamente sua sede. Foi o primeiro Bispo da cidade imperial. Mas, lembrando a ordem recebida de Jesus, preocupou-se sempre com todo o rebanho de Cristo, sendo de fato o Bispo universal de toda a Igreja. À sua morte sucedeu-lhe São Lino na sede episcopal de Roma e também no primado, isto é, no ofício de príncipe dos Apóstolos e de Bispo universal; seguiram-se Santo Anacleto, São Clemente… A cadeia de sucessores de São Pedro não se interrompeu jamais; chegou até o atual Pontífice Bento XVI.

 

Crucifixão de São Pedro (Caravaggio, século XVII)

O Papa, precisamente como sucessor de São Pedro, é o chefe visível de toda a Igreja e Vigário ou seja representante jurídico de Jesus Cristo, que é seu chefe invisível. O Papa, portanto, é verdadeiramente, segundo a convincente expressão de Santa Catarina de Sena “o doce Cristo na terra“.

O Papa é infalível

Os bispos em união com o Papa constituem a Igreja que não erra quando ensina, a Igreja infalivelmente docente; Mas, sozinho, possui também ele este extraordinário privilégio?

Devemos pensar nas palavras dirigidas por Jesus a São Pedro: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja“. Pedro, portanto, é o fundamento duma construção que deve permanecer inabalável. Se o alicerce se abala, o edifício todo desmorona. No nosso caso, o alicerce não deverá ter dúvida nem incerteza, nem erro, que seriam abalos da verdade.

Mas Jesus continuou: “E eu te darei as chaves do reino dos Céus; tudo o que ligares na terra será ligado também no Céu, tudo o que desligares na terra, será desligado também no Céu“. Com estas palavras Jesus prometeu claramente que Deus no Céu confirmaria e aprovaria todas as suas decisões, porque de aí em diante considerava São Pedro como seu vigário na terra. “Atar e desatar” na língua hebraica significava também aprovar as decisões e confirmá-las com autoridade.

Agora concluímos: Pode Deus comprometer-se a aprovar um erro? Não, por certo. Portanto, com aquelas palavras Jesus prometeu a seu vigário a imunidade de todo o erro. O Papa, mesmo sozinho, é infalível.

Em outra ocasião Jesus disse a Pedro: Rezei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu… confirma nela os teus irmãos“.

A oração de Jesus para que seu Vigário fosse fiel é absolutamente importante. Jesus pede que o seu representante não caia em erro, tanto mais que o encarrega de sustentar a fé dos outros.

Se o Papa não fosse infalível, mesmo sozinho, não poderia ser o alicerce de toda a Igreja; Jesus não poderia dar uma aprovação sem limites às suas decisões como lhe prometeu, e Pedro não estaria sequer capacitado a confirmar os irmãos.

Quando é infalível?

A infalibilidade do Papa como a da Igreja está sujeita a uma condição. O Papa é infalível quando nos ensina as verdades reveladas, ou mais precisamente, quando como pastor e mestre de todos os cristãos define doutrinas a respeito da fé e costumes.

 

 

Pio XII proclama o dogma da Assunção de Nossa Senhora (1950)

 

Define, isto é, proclama que um ensinamento é revelado por Deus, e o faz de forma solene e pública, como Pastor e Mestre de todos os cristãos.

E quando fala a um grupo de fiéis recebidos em audiência, é infalível? Não, embora sua palavra tenha então, muito valor.

Doutrinas que dizem respeito à fé e aos costumes, isto é, ensinamentos concernentes à fé e à vida cristã, e tudo o que com ela se relaciona. Fora desse campo, por exemplo, no campo científico, a palavra do Papa não é mais infalível. A infalibilidade não lhe foi dada para isso.

Infalível quer dizer impecável? Não! Pois o Papa embora seja melhor do que nós, também se confessa, porque também ele é um homem e tem alguma coisa de que pedir perdão à misericórdia de Deus. O privilégio da impecabilidade foi concedido somente a Maria Santíssima concebida sem pecado. Ela permaneceu sem pecado até o último instante da sua vida.

Sobre Bruno Luís Santana

Ego Catolicus Romanus sum.
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