O homem

O homem é um ser racional composto de corpo e alma.

A alma é um espírito imortal.

A alma exerce atos espirituais, como pensar, querer, etc.; por conseguinte, é espírito.

É imortal, pois, sendo uma substância espiritual, simples, não tem parte em que se possa decompor.

Deus elevou a alma humana à vida sobrenatural da graça, para gozar com ele eternamente na glória.

A fé e a razão nos dizem que nossa alma não morre com o corpo; pelo contrário, vai receber o prêmio ou o castigo eterno, segundo suas obras.

O homem é livre; pode fazer o bem ou o mal, fazer uma cousa ou deixar de fazê-la; ou também fazer uma cousa em vez de outra.

Temos a liberdade para fazer o mal, mas não o direito de fazê-lo.

Precisamente porque somos livre de fazer o bem ou o mal, é que merecemos prêmio ou castigo.

O homem foi última obra da creação.

Foi creado à imagem e semelhança de Deus.

Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”.

O Senhor formou do barro o corpo do homem: soprou-lhe no rosto, infundindo-lhe uma alma racional, princípio de vida.

O primeiro homem se chamou Adão.

Deus disse: “Não é bom que o homem fique só: Façamos-lhe um adjutório semelhante a ele“.

Deus mandou um profundo sono a Adão, e enquanto dormia, tirou-lhe uma costela, com a qual formou a mulher e a apresentou a Adão, que a aceitou por companheira.

A creação do primeiro homem e da primeira mulher, na forma indicada, não é impossível.

Si Deus, por ser onipotente, pode tirar as cousas do nada; com maior razão, pode trocar uma cousa em outra.

A primeira mulher se chamou Eva.

Todos os homens descendem de Adão e Eva.

Adão e Eva, adornados por Deus da graça santificante, moravam no Éden ou Paraíso terrestre; eram completamente felizes, estavam livres da morte e das demais misérias.

Do Paraíso terrestre seriam transportados ao celestial, sem passar pela morte.

Tudo obedecia à voz do homem.

Deus concedeu estes dons a Adão e a todos os seus descendentes, com a condição de não comer do fruto da árvore chamada da ciência do bem e do mal.

Esta proibição tinha por fim provar a fidelidade de nossos primeiros pais e fazer-lhes conhecer que tinham um Senhor a quem deviam obedecer.

ACRÉSCIMO – 12-12-2010

A imagem de Deus

Quanto vale o homem?

Um cientista americano calculou conscientemente o valor de um corpo humano. Eis o resultado de seus cálculos: há no homem água bastante para lavar uma toalha, cal suficiente para caiar uma das quatro paredes de uma pequena sala; ferro para fabricar cinco pregos de ferradura; grafite para uma dúzia de lápis; fósforo para uma caixinha. Tudo num total de 98 centésimos de dólar.

Magro balanço, se tudo se reduzisse a isso apenas! O hipopótamo ou o elefante valeria muito mais que nós! Ninguém pensa, entretanto, que um animal por maior e mais gordo que seja, valha de fato mais que um homem.

Por que?

É evidente: um quadrúpede é um animal, mas não é racional. Entre ele e nós há uma enorme diferença: nós temos uma alma espiritual e imortal; ele não!

Ninguém viu a alma.

Há sem dúvida quem goste de equiparar-se aos animais, proclamando que a alma não existe. Se falasse de si, poderíamos dar-lhe crédito e deixá-lo falar! Mas como pretende sustentar o mesmo a nosso respeito, é preciso dar-lhe uma resposta. O grande argumento é o seguinte: a alma não se vê; logo não existe!

Se a alma existisse, dizia um Fulano, mais cedo ou mais tarde deveríamos vê-la. Entretanto, quem jamais a viu?

– Ah, sim?! Responderam-lhe. Sou justamente da sua opinião; o sr. já viu alguma vez sua inteligência? – Não! Quer dizer que não existe, e então o sr. não tem inteligência. Passar bem!

Foi uma boa resposta, que fechou a boca do sabichão”.

A alma do homem não se vê: mas é claro… ela é espiritual! E requer-se muito pouco esforço para descobrir que ela existe no homem.

O homem é inteligente

Comparemos um animal e um menino. O animal não pensa, não fala, é incapaz de estudar; o menino ao invés pensa, fala e é capaz de estudar.

Há um meio muito simples para convencer-se de que o homem tem uma alma que o animal não tem: pegue um cão (dizem que o cão é tão inteligente!) e leia para ele uma poesia de Castro Alves, por exemplo “O livro e a América”; ou senão coloque-o diante do rádio para acompanhar uma partida de futebol ou, (o que dá na mesma) pergunte-lhe quanto é 9 x 51.

Se ele tivesse uma alma como nós, “entenderia” ao menos alguma coisa de tudo isso. Mas na realidade não entende absolutamente nada.

Somos, pois, bem diferentes dos animais. Diferentíssimos até! Temos uma alma espiritual, e por isso somos inteligentes!

São Domingos de Fra Angélico (século XV)

O homem é livre

É manhã: o gato acorda. Espreguiça-se, lambe um pouco o pelo e dá uma fugidinha para a cozinha. Num prato há uns restos de peixe. O gato tem fome: o instinto o atrai e ele come.

Cláudio levantou-se também; através dos vidros do guarda-comida descobre um doce apetitoso. Está ainda em jejum: sente a água vir-lhe à boca. O instinto o atrai também.

Mas Cláudio pensa: hoje é sexta-feira, dia que lembra a Paixão de Jesus; vou fazer uma pequena mortificação. Cláudio não come o doce”.

Quem o reteve? Ele mesmo. Sabia que o doce era bom: mas sentiu-se livre para decidir, não segundo o atrativo da gula, mas de acordo com a sugestão da consciência.

Não obstante os instintos ou caprichos que nos possam assaltar, cada um de nós é livre de fazer ou não fazer uma ação, e entre duas coisas diversas podemos escolher uma ou outra livremente.

A liberdade é o maior dote da alma humana.

A liberdade e o mal

Faça de conta que você esteja numa festa de casamento. Há grande aglomeração de convidados. Todos seriam livres de pôr-se a caminhar com quatro patas e fazer o papel de jumento. Nenhum, porém, permite-se tal extravagância.

Por que?

Quem assim fizesse demonstraria ter um grande dom, a liberdade, mas também daria mostras de não saber usá-la. É o que se deve dizer de quem preguiçosamente faz mal a tarefa, quando poderia fazê-la bem, ou banca o mal-educado para com os pais, quando poderia ser educado e respeitoso: ele está abusando da liberdade”.

A liberdade nos é dada para resistir ao mal e evitá-lo; não para querer fazer o mal. Quem se aproveita da liberdade para fazer o mal, atrai sobre si o desprezo de Deus. Esbanja a sua liberdade.

A verdadeira liberdade consiste nisto: cada qual, a qualquer momento, pode cumprir o seu dever não obstante qualquer insinuação contrária. Quem cede às instigações do mal ou se deixa vencer por um capricho, renuncia fazer uso da liberdade! Age como um… animal, privado de liberdade e dominado pelo instinto.

Deus nos fez livres, para que pudéssemos ganhar merecimentos.

A semelhança divina

Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” assim se exprimiu Deus quando criou o homem. Se procuramos nossa semelhança com Deus, encontramo-la precisamente na alma. Com efeito:

Deus é puríssimo espírito: e a alma é espírito

Deus é eterno: e a alma não morre.

Deus é inteligência suma: e a alma entende.

Deus é amor infinito: e a alma ama intensamente.

Sem alma o homem em que se assemelharia a Deus? Em nada.

Mais; precisamente porque tem alma, o homem é capaz de conhecer a Deus, criador e Supremo Senhor, de amá-lo e serví-lo.

Servir a Deus não quer dizer ser seu escravo, mas observar a sua lei. Jesus disse: Quem me ama, observa a minha lei. Servir a Deus é reinar!“.

A parte melhor

Cristovão Colombo, de volta de sua segunda viagem, fez um amplo relatório sobre a extraordinária beleza e as imensas riquezas das novas terras. “As Índias (então chamava-se assim a América) são encantadoras, ricas de metais preciosos e de pérolas raras. Mas as riquezas mais explêndidas e as pérolas mais preciosas são as almas dos Índios”.

O grande navegador, mais que os bens materiais do Novo Mundo visava as almas, cujo preço é inestimável. O sopro criador de Deus, infundindo-nos a alma, transfundiu em nós a luz de seu rosto divino.

Por isso devemos ter o máximo cuidado de nossa alma; é ela na realidade a parte melhor. Morto o corpo, ela sobrevive imortal. De fato, que adiantaria ganhar até o mundo inteiro se depois se perdesse a alma? O homem nada pode dar em troca de sua alma. Somente salvando a alma seremos eternamente felizes.

Dom Bosco, o santo dos meninos, aproximou-se um dia de um de seus alunos. “Queres ajudar-me a fazer uma coisa?”: “De boa vontade, Dom Bosco; fale”. E o Santo: “Ajuda-me a salvar tua alma”.

Deus, nosso bom Pai celeste a cada momento inclina-se sobre nós e nos pede que o ajudemos a salvar nossa alma: essa alma que lhe é tão querida, e que por Ele foi criada à sua imagem e semelhança.

Sobre Bruno Luís Santana

Ego Catolicus Romanus sum.
Esse post foi publicado em Sem categoria e marcado . Guardar link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s